O jovem canadense Lance Stroll,
de apenas 19 anos, teve a temporada debutante na Fórmula 1 em 2017 quando
muitos torcedores e especialistas criticavam a precocidade da chegada do piloto
na categoria. O competidor já tinha fama de veloz e audacioso além da “bagagem”
de campeão da Fórmula 3 Européia e da Fórmula 4 Italiana por exemplo. A chegada
de Stroll se deu muito em razão do pai, Lawrence, ter deixado um grande aporte
financeiro na lendária equipe Williams, o que abriu todos os caminhos para o
filho novato. Essa infelizmente vem sendo quase sempre a única forma e o melhor
dos “pacotes” para um começo (famoso “empurrãozinho”) na entrada para o
esportista dentro da F-1 durante os últimos tempos. Sempre aconteceu, claro,
mas se tornou praticamente a única forma de entrada na categoria.
Ao ser anunciado pela Williams para a temporada 2017, Lance posava sorridente para o fotógrafo na sede da equipe em Grove, na Inglaterra.
Durante a pré-temporada o jovem
piloto sofreu bastante para se adaptar ao novo carro quando teve que lidar com
sucessivas rodadas e até acidentes. Isso aconteceu apesar do acúmulo de
quilometragem em testes e que foram permitidos já que eram carros de anos
anteriores como o Williams de 2014, por exemplo. Porém com as mudanças recentes
de regulamento na categoria a diferença era grande (até brutal) no entendimento
para o funcionamento do bólido e a pilotagem nos circuitos. Stroll superou tudo
isso e partiu para uma rápida evolução ao longo da temporada mesmo em meio a
uma chuva de críticas pela qual as pessoas costumavam lembrar da condição de
piloto pagante para conseguir aquele cockpit e que até mesmo ele não deveria
estar ali devido à pouca idade. Na Austrália mesmo largando no final do pelotão
ele conseguiu um excepcional início de prova ultrapassando vários competidores
ainda na primeira volta. Mais tarde e quase no final da corrida ele encostaria
o carro nos boxes em uma condição que jornalistas até especularam que estaria
cansado e sem condições de continuar até o final devido ao grande esforço
físico com os novos carros. Não houve confirmação disso, claro, mas fato é que
a estreia já estava registrada.
A tensão e cobrança do circo da F-1 em cima de Lance Stroll apareceu logo na pré-temporada e continuou implacável ao longo das primeiras etapas em 2017.
Ao longo das corridas seguintes o
canadense foi evoluindo de desempenho e se mantendo até o final das etapas
(bandeirada) para buscar de fato a famosa zona de pontuação. A primeira delas
veio com uma motivação a mais durante o evento na terra natal em Montreal, no
Canadá. Foram os dois primeiros pontos da carreira com um nono lugar e a
torcida ajudou com muita empolgação e felicidade para que ele buscasse com mais
afinco terminar a corrida de uma forma bem mais digna de nota. Com um carro que
de longe não era excepcional apesar da chegada de Paddy Lowe no time e também os
momentos de Felipe Massa que apesar da experiência vinha passando em algumas
situações por corridas complicadas ao longo da temporada, Stroll se manteve
sereno para aproveitar a oportunidade que aparecesse. E de fato ela chegou! A
disputa seguinte seria no desafiante e veloz circuito de rua em Baku, no
Azerbaijão, e essa foi daquelas provas malucas na qual todos que acompanham o
esporte a motor costumam lembrar: batidas, confusões, bandeiras amarelas e
vermelhas sendo agitadas, longas paralisações, brigas por posições ao longo de
toda a corrida e até o famoso “encontrão” entre Vettel e Hamilton durante uma
das entradas do Safety Car na pista.
Em Baku, no Azerbaijão, o jovem canadense conseguiu de forma surpreendente um terceiro posto como colocação final e assim garantiu o primeiro pódio na carreira durante o ano de estreia.
No final das contas o companheiro
de Stroll, Felipe Massa, teve problemas com um dos amortecedores do carro e
precisou abandonar a disputa, e ajudado também pela estratégia o canadense se
viu em um ótimo e surpreendente segundo lugar. Ele segurou bem a posição para
não ceder à pressão dos rivais bem mais experientes. Pena mesmo para ele e a
equipe que na última volta não notou a chegada super veloz e oportunista da
Mercedes de Valtteri Bottas que aproveitou a longa reta quando pegou o vácuo e
tirou de uma vez para a ultrapassagem na linha de chegada. Stroll acabou mesmo
em terceiro mas o lugar no pódio seria o grande momento no ano de estreia e resultado
para se comemorar muito. Lance se tornou o segundo mais jovem competidor a
chegar no pódio, não superando apenas a vitória igualmente incrível de Max
Verstappen durante a estreia pela Red Bull na Espanha em 2016. Durante o resto
do ano passado o piloto da Williams ainda pontuou em mais quatro oportunidades
e fechou a temporada em décimo segundo com 40 pontos. Ficou bem próximo de
Felipe Massa e apesar de alguns erros e afobações (que são naturais para um
piloto tão jovem) ele mostrou aparentemente que veio para ficar e após esse
primeiro ano na Fórmula 1 eu acredito nisso. Não creio, a princípio, que seja
um nome para figurar na disputa de um título, por exemplo. A não ser que se
desenvolva bastante e por acaso ganhe a chance em uma equipe extremamente de
ponta e aconteçam circunstâncias especiais que então coloquem ele na posição de
liderar o time e buscar aí sim esse caneco.
Em Mônaco um dos momentos complicados da temporada quando nos treinos passou reto e bateu no guard-rail comprometendo o trabalho do time naquele final de semana. Foi mais um aprendizado.
Para o esperado ano de 2018 em
que os fãs aguardam e ao menos esperam por mais uma competição “roda a roda”
entre Mercedes e Ferrari, se o carro da Williams que será o primeiro
efetivamente sob o “olhar” do diretor técnico Paddy Lowe, que veio da Mercedes,
render e se mostrar mais confiável, acho que Lance Stroll poderá sim figurar
regularmente entre os pontuadores e quem sabe ocupar também algum lugar no
pódio novamente. Acho isso bem possível apesar do momento na Williams em que a
equipe privilegiou mais uma vez o dinheiro e trouxe o russo Sergey Sirotkin
para a vaga do retirado Felipe Massa. A expectativa era que o carismático
polonês Robert Kubica pudesse assumir o carro, mas um longo processo de
observação resultou que o ex-piloto da BMW-Sauber e Renault não ofereceria uma
consistência no processo de pilotagem e os tempos dele não impressionaram ao
time que tem sede em Grove, na Inglaterra.
Para quem se "debatia" com o carro na pré-temporada 2017, Stroll evoluiu muito e demonstrou certa regularidade a partir do GP de casa no Canadá.
Ficou como piloto reserva e apesar
do tempo oficialmente fora do esporte devido ao acidente pelo rali na Itália em
2011, Kubica poderá representar de certa forma a figura do tutor tanto para
Stroll como Sirotkin e passar um bocado da experiência que acumulou no esporte
a motor. A Williams e Lance Stroll não tem um conjunto excepcional nem os
grandes momentos de glória constante no histórico recente, mas podem fazer um
ano até interessante em 2018 e embolar a briga pelas posições intermediárias e
trazer, assim, mais emoção para as corridas. Agora se conseguirem constantemente
brigar de igual para igual com a regular Force India, por exemplo, já será uma
grata surpresa.
Texto a ser publicado também no site do Pop Bola Esporte Clube





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