Pular para o conteúdo principal

F-1: Stroll pode surpreender com a Williams em 2018?

O jovem canadense Lance Stroll, de apenas 19 anos, teve a temporada debutante na Fórmula 1 em 2017 quando muitos torcedores e especialistas criticavam a precocidade da chegada do piloto na categoria. O competidor já tinha fama de veloz e audacioso além da “bagagem” de campeão da Fórmula 3 Européia e da Fórmula 4 Italiana por exemplo. A chegada de Stroll se deu muito em razão do pai, Lawrence, ter deixado um grande aporte financeiro na lendária equipe Williams, o que abriu todos os caminhos para o filho novato. Essa infelizmente vem sendo quase sempre a única forma e o melhor dos “pacotes” para um começo (famoso “empurrãozinho”) na entrada para o esportista dentro da F-1 durante os últimos tempos. Sempre aconteceu, claro, mas se tornou praticamente a única forma de entrada na categoria.

Ao ser anunciado pela Williams para a temporada 2017, Lance posava sorridente para o fotógrafo na sede da equipe em Grove, na Inglaterra.

Durante a pré-temporada o jovem piloto sofreu bastante para se adaptar ao novo carro quando teve que lidar com sucessivas rodadas e até acidentes. Isso aconteceu apesar do acúmulo de quilometragem em testes e que foram permitidos já que eram carros de anos anteriores como o Williams de 2014, por exemplo. Porém com as mudanças recentes de regulamento na categoria a diferença era grande (até brutal) no entendimento para o funcionamento do bólido e a pilotagem nos circuitos. Stroll superou tudo isso e partiu para uma rápida evolução ao longo da temporada mesmo em meio a uma chuva de críticas pela qual as pessoas costumavam lembrar da condição de piloto pagante para conseguir aquele cockpit e que até mesmo ele não deveria estar ali devido à pouca idade. Na Austrália mesmo largando no final do pelotão ele conseguiu um excepcional início de prova ultrapassando vários competidores ainda na primeira volta. Mais tarde e quase no final da corrida ele encostaria o carro nos boxes em uma condição que jornalistas até especularam que estaria cansado e sem condições de continuar até o final devido ao grande esforço físico com os novos carros. Não houve confirmação disso, claro, mas fato é que a estreia já estava registrada.

A tensão e cobrança do circo da F-1 em cima de Lance Stroll apareceu logo na pré-temporada e continuou implacável ao longo das primeiras etapas em 2017.

Ao longo das corridas seguintes o canadense foi evoluindo de desempenho e se mantendo até o final das etapas (bandeirada) para buscar de fato a famosa zona de pontuação. A primeira delas veio com uma motivação a mais durante o evento na terra natal em Montreal, no Canadá. Foram os dois primeiros pontos da carreira com um nono lugar e a torcida ajudou com muita empolgação e felicidade para que ele buscasse com mais afinco terminar a corrida de uma forma bem mais digna de nota. Com um carro que de longe não era excepcional apesar da chegada de Paddy Lowe no time e também os momentos de Felipe Massa que apesar da experiência vinha passando em algumas situações por corridas complicadas ao longo da temporada, Stroll se manteve sereno para aproveitar a oportunidade que aparecesse. E de fato ela chegou! A disputa seguinte seria no desafiante e veloz circuito de rua em Baku, no Azerbaijão, e essa foi daquelas provas malucas na qual todos que acompanham o esporte a motor costumam lembrar: batidas, confusões, bandeiras amarelas e vermelhas sendo agitadas, longas paralisações, brigas por posições ao longo de toda a corrida e até o famoso “encontrão” entre Vettel e Hamilton durante uma das entradas do Safety Car na pista.

Em Baku, no Azerbaijão, o jovem canadense conseguiu de forma surpreendente um terceiro posto como colocação final e assim garantiu o primeiro pódio na carreira durante o ano de estreia.

No final das contas o companheiro de Stroll, Felipe Massa, teve problemas com um dos amortecedores do carro e precisou abandonar a disputa, e ajudado também pela estratégia o canadense se viu em um ótimo e surpreendente segundo lugar. Ele segurou bem a posição para não ceder à pressão dos rivais bem mais experientes. Pena mesmo para ele e a equipe que na última volta não notou a chegada super veloz e oportunista da Mercedes de Valtteri Bottas que aproveitou a longa reta quando pegou o vácuo e tirou de uma vez para a ultrapassagem na linha de chegada. Stroll acabou mesmo em terceiro mas o lugar no pódio seria o grande momento no ano de estreia e resultado para se comemorar muito. Lance se tornou o segundo mais jovem competidor a chegar no pódio, não superando apenas a vitória igualmente incrível de Max Verstappen durante a estreia pela Red Bull na Espanha em 2016. Durante o resto do ano passado o piloto da Williams ainda pontuou em mais quatro oportunidades e fechou a temporada em décimo segundo com 40 pontos. Ficou bem próximo de Felipe Massa e apesar de alguns erros e afobações (que são naturais para um piloto tão jovem) ele mostrou aparentemente que veio para ficar e após esse primeiro ano na Fórmula 1 eu acredito nisso. Não creio, a princípio, que seja um nome para figurar na disputa de um título, por exemplo. A não ser que se desenvolva bastante e por acaso ganhe a chance em uma equipe extremamente de ponta e aconteçam circunstâncias especiais que então coloquem ele na posição de liderar o time e buscar aí sim esse caneco.

Em Mônaco um dos momentos complicados da temporada quando nos treinos passou reto e bateu no guard-rail comprometendo o trabalho do time naquele final de semana. Foi mais um aprendizado.


Para o esperado ano de 2018 em que os fãs aguardam e ao menos esperam por mais uma competição “roda a roda” entre Mercedes e Ferrari, se o carro da Williams que será o primeiro efetivamente sob o “olhar” do diretor técnico Paddy Lowe, que veio da Mercedes, render e se mostrar mais confiável, acho que Lance Stroll poderá sim figurar regularmente entre os pontuadores e quem sabe ocupar também algum lugar no pódio novamente. Acho isso bem possível apesar do momento na Williams em que a equipe privilegiou mais uma vez o dinheiro e trouxe o russo Sergey Sirotkin para a vaga do retirado Felipe Massa. A expectativa era que o carismático polonês Robert Kubica pudesse assumir o carro, mas um longo processo de observação resultou que o ex-piloto da BMW-Sauber e Renault não ofereceria uma consistência no processo de pilotagem e os tempos dele não impressionaram ao time que tem sede em Grove, na Inglaterra. 

Para quem se "debatia" com o carro na pré-temporada 2017, Stroll evoluiu muito e demonstrou certa regularidade a partir do GP de casa no Canadá.

Ficou como piloto reserva e apesar do tempo oficialmente fora do esporte devido ao acidente pelo rali na Itália em 2011, Kubica poderá representar de certa forma a figura do tutor tanto para Stroll como Sirotkin e passar um bocado da experiência que acumulou no esporte a motor. A Williams e Lance Stroll não tem um conjunto excepcional nem os grandes momentos de glória constante no histórico recente, mas podem fazer um ano até interessante em 2018 e embolar a briga pelas posições intermediárias e trazer, assim, mais emoção para as corridas. Agora se conseguirem constantemente brigar de igual para igual com a regular Force India, por exemplo, já será uma grata surpresa.

Texto a ser publicado também no site do Pop Bola Esporte Clube

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

GP do Canadá traz boas memórias de Gilles Villeneuve

A pista da Ilha de Notre Dame, no Canadá, será palco da sétima etapa da Fórmula 1 2017 no próximo final de semana. O traçado que mistura elementos de circuito de rua e também pista permanente (as tradicionais) sempre traz na memória dos fãs belos momentos de Gilles Villeneuve, herói que nasceu no país e deu verdadeiros shows com o carro da Ferrari naquele local. A percurso em Montreal estreou na categoria no ano de 1978, mas vale lembrar que a F-1 já havia corrido antes em solo canadense tanto em Mosport como também Mont-Tremblant. Porém naquela oportunidade de um local para disputa no qual os pilotos ainda não conheciam, foi exatamente o piloto local Gilles Villeneuve que ganhou a primeira corrida da carreira pilotando o carro da Ferrari. Era apenas o segundo ano do competidor no topo do automobilismo mundial. Mesmo tendo a responsabilidade de substituir Niki Lauda na  Scuderia , ele mostrou todo o potencial logo de cara para a felicidade do  comendador  Enzo ...

F-1 passa a olhar mais para o lado humano buscando se reinventar como esporte

O GP da Espanha reservou muitas emoções, inclusive na briga pela ponta na qual Hamilton e Vettel protagonizaram um duelo marcante e que deve sinalizar o que teremos na sequência do campeonato, mesmo com alternâncias entre alguns resultados. Podemos citar o próprio inglês como destaque, a bela largada de Vettel, o excelente desempenho dos dois carros da Force India, e ainda o talento de Wherlein para levar um fraco carro da Sauber ao oitavo lugar. Além disso a prova ainda teve Fernando Alonso pela primeira vez finalizando um evento da F-1 no ano com a McLaren fora da zona de pontuação, mas ainda comemorando o “feito” obtido na terra natal.  Bastou Kimi Raikkonen abandonar a etapa com uma suspensão destruída que Thomas rapidamente demonstrou a tristeza de ver o ídolo fora da disputa. A reação espontânea de um fã mais que especial. Foto: Reprodução de TV. Porém os holofotes, ou boa parte deles, foram direcionados para o jovem francês Thomas Danel, de apenas 6 anos! O efusivo...

Uma Indy 500 com menos adrenalina em 2018

O australiano Will Power venceu a edição 102 das 500 milhas de Indianapolis no último domingo, porém as poucas disputas ao longo da prova desagradaram a maioria dos fãs e aficionados da Fórmula Indy. Mesmo especialistas e profissionais que trabalham cobrindo o certame também expressaram a surpresa de assistir uma das corridas que menos chamaram a atenção nos últimos anos em Indiana. O renovado kit aerodinâmico rapidamente se tornou a aprovação estética total por parte de todos, mas a falta de competitividade nas provas, tanto na Indy 500 como por exemplo em Phoenix há alguns meses evidencia que mais mudanças são necessárias. O americano Ed Carpenter correndo com a equipe própria alcançou mais uma impressionante pole position no mítico oval e foi um dos ponteiros durante a maior parte da corrida, mas lamentou que não tenha arriscado tanto para brigar pela ponta da maior etapa do automobilismo mundial. Terminou na segunda colocação, um resultado e tanto para ser aplaudido. Os carro...