Pular para o conteúdo principal

Lançamentos 2017: Red Bull e Toro Rosso unem tradição e inovação pela volta ao topo do esporte.

O novo Red Bull R13 já em ação durante o primeiro dia da pré-temporada em Barcelona - Foto: Motorsport.com

Neste domingo o ciclo de lançamentos foi encerrado com a exibição dos carros da Red Bull, Toro Rosso e o time norte-americano da Haas. Mas os detalhes da equipe que tem Grosjean e Magnussen como pilotos e parte para o segundo ano no certame comentaremos mais à frente. O foco da vez são os times dos energéticos mais famosos do mundo, liderados por Dietrich Mateschitz, empresário austríaco de muito sucesso há várias décadas.

Os tetracampeões com Vettel conquistaram apenas cinco vitórias após o período mais frutífero do time entre 2009 e 2013, o que representa muito pouco, e após um ano mais animador em 2016, eles esperam retornar ao degrau mais alto do pódio no campeonato, ou ao menos com mais chances de brigar de igual para igual com a toda poderosa Mercedes. A dupla de pilotos foi mantida, com o australiano Daniel Ricciardo seguindo para o quarto ano liderando a esquadra que se originou a partir da antiga Jaguar. Já o jovem Max Verstappen, de apenas 19 anos, foi a sensação do campeonato passado, pelo qual no meio do ano trocou a Toro Rosso pelo time principal. Tal fato aconteceu quando o russo Danil Kvyat, mesmo com dois pódios conquistados na carreira acabou fazendo um péssimo GP na terra natal em Sochi, na Rússia. Um verdadeiro show de trapalhadas no qual o atual namorado de Kelly Piquet acabou tirando Vettel da prova após bater por DUAS vezes no alemão ainda durante a primeira volta.

Não deu outra... Após as reclamações incisivas e constantes do piloto da Ferrari, a cúpula da Red Bull resolveu promover a troca com efeito imediato: Kvyat foi rebaixado para o time B, e Verstappen, que já tinha contrato para assumir o bólido principal a partir de 2017, recebeu o presente que tanto esperava de forma antecipada e um tanto surpreendente. Mas fora-de-série mesmo foi o desempenho do competidor durante o GP da Espanha, primeira prova pela equipe consagrada: venceu logo de cara e suportando a pressão de nada mais nada menos que Kimi Raikkonen, um dos mais experientes pilotos do grid atual. Desta forma, o jovem Max ganhou bastante confiança logo de cara e pôde figurar no pelotão da frente, mas não sem antes se envolver em polêmicas de manobras e ultrapassagens. Pontuou regularmente, apesar da pouca inexperiência, e se o carro da Red Bull voltar a ser excepcional, pode até, quem sabe, brigar pelo título.

Aí é que está. Muitos depositam mais confiança no outro piloto da equipe, o sorridente, mas também competente e regular Daniel Ricciardo, que já tem vários anos de experiência no certame aos 27 anos de idade (completa 28 em julho deste ano). O substituto de Mark Webber no time alcançou a terceira posição no campeonato de 2015 com três vitórias e obteve mais um triunfo no ano passado durante o GP da Malasia quando Lewis Hamilton abandonou após quebra do motor Mercedes. Pela qualidade na condução do carro e reconhecida forma mais cerebral de atuar nas corridas, muitos especialistas apontam o australiano como o piloto a levar mais vantagem dentro da equipe com base em Milton Keynes, na Inglaterra. Ricciardo com certeza vai se empenhar bastante em achar soluções para o bólido e sempre se mostra motivado e com boa interação junto dos integrantes e mecânicos do carro. Porém, vale lembrar que o arrojo de Verstappen acabou chamando mais a atenção principalmente no GP Brasil durante condições atípicas de pista molhada e bem traiçoeira. Max não quer pensar muito, só acelerar!

O grande X da questão no time é o renomado e conhecido projetista Adrian Newey, lembrado sempre também como o “mago da prancheta”. Como consequência do talento para desenhar carros eficientes ao longo da carreira, o inglês de 58 anos assinou chassis vitoriosos na Williams, McLaren e por último na Red Bull. São nada mais nada menos que 10 campeonatos conquistados. Quatro deles na Williams, dois na McLaren ainda durante os anos 1990 e as quatro taças levantadas por Vettel em um dos mais recentes domínios deste esporte. É certo que Newey foi se afastando do time e pretendia apenas conduzir situações mais brandas, nas quais pudesse colocar em prática carros esportivos e concepções do gênero. E foi justamente durante esse afastamento que o time dos energéticos conheceu uma verdadeira queda de rendimento, e nem as várias trocas de pilotos resolveram o problema. O fato de Newey se distanciar não foi o único problema, nem o principal, mas com certeza não ajudou em nada. Para 2014, ano de novo regulamento com motores V6, a Renault atrapalhou-se demais no desenvolvimento e entregou um propulsor com diversos problemas de confiabilidade e desempenho. Tudo isso por mais que entre a pré-temporada e a primeira corrida a evolução tenha se apresentado notável, afinal durante os testes o carro mal dava algumas voltas e a unidade de potência já “abria o bico”.

No campo do carro apresentado para 2017, a Red Bull também optou por um chassi sem firulas e diversos apêndices aerodinâmicos, conforme fez a Ferrari por exemplo (os italianos até apresentaram a manutenção das linhas gerais como no ano passado, mas implementaram uma série de apetrechos ao longo do carro). O bólido permanece com a pintura elegante do último ano e de notável pode-se perceber logo de cara a ausência da longa parceira de combustíveis Total (ou Elf) que saiu da equipe para dar lugar a Mobil 1/Esso, estes que vieram após longo casamento com a McLaren. Durante o primeiro dia de testes em Barcelona, o carro apresentou problemas técnicos durante a parte da manhã, mas o diretor esportivo Christian Horner tratou logo de minimizar o fato, relacionando-o a uma situação pontual. Diante do cenário apresentado, e mesmo que o começo não tenha sido dos melhores, a expectativa é positiva que o time dos energéticos possa se aproximar da Mercedes e dar mais dias de glória aos jovens e impetuosos Ricciardo e Verstappen. Para Max evidentemente só aumentaria também a popularidade do já reconhecido e carismático holandês que em pouco tempo já mostrou bem mais atributos e empatia que o pai, Jos Verstappen, que passou pela categoria nos anos 1990 e 2000.


Kvyat e Sainz ainda são a aposta da Toro Rosso para melhores resultados com um carro que chamou a atenção dos fãs. - Foto: Formula1.com

Na Toro Rosso, a ideia da vez foi distanciar-se o máximo possível da co-irmã, a Red Bull, e isso não significou que fossem deixar de buscar uma grande referência na categoria. Apesar de durante a apresentação do carro neste domingo nos boxes de Barcelona os chefes do time negassem essa opção, os pilotos Carlos Sainz Jr. e Danil Kvyat se mostraram um tanto felizes que o chassi tenha similaridades com a toda poderosa Mercedes. E demonstraram confiança também que é um carro bem nascido, fator primordial e essencial para um bom começo de ano e desenvolvimento de temporada.

Como se já não bastasse a tudo isso, a pintura foi completamente remodelada e não traz nada do que já foi usado até aqui na escuderia que debutou em 2006 na Fórmula 1. O layout mais se assemelha mesmo a uma latinha do famoso energético conhecido ao redor do mundo, e logo chamou a atenção dos fãs para ser considerado como um dos mais bonitos apresentados, ou até mesmo o melhor paint scheme para 2017. Outro detalhe técnico foi que a equipe deixou novamente de lado os motores da Ferrari para retornar aos da Renault, utilizados no mesmo time entre 2014 e 2015. Todo esse pacote de evoluções pode se resumir em mais posições perto dos dez primeiros e quem sabe mais classificações no P3 dos treinos oficiais de sábado. Ao serem perguntados sobre a possibilidade de pódios durante o ano, tanto Sainz quanto Kvyat desconversaram sobre essa expectativa.

Toro Rosso em 2017 também apareceu logo de cara com a famosa barbatana na tampa do motor. - Foto: Divulgação.

Em relação aos pilotos, será a chance decisiva para ambos. Se eles não mostrarem serviço correm seriamente o risco de perderem os cockpits para o ano de 2018. O russo Kvyat teve um período para esquecer durante boa parte da disputa em 2016, na qual perdeu a vaga justamente no time principal após ser muito questionado dentro do paddock sobre a qualidade e o talento nas pistas. Acabou de volta à Toro Rosso, que foi porta de entrada do piloto na categoria. Quem diria... Apesar disso ele se recuperou mesmo que gradualmente para marcar pontos em três oportunidades. Já o espanhol, filho do grande competidor do Mundial de Rally, fez quase que o dobro de pontos do novo companheiro de equipe e se mostrou muito mais regular, aproveitando a situação cômoda de já estar naquela esquadra desde o início do ano. Realidade mesmo é que não há mais espaço para desculpas para os comandados por Franz Tost, o austríaco líder do grupo na F-1.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

GP do Canadá traz boas memórias de Gilles Villeneuve

A pista da Ilha de Notre Dame, no Canadá, será palco da sétima etapa da Fórmula 1 2017 no próximo final de semana. O traçado que mistura elementos de circuito de rua e também pista permanente (as tradicionais) sempre traz na memória dos fãs belos momentos de Gilles Villeneuve, herói que nasceu no país e deu verdadeiros shows com o carro da Ferrari naquele local. A percurso em Montreal estreou na categoria no ano de 1978, mas vale lembrar que a F-1 já havia corrido antes em solo canadense tanto em Mosport como também Mont-Tremblant. Porém naquela oportunidade de um local para disputa no qual os pilotos ainda não conheciam, foi exatamente o piloto local Gilles Villeneuve que ganhou a primeira corrida da carreira pilotando o carro da Ferrari. Era apenas o segundo ano do competidor no topo do automobilismo mundial. Mesmo tendo a responsabilidade de substituir Niki Lauda na  Scuderia , ele mostrou todo o potencial logo de cara para a felicidade do  comendador  Enzo ...

F-1 passa a olhar mais para o lado humano buscando se reinventar como esporte

O GP da Espanha reservou muitas emoções, inclusive na briga pela ponta na qual Hamilton e Vettel protagonizaram um duelo marcante e que deve sinalizar o que teremos na sequência do campeonato, mesmo com alternâncias entre alguns resultados. Podemos citar o próprio inglês como destaque, a bela largada de Vettel, o excelente desempenho dos dois carros da Force India, e ainda o talento de Wherlein para levar um fraco carro da Sauber ao oitavo lugar. Além disso a prova ainda teve Fernando Alonso pela primeira vez finalizando um evento da F-1 no ano com a McLaren fora da zona de pontuação, mas ainda comemorando o “feito” obtido na terra natal.  Bastou Kimi Raikkonen abandonar a etapa com uma suspensão destruída que Thomas rapidamente demonstrou a tristeza de ver o ídolo fora da disputa. A reação espontânea de um fã mais que especial. Foto: Reprodução de TV. Porém os holofotes, ou boa parte deles, foram direcionados para o jovem francês Thomas Danel, de apenas 6 anos! O efusivo...

Uma Indy 500 com menos adrenalina em 2018

O australiano Will Power venceu a edição 102 das 500 milhas de Indianapolis no último domingo, porém as poucas disputas ao longo da prova desagradaram a maioria dos fãs e aficionados da Fórmula Indy. Mesmo especialistas e profissionais que trabalham cobrindo o certame também expressaram a surpresa de assistir uma das corridas que menos chamaram a atenção nos últimos anos em Indiana. O renovado kit aerodinâmico rapidamente se tornou a aprovação estética total por parte de todos, mas a falta de competitividade nas provas, tanto na Indy 500 como por exemplo em Phoenix há alguns meses evidencia que mais mudanças são necessárias. O americano Ed Carpenter correndo com a equipe própria alcançou mais uma impressionante pole position no mítico oval e foi um dos ponteiros durante a maior parte da corrida, mas lamentou que não tenha arriscado tanto para brigar pela ponta da maior etapa do automobilismo mundial. Terminou na segunda colocação, um resultado e tanto para ser aplaudido. Os carro...