O espanhol Fernando Alonso conquistou
dois títulos na Fórmula 1 há muito tempo já e com a experiência e idade de um
veterano (completa 37 anos em julho) segue na categoria mesmo sem ter
disputado as últimas temporadas com um carro competitivo. A bordo da então
McLaren-Honda o casamento entre equipe e montadora não foi o imaginado e o
competidor muitas vezes acabou mais abandonando do que alcançando a zona de
pontuação infelizmente.
E aí fica a questão: Com tudo o
que falam de Alonso, a mídia e os torcedores sempre consideram ele o mais
talentoso da atual geração. E isso já vem desde a época em que disputou e
venceu títulos em cima de nada mais nada menos que Michael Schumacher em 2005 e
2006. Seria Fernando tão bom assim conforme falam ou os problemas dos últimos
anos é que de fato não refletem a realidade e o talento de um esportista com
múltiplas qualidades dentro do esporte que disputa?
A temporada 2017 foi mais uma
daquelas para o piloto da McLaren esquecer: foi apenas o décimo quinto colocado
com dezessete pontos. O time britânico “andou para trás” e não ofereceu um
carro competitivo. Longe disso! O bólido sofria de todos os tipos de problema
tanto com ele como também o companheiro de equipe, o belga Stoffel Vandoorne. E
aí Alonso deu extensão, ou seja, prosseguiu com o novo comportamento
aparentemente relaxado e nem aí com a situação. Há um bom tempo ele coloca “no
bolso” um dos maiores salários da F-1 atual e também ao redor do mundo: 61
milhões de reais segundo reportava a VEJA no início do ano passado. E aí passou
a gerar memes de uma forma impressionante e até capitalizar com as situações.
Talvez tenha sido um dos melhores cases de sucesso nos últimos tempos, mesmo
que não tenha obtido na maioria dos casos grandes resultados na pista.
Enfim, o Alonso não desaprendeu a
guiar e segundo ele mesmo disse uma vez: cresceu bastante durante os últimos
anos e se tornou um piloto melhor. Por mais que ele seja super competitivo e só
queira a vitória, eu acredito nas palavras dele. Passou por diversas equipes
(Minardi, Renault, Ferrari e McLaren), regulamentos diferentes e situações que
na dificuldade tornaram o espanhol melhor como pessoa e como profissional.
Carregando a “carroça” da McLaren para a zona de pontuação em diversas
oportunidades foi sim um sinal de vitória e a forma como ele consegue unir os
integrantes de uma equipe ao redor dele talvez só não seja superior a como fez
Michael Schumacher durante os anos que também passou na Ferrari. Os títulos
perdidos por Fernando, acredito, foram mais por “fatalidade”, ou seja, um
conjunto de coisas que culminaram para que ele não alcançasse mais feitos
absolutos na carreira. Inclusive em 2010 quando não conseguiu ultrapassar
Vitaly Petrov na derradeira prova em Abu Dhabi. Não era para ser. Foram três
vice-campeonatos pela Ferrari. Bateu na trave mas justificou sempre o espírito
de lutador e até as imagens de samurai que ele utilizou em páginas pessoais nas
redes sociais pela internet.
A idade vem chegando, o reflexo
já não é mais o mesmo, porém Alonso tem se mostrado um piloto ainda mais
completo pelo comportamento e vontade de guiar como se fosse um principiante.
Um “true racer” diriam os americanos. E isso foi reforçado com a participação
mítica nas 500 milhas de Indianápolis do ano passado pela Fórmula Indy. Em
pleno andamento do campeonato mundial de Fórmula 1, ele conseguiu um acordo com
os dirigentes da McLaren para guiar em uma “liga” rival e se divertir bastante.
Para o time britânico não restava muita alternativa senão aceitar. E se provou
um excelente momento de marketing, mas é claro, o principal objetivo não estava
focado nisso. A ideia era vencer mesmo a prova. Alonso fez treinos incríveis
desde o início e se adaptou bem rápido. Na prova largou em quinto e vinha entre
os ponteiros quando no final infelizmente o motor Honda (é, também na Fórmula
Indy) acabou quebrando e ele teve que abandonar. Mesmo fora da prova digamos
que pode ser considerado até o vencedor moral daquele evento. Disparado foi
quem mais apareceu e evoluiu durante o mês de maio em Indiana.
E agora para 2018 conseguiu mais
um acordo buscando a glória e a fama de tentar conquistar a famosa tríplice coroa
na história do automobilismo. Se já venceu Mônaco pela F-1 na carreira, agora
ele busca adicionar para a seleta galeria de troféus também itens de primeiro
colocado na Indy 500 e Le Mans. Para isso está inscrito com a equipe United
Autosports e vem fazendo toda a parte preparatória para as igualmente famosas
24 horas de Daytona neste mês de janeiro em 2018. A tendência é que vá muito
bem e vamos torcer que nenhum problema técnico afete o espanhol desta vez na
disputa. Para este ano ficou complicado, mas ele disse que deve retornar a
Indianapolis em 2019. A nova busca por rumos diferentes na carreira e
experimentando bólidos completamente especiais é a marca de Alonso como um
piloto super completo: ele aceita os riscos inerentes das corridas e se
apresenta como um apaixonado por guiar cada vez mais depressa seja com o carro
que for.
Acredito sim que é o mais completo da atual geração, ainda, e apesar
da idade, respondendo à pergunta-título e destacando a minha opinião. Em todos
os eventos que ele tem participado isso é nítido, e as categorias ganham com
isso, inclusive a Fórmula 1, é claro. Entende o carro como um todo e o comprometimento e atenção aos detalhes sempre são únicos na forma do espanhol de ser. Para esta temporada na máxima disputa do
esporte a motor ele espera inclusive melhor sorte já que a McLaren cedeu aos
anseios e rescindiu com a Honda para adotar os propulsores da Renault e assim
tentar a evolução de resultados tão esperada desde 2015 por ele, pelos ingleses,
e os fãs ansiosos ao redor do mundo. Tomara que entre na briga, afinal será um
show à parte!
Coluna a ser publicada também no site do Pop Bola Esporte Clube.




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