Foto: Divulgação.
Nico Rosberg competiu por onze
temporadas na principal categoria do automobilismo mundial e passou apenas por
duas equipes: Williams e Mercedes. Apesar da nacionalidade alemã, Nico é filho
do finlandês Keke Rosberg, campeão mundial em 1982. Como se já não bastassem as
comparações com o pai, o fato de não necessariamente ter uma pilotagem
agressiva nas pistas sempre o colocou em posição de não ser considerado um dos
principais e mais importantes competidores da última década. Mas a incendiária
disputa com o companheiro Lewis Hamilton na esquadra da estrela de três pontas
ao menos inclinou as pessoas a mudar esse aspecto.
Os quatro anos na Williams
transformaram o jovem piloto em um esportista muito mais maduro. A volta mais
rápida ao escalar o pelotão e pontuar em sétimo na estreia no Bahrein
seguramente surpreendeu muitos no paddock e até mesmo o próprio Rosberg, mas o
restante daquela temporada mostraria a realidade e as dificuldades de uma
equipe que outrora passou por tempos de glória, mas tinha perdido o status e o
desempenho vencedor em uma era de gastos ainda mais estratosféricos na
categoria. Em 2008 alcançou dois pódios e demonstrou que poderia ter futuro se
guiasse um carro em equipe de ponta. Já em 2009, ano do campeonato da BrawnGP,
foi bastante regular no decorrer da temporada ao fechar em sétimo com trinta e
quatro pontos e meio.
Para 2010 foi convocado para o
desafio de fazer a novíssima equipe Mercedes (oriunda da campeã BrawnGP)
vencedora, e justamente ao lado do maior vitorioso de todos os tempos: Michael
Schumacher. E trabalhando na mesma equipe do heptacampeão, Nico aprendeu muito
e se destacou com bons resultados, ao contrário de Michael que sofria para se
readaptar à categoria. Em 2012 conquistou a primeira vitória da carreira na
China após tantos anos competindo e para 2013 recebeu um novo
companheiro e também desafiante: Lewis Hamilton no lugar de Schumacher. Rosberg inclusive
destacou recentemente que se não tivesse batido o ex-companheiro de Rubens
Barrichello na Ferrari, então nem teria continuado na Fórmula 1.
Em 2014 e 2015 brigou de igual
para igual com o inglês, mas o adversário conquistou mais dois títulos para o
bolso. A fama de segundão e piloto mais conservador continuava, mesmo apesar de
grandes e incontestáveis pole positions, vitórias e voltas mais rápidas.
Rosberg sempre adotou uma postura mais limpa e gradual, só que em rimo
constante na pilotagem. Totalmente ao contrário do companheiro, que mesmo
reconhecidamente com mais talento no braço e também com o pedal da direita,
guia o bólido com muita destreza e agressividade, o resultado da combatividade
e o lema de nunca desistir. Podemos encarar como uma condução que não "agredisse" tanto os componentes do carro e os pneus. Mas em determinados momentos, faltava a Rosberg uma pilotagem mais adaptável a momentos de tirar mais do carro com o "feeling".
Nico Rosberg e Michael Schumacher na apresentação do grid na abertura do campeonato de 2010 no Bahrein. Foto: Divulgação.
Em 2016, os deuses do
automobilismo colaboraram um tanto com o alemão. E Nico aproveitou a grande
fase e aliou grandes e excelentes provas junto da sorte: a combinação dos
campeões. Vencendo as três últimas corridas de 2015 além das quatro primeiras
em 2016 se destacou de forma excepcional. E assim no início da temporada passada pela qual vivia grande fase, Rosberg disparou no Mundial de Pilotos como nunca havia feito anteriormente. Lewis até se recuperou e
encostou na briga pelo título. Mas talvez tenha sido tarde demais. Rosberg
correu com o regulamento debaixo do bolso e assegurou o primeiro e único caneco
da carreira. E assim, quando todos esperavam mais uma briga ferrenha em 2017,
Nico resolveu deixar tudo para trás mesmo com contrato assinado por mais dois
anos na Mercedes. O atual campeão largou as pistas, e se não foi o mais
carismático da história, ou um dos mais marcantes, resolveu deixar o circo da
categoria no auge, aos 31 anos.
Rosberg optou por não defender o
título e assim sair da maioria dos compromissos oficiais e se juntar a momentos
bem mais tranquilos e com a família. Desta forma, poderá viajar o mundo,
administrar o dinheiro e cuidar da mulher e também da filha. Os anos ao lado de
Hamilton representaram um dos maiores domínios de sempre no esporte, mas ainda
sim deixaram saudade pelos embates emplacáveis dos dois. Dadas as devidas
proporções assim como também aconteceu com Lauda e Hunt, Prost e Senna, Mansell
e Piquet ou Schumacher e Hakkinen.
Acredito que algum dia Nico
retorne com “o vírus” do automobilismo no sangue, principalmente quando baixar
de fato a “poeira” dessa aposentadora. Mas retornar ao certame da F-1 só em
último caso. Nico pode fazer o que quiser e poderia se aventurar em provas
esporádicas mas não menos importantes como as 24 horas de Daytona ou ainda
disputar a renomada corrida de Le Mans. Os ovais da NASCAR e da Indy já viram
Barrichello resolver virar para a esquerda nos EUA, mas Rosberg, mesmo que
fosse tentado a isso, imagino que ofereceria muito mais ou total resistência a
tantos riscos envolvidos.
De início, os entusiastas e fãs vão sentir a falta do competidor, mas o tempo é o senhor da
razão... A F-1 é maior do que os próprios nomes e soube superar a saída ou
perda de outros importantes pilotos no passado. Com os anos à frente, Nico poderá
contar ainda mais histórias, tanto para a filha Alaia como para aqueles sedentos de
detalhes dos bastidores da máxima competitividade do esporte.


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