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Uma Indy 500 com menos adrenalina em 2018


O australiano Will Power venceu a edição 102 das 500 milhas de Indianapolis no último domingo, porém as poucas disputas ao longo da prova desagradaram a maioria dos fãs e aficionados da Fórmula Indy. Mesmo especialistas e profissionais que trabalham cobrindo o certame também expressaram a surpresa de assistir uma das corridas que menos chamaram a atenção nos últimos anos em Indiana. O renovado kit aerodinâmico rapidamente se tornou a aprovação estética total por parte de todos, mas a falta de competitividade nas provas, tanto na Indy 500 como por exemplo em Phoenix há alguns meses evidencia que mais mudanças são necessárias.

O americano Ed Carpenter correndo com a equipe própria alcançou mais uma impressionante pole position no mítico oval e foi um dos ponteiros durante a maior parte da corrida, mas lamentou que não tenha arriscado tanto para brigar pela ponta da maior etapa do automobilismo mundial. Terminou na segunda colocação, um resultado e tanto para ser aplaudido. Os carros se mostraram um tanto ariscos como foi verificado em tantos acidentes acontecendo ao longo das 200 voltas no traçado. Veteranos como Takuma Sato (o então atual vencedor) e os brasileiros Helio Castroneves assim como Tony Kanaan sofreram com bólidos de traseira instável e assim uma rodada facilmente ficava em evidencia. Os carros estavam fora de controle e ficou difícil segurar para ambos os brazucas.


O ponto positivo é que mesmo os veteranos como Castroneves ou Kanaan assim como Matheus Leist demonstraram potencial para se colocarem ainda entre excelentes colocações ao longo de outras corridas na sequência do ano pela Fórmula Indy. Leist não foi o melhor rookie na classificação final em Indianápolis, mas obteve um décimo terceiro lugar honroso e de muito mérito, mesmo que tenha se atrapalhado de certa forma nas voltas finais. A maioria dos competidores experientes sabia que havia chegado a hora de verdade na disputa e foram para cima de quem estava na frente do pelotão. O que não é uma novidade em Indy, mas para os novatos mesmo oriundos da Indy Lights, eles acabam sofrendo bem mais. Leist se viu no meio de um bolo de pilotos brigando por posição e até precisou tirar o pé.

Tal fato observado por Leist também havia sido comentado por Fernando Alonso durante a edição da prova no ano passado. Das pancadas, surpreendeu a do japonês Sato, agora correndo pelo time da Rahal. Podemos imaginar que o nipônico não estava tão atento e não viu o lento bólido de James Davison na saída da curva de número 3. O choque de Sato no adversário foi inevitável e ambos acabaram abandonando, felizmente sem maiores consequências físicas aos pilotos. Quem sofria com um chassi saindo de traseira nas curvas e pneus com rendimento insatisfatório já que vibravam demais foi a agora aposentada Danica Patrick. A piloto que trouxe multidões para as corridas tanto na Indy como na NASCAR fez a última corrida oficial e apesar de se classificar entre os dez primeiros no Pole Day, teve um dia para esquecer já que também perdeu a traseira do carro. O carro da Carpenter Racing de chamativa cor verde foi de lado para a pancada no muro e apesar do choque também ficou só a decepção na face da americana.



Apear do resultado, fica evidente que Danica sai por cima após ter vencido uma etapa em 2008 e obtido momentos importantes e memoráveis como pole positions ou posições regulares na zona de pontuação. É a melhor mulher do automobilismo em fórmula e isso deve perdurar por um certo tempo. Interessante inclusive foi a apresentação do neozelandês Scott Dixon, afinal ele não fez um dos principais tempos no Fast Nine e durante a corrida fez o dever de casa: se manteve na volta do líder e se não foi um dos mais rápidos ao menos conseguiu um ritmo bom. E depois, conforme quem não quer nada, sorrateiramente ele foi avançando e finalizou em um ótimo terceiro lugar. Dixon nunca pode ser descartado assim como a Chip Ganassi Racing! Quem vem decepcionando é o companheiro dele no time, o Ed Jones. Com o carro #10 que já foi tantas vezes vitorioso e campeão com Franchitti, o agora dono do cockpit também vem sofrendo o que passou por exemplo um piloto estabelecido como Tony Kanaan neste bólido durante os últimos anos. Jones bateu na volta de número 57 e mais uma vez deve ter despertado a ira do patrão Chip Ganassi, que não costuma ter muita paciência. Apesar de jovem promessa, se Ed continuar assim pode ser que dure apenas até o final da temporada dentro da lendária equipe.

Os “outsiders” Oriol Servia e Stefan Wilson vinham em um ritmo diferente de paradas no box e contavam com várias bandeiras amarelas para não precisarem de um splash and go, momento de pit stop com apenas o suficiente para terminar a prova. Acabaram ficando para trás mas ainda sim obtiveram pontos e prêmios interessantes a partir do que foi feito em Indianapolis. Valeu muito sim a pena todo o esforço e participação deles no evento. E com relação aos carros que deram muito trabalho para os pilotos e proporcionaram poucas emoções principalmente no primeiro quarto de prova, a ideia é que a organização do campeonato possa tomar medidas para resolver isso em breve, nem que seja de forma paliativa. Com tantas bandeiras amarelas, pit stops e algumas ultrapassagens certamente já deve ter havido 500 milhas tão chatas conforme esta, mas seguramente a Indy pode prometer e oferecer muito mais para o futuro. No próximo final de semana já temos uma dura e tensa rodada dupla da Indy em Detroit, circuito de rua com uma paisagem bela mas um verdadeiro teste de nervos para o acerto do bólido.



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