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Lançamentos 2017: Se McLaren surpreendeu na pintura e evoluções do carro, a Ferrari optou por mudanças dentro da equipe.


Nesta sexta-feira foram revelados mais dois carros para a temporada 2017 da Fórmula 1: Mclaren e Ferrari apresentaram os bólidos tão esperados por fãs da categoria ao redor do mundo. Ambas as equipes visam retornar aos dias de glória, período no qual estabeleceram o domínio da categoria. O trabalho tem sido duro para ambos os lados, e com mudança drástica no regulamento elas tentam dar o famoso pulo do gato e achar soluções criativas e funcionais.
Conforme já esperado pelos fãs e com indícios deixados pelo time inglês desde o ano passado, a Mclaren resgatou a cor laranja oficialmente para os carros de competição na F-1. Foto: Mclaren/F1Fanatic.


É verdade que o time inglês de Fernando Alonso e Stoffel Vandoorne já dava indícios que o carro seria diferente, inclusive com pintura que remetia aos velhos tempos da equipe, mas ao lançar efetivamente o chassi e layout, eis que todos se surpreenderam principalmente com a cor laranja mesclada com a cor preta já utilizada nos últimos anos. E na Ferrari, apesar do carro estar dentro das novas regras, o estilo das linhas apresentadas se mostrou um tanto parecido com a da última temporada. Apenas a barbatana e uma asa adicional foram destaque.

Na McLaren vale lembrar mais uma vez que Ron Dennis deixou o cargo de presidente do grupo e para o lugar do então todo poderoso e experiente profissional chegou Zak Brown. E na chefia da equipe de corridas está o francês Eric Boullier, que já comandou com muito sucesso o time da Lotus durante a passagem de Kimi Raikkonen. A Mclaren é um nome tradicional que venceu pela última vez um campeonato em 2008 com Lewis Hamilton. Já no quesito provas conquistadas a última foi em 2012 com Jenson Button. Com certeza um hiato absurdo para a história que o time possui, campeã com pilotos legendários como Hunt, Senna, Prost, Lauda, Fittipaldi e Hakkinen.

A cor laranja remete aos primeiros anos do time fundado por Bruce Mclaren, mais precisamente do final dos anos 1960 até 1971 (quando chegou o patrocínio da marca de cosméticos Yardley e o carro ficou com a cor branca). O então líder do grupo acabou falecendo em um teste da categoria Can-Am em Goodwood em 1970. Foi a partir daí que Teddy Meyer assumiu como principal nome para ajudar nomes como Fittipaldi e Hunt ao título. Com o declínio do time na virada dos anos 1970 para 1980, Ron Dennis, então chefe de equipe na Fórmula 2 inglesa, chegou inclusive com a nomenclatura MP4 que durou de 1981 até o ano passado. Com a saída do inglês que revolucionou a estrutura e fez acordos fundamentais, a sigla mudou para MCL32 em 2017. No quesito motor, os japoneses da Honda focaram para este ano em fazer um motor que se assemelhe mais ao que a Mercedes produz na categoria. Ao tentarem ser inovadores nos dois últimos anos, o resultado foi um completo desastre nos resultados de um propulsor bem mais leve que os concorrentes.

Alonso e Button penaram para fazer o carro entrar na zona de pontuação e alguma evolução só foi percebida na segunda metade de 2016. Apesar de Fernando estar já em fim de carreira após 16 anos correndo no topo do esporte automobilístico e pelo menos duas temporadas passadas bem complicadas, o espanhol mais uma vez deposita confiança dos técnicos da Honda e da McLaren. O bicampeão se mostra muito otimista dizendo até que o carro pode sim ser vencedor. Já os executivos do time preferem adotar a cautela e nem tocar no tema vitórias, mas acreditam que o carro possa ser ao menos um pouco mais competitivo. Já o jovem Vandoorne, da Bélgica, fez apenas uma prova na categoria no ano passado (substituindo Alonso no Bahrein) e, é claro, se mostra muito ansioso para debutar em uma temporada completa por um time até então considerado grande no certame.

E a Honda inclusive tem como característica realmente o histórico de chegar com calma, desenvolver e entender o regulamento para então dar um salto de qualidade e ganhar praticamente tudo. Foi assim durante os anos 1980, quando retornaram para a categoria no pequeno time da Spirit e não obtiveram retorno positivo nos resultados com o piloto sueco Stefan Johansson. Mas anos depois ao chegar na Lotus já mostraram evolução e após a temporada de 1987 desembarcaram na McLaren de Senna e Prost, equipe que foi o verdadeiro rolo compressor da categoria naquela fase. O primeiro “casamento” entre Honda e McLaren duraria até 1992. Fato é que o carro para 2017 ficou com uma aparência bem mais limpa na aerodinâmica e um perfil também mais baixo que praticamente todos os rivais. Além disso a asa traseira também foi posicionada mais abaixo. Neste ano que marca a terceira temporada do novo elo com os japoneses acredito que a McLaren possa ser ao menos a terceira força em algum momento da temporada. Vamos ver no que dá!

Apesar das mudanças para o atual regulamento, ao menos para a apresentação oficial o time italiano mostrou poucas mudanças no geral. A barbatana de tubarão e pequena asa acima do novo artifício aerodinâmico foram as novidades notáveis. Foto: Ferrari/F1Fanatic.

Já a Ferrari vem trabalhando intensamente sob pressão e correria por resultados mais consistentes. O novo carro é chamado de SF70H e apresentou pouquíssimas mudanças em relação ao modelo anterior ao menos por fora da carenagem. É lógico que a apresentação é um momento mais de layout e patrocinadores, e devemos perceber maiores mudanças já nos primeiros testes de pré-temporada na Espanha a partir do dia 27, mas em princípio os italianos mostram que ousaram até pouco. Proeminente mesmo só a barbatana acima da tampa do motor e uma pequena asa que ajuda ainda mais a direcionar o fluxo de ar na parte de trás do bólido. Particularmente acho que essas aletas acima da barbatana deveriam ser proibidas, mas vamos ver o que acontece até o início da temporada... Ousada mesma foi a reestruturação técnica, pela qual profissionais já experientes foram dispensados ainda no ano passado e outros elementos do grupo técnico mais abaixo puderam chegar ao time principal. Temerário, mas só o tempo dirá se pode dar certo. Jogada arriscadíssima do presidente Sergio Marchionne.

Falando na dupla de pilotos, ambos estão sedentos por vitórias: Vettel não chega ao degrau mais alto do pódio desde 2015 e Raikkonen, pasmem, desde 2013... A temporada é marcante para o time chefiado por Maurizio Arrivabene, já que 2017 celebra os 70 anos da famosa empresa do cavalinho rampante. O presidente Sergio Marchionne é bem mais incisivo que Luca di Montezemolo e não deve tolerar mais fracassos retumbantes de todo o time. As mudanças no staff técnico liderado por Mattia Binotto visam exatamente voltar aos dias de glória de dez anos atrás, quando Kimi Raikkonen conquistou de forma surpreendente e na última prova o último campeonato da equipe admirada pelos tiffosi italianos. 

Alex Zanardi, ex-piloto de F-1 e também da Indy, além de ter se consagrado inclusive medalhista paralímpico em Londres 2012 e Rio 2016 falou recentemente que percebe os italianos muito nervosos no time e buscando trabalhar duro, mas que o esforço pode ser resultado da mediocridade... Fato é que o sangue latino tem proporcionado seguidos anos de erros pelos quais os torcedores da equipe mais querida do grid já não aguentam mais. Se Ferrari dominou o esporte durante parte dos anos 2000 com Schumacher, depois que os profissionais daquela época saíram do time o sucesso passou longe em muitas oportunidades.

Até no quesito superstição os italianos voltaram atrás e aboliram a cor branca na tampa do motor e cockpit do carro, fator que esteve quase sempre ligado a temporadas ruins do time na Fórmula 1 (1993 por exemplo). Em 2016 não foi diferente após um ano sem vitórias e apenas o terceiro lugar, longe da disputa com Mercedes e Red Bull mais no topo da tabela do campeonato de construtores e pilotos.

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