O ex-piloto alemão Michael
Schumacher completa 49 anos de idade nesta quarta-feira e continua em um estado
triste para se viver de acordo com as poucas informações que saíram nos últimos
tempos: precisa de tratamentos médicos o tempo todo, perdeu muito peso e não se
locomove mais. Já são mais de quatro anos desde o acidente de esqui em Meribel,
na França, mas a luta para se manter vivo, mesmo em estado vegetativo, continua
para o maior vencedor de todos os tempos da Fórmula 1.
Em uma vida completamente intensa
e quase sempre ligada à velocidade, Schumacher alcançou e superou números
incríveis de adversários na Fórmula 1: o alemão chegou a 91 vitórias, 7 títulos
mundiais e 68 pole positions conquistadas. Superou lendas como Senna, Prost e
Fangio e apenas no ano passado foi superado por Hamilton em largadas partindo
da primeira posição. Passou por Jordan, Benetton, Ferrari e por último um retorno
bem menos triunfante com as flechas de prata da Mercedes entre 2010 e 2012.
Muitos apontavam que com a estrutura bem-sucedida da antiga Brawn o
ex-companheiro de Rubens Barrichello poderia voltar aos dias de outrora e de
grande sucesso além da atuação como se fosse praticamente um rolo compressor em
cima dos rivais. Os outros pilotos pouco podiam fazer diante de uma Ferrari
extremamente competitiva e com integrantes perfeitamente alinhados no time, mas
na ex-Brawn e então Mercedes não foi a mesma coisa. Apesar disso, Schumi não
deixava para menos: aliava velocidade com manobras estudadas e cirurgicamente
executadas na pista, além de ter sido seguramente um dos principais senão o
grande elemento que já uniu um time de forma absoluta ao redor do piloto na
história da categoria.
A promissora estreia pela Ferrari em 1996 renderia bons frutos. Porém após várias temporadas e muito trabalho junto de uma equipe praticamente construída pelo próprio alemão.
Tido e tratado logo de cara como
um esportista que visava apenas a vitória e se apresentava como fora de série
desde a estreia na Bélgica, em 1991, Michael muitas vezes passava do limite e
superava o frio sangue alemão para tomar atitudes duvidosas para dizer o
mínimo, ou então até antidesportivas. E elas aconteceram de forma polêmica
tanto em Adelaide 1994 contra Damon Hill, como em Jerez 1997 em cima do
canadense Jacques Villeneuve, ambos pilotos da Williams. Em duas disputas de
título acirradíssimas, Schumi levou a melhor no ano da morte de Ayrton Senna,
porém levou duramente a pior três anos depois quando foi desclassificado do
campeonato pela manobra e perdeu todos os pontos conquistados no ano e precisou
até se retratar. Durante os anos na Scuderia, o predomínio do grande competidor
pela liderança era nítido até mesmo devido ao investimento de dinheiro e
atenção que o time colocava em cima dele, tanto que o trabalho para acertar o “elenco”
italiano foi duro desde a primeira temporada em 1996. Naquele ano Schumacher
alcançou apenas três vitórias mas ainda sim um desempenho bem mais acima do que
os tiffosi acompanhavam já há vários anos em temporadas que a Ferrari sofria
apesar de ter pilotos competitivos como Jean Alesi e Gerhard Berger.
Estreia de Schumacher para uma aventura única com a Jordan na Bélgica, em 1991.
O acidente de 1999 em Silverstone
quando passou reto devido a uma falha nos freios e quebrou uma das pernas não
ajudou em nada e muitos acreditam até hoje que se a grande pancada não tivesse
acontecido o alemão teria brigado de igual para igual mais uma vez com Mika
Hakkinen, da McLaren. No final das contas os teóricos acham que teria até
superado o rival na disputa pelo caneco daquela temporada. Schumi foi
substituído não a altura por Mika Salo, sendo que este mais cumpriu tabela que
outra coisa ao lado de um Eddie Irvine então diferente. O segundo piloto da
Ferrari finalmente tinha a chance de título mas ou por falta de comprometimento
do time ou por falta de talento do irlandês a conquista não veio para a Ferrari
após 20 anos. E a festa ficou adiada para o ano seguinte. Do momento mais baixo
em 99, Schuey rumou para o estrelato fazendo uma temporada de dar inveja aos
rivais: dominou o ano e conquistou finalmente o terceiro título mundial em
Suzuka. A conquista era emblemática e representava o que viria pela frente: o
mais completo domínio de uma única escuderia na história da Fórmula 1. De 2000
a 2004 o topo sempre foi comum para os italianos. E ainda em 2005 e 2006,
apesar de um ascendente Fernando Alonso conquistar os títulos para a Renault,
Schumacher penou com os novos regulamentos mas soube dar a volta por cima para
se manter vencendo quando foi possível.
E nesse período ao menos dois
casos ficaram nitidamente registrados na memória dos torcedores e também dos
profissionais que acompanham o certame: A troca de posições com Barrichello na
Áustria em 2002, além da famosa “paradinha” em plena curva Rascasse no circuito
de Mônaco ao final da classificação para a prova de 2006. No ano da conquista
do Brasil na Copa, a opinião pública execrou os ferraristas, tanto Montezemolo
como Todt e até mesmo Ross Brawn, para não falar é claro do próprio Schumacher.
A troca de posições clara e nítida foi feita na linha de chegada pelo próprio
Barrichelo, ele que vinha liderando todo o final de semana na pista. A equipe
já vinha pedindo a inversão durante as últimas voltas, mas o brasileiro
preferiu deixar tudo bem claro na reta dos boxes na hora da bandeirada. E no
pódio, Schumi ficou tremendamente sem jeito e chateado com a situação, dando o
lugar de honra no pódio para o segundo colocado, Rubinho. A troca de posições
ali renderia então uma grande multa para a Ferrari. E a reputação de Schumacher
ficaria ainda mais manchada e pegaria a implicância de vários torcedores,
inclusive os brasileiros.
Schumacher nada nada contente após o choque com David Coulthard que levou ambos a abandonarem o GP da Bélgica, em 1998.
Em Mônaco 2006 o alemão resolveu
estacionar o bólido na Rascasse e conseguiu atrapalhar a volta do grande rival
Fernando Alonso, que é claro, reclamou bastante. Outro que falou todas para o
paddock foi o chefe do espanhol, Flávio Briatore, que década antes era quem
liderava Schumacher na Benetton. É, o mundo dá voltas! Schumi fez que não foi
com ele e alegou que perdeu o controle e ainda evitou um acidente. A telemetria
mostrou o contrário e ele foi punido tendo então que largar mais de trás. O
tiro saiu pela culatra.
Portanto, meus amigos, o espírito
extremamente competitivo e vitorioso de Schumacher sempre buscou nada mais nada
menos que o primeiro lugar nas corridas e nas disputas de campeonato, porém em
todas ou quase todas as vezes que o competidor resolveu usar de suas artimanhas
para apelar e conseguir mais conquistas, tudo se complicou e ele, Michael,
piorou ainda mais as coisas para o lado dele. O alemão sempre foi competente,
além da conta, e não precisava disso. Porém, o fato de querer mais e mais fez
parte da vida do esportista como um todo. Pena que na Mercedes ele voltou não
mais o mesmo. É verdade que o desempenho do carro não ajudou mesmo. Mas
Schumacher já errava freadas e até acertava de bobeira os outros competidores
nas brigas pelo pelotão intermediário. Na minha teoria o acidente na motovelocidade
alemã em 2009 não ajudou em nada. Já ali ele quase morreu após cair e bater a
cabeça além de ficar agonizando parado na brita do circuito. Dizem que veias
chegaram e se romper naquela ocasião e foi por isso que Schumacher alegou os
problemas de pescoço e não retornou no final das contas para substituir Felipe
Massa nas etapas derradeiras daquela temporada com a Ferrari na F1. Acho que
mudou a cabeça e as reações do Schumi, mesmo ele se recuperando para o esporte
a motor naquela ocasião e ele não voltou o mesmo, infelizmente, a partir de
2010. Deve ter perdido décimos de segundo preciosos aliados com a já avançada
idade para um esporte extremamente de acontecimentos rápidos e mudanças de
regulamento constantes. Verdade é também que não dominou como antigamente em
2005 e 2006 e por isso também resolveu se aposentar, sendo apenas UM dos
fatores, acredito eu. Com tudo o que ele fez e alcançou, chego à conclusão e
acredito sim sobre o lado vitorioso
ter superado o de Dick Vigarista, conforme a maioria dos brasileiros até chegou
a apelidar o alemão principalmente após os lances contra Rubens Barrichello.
Apesar de alegar estar se divertindo, os dias de Mercedes foram bem menos felizes no quesito resultados na pista. Tensões MIL.
O
brasileiro reclamava sempre sobre a diferença de tratamento na Ferrari, porém
acho eu, tinha pouco a argumentar. Schumacher já tinha salário e títulos
mundiais para falar a favor dele próprio e conhecia os integrantes e a forma de
funcionamento em Maranello como poucos. Ficou a imagem do piloto apelativo e
até sujo para o alemão, mas a grande maioria dos triunfos de Schumi veio com
garra, competência, talento e busca incessante pela vitória. Um esforço poucas
vezes visto e premiado com o nome registrado para sempre nas estatísticas e
livros de história. Barrichello ainda teria um lance para “dar o troco” em
Michael quando conseguiu ultrapassar o grande rival na Hungria em 2010.
Schumacher quase jogou Barrica para fora e aí mais uma vez ficou aquela
história do piloto que não pensa nos outros. O alemão pouco se importou com a
situação, para variar. Pena também é que o acidente ocorrido nos alpes
franceses em 2013 tenha relegado um homem de espírito tão livre e agitado para
fazer esportes de alta velocidade apenas provavelmente a uma cadeira de rodas.
Todos torcem pela recuperação e direcionam os bons pensamentos e orações
diretamente para a mansão de Schumi na Suíça. Mas é bem verdade que os dias do
grande alemão ficaram bem menos interessantes do que a vida competitiva que ele
se acostumou a ter. Tudo ficou mais limitado, mas a luta nunca acabou. Enquanto
há vida ela continua, e continua firme e forte.





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