Neste domingo a principal disputa
de automobilismo não aconteceu com a Fórmula 1, mas na realidade pela rival F-Indy.
O local era a cidade de Detroit, nos Estados Unidos. E logo durante a volta de
apresentação do evento em pleno circuito de rua, eis que uma barbeiragem foi
cometida diante de todo um grid de pilotos. O carro de segurança (chamado de
Pace Car nos EUA) pilotado por Mark Hauss, um vice-presidente da montadora GM,
passou por maus bocados enquanto o condutor perdeu o controle, rodou, e bateu
no muro de proteção, destruindo o belo Corvette enquanto milhares de
espectadores acompanhavam a prova no autódromo e assistiam também pela televisão
ao redor do mundo.
Tal incidente na curva 1 provocou
a paralisação da etapa por longos minutos e deixou fãs do esporte a motor
chocados e perplexos no momento em que viam e assistiam novamente toda a infame
cena. Um tanto incomum! No caso de Hauss, apesar de ele ocupar uma importante
posição executiva em uma montadora de renome mundial e amar os carros
(inclusive fazendo testes com os bólidos da marca), ele não é exatamente um
piloto profissional de corridas. Na sequência foi preciso trazer um carro reserva.
Depois também providenciar um nome que é realmente do ramo e conhece bem as
manhas das competições de automobilismo e inclusive o funcionamento do Pace Car,
o espanhol Oriol Serviá.
Podemos observar essa história
recente e relacionar toda ela também com a Fórmula 1, a categoria principal no
automobilismo mundial. Na América tudo é tratado de forma mais relaxada e
voltada para o espetáculo, e nesse caso o cidadão que foi liberado para usar o
carro neste domingo não tinha o preparo necessário para estar ali. Já na
Europa, a coisa vem sendo bem diferente há muito tempo. O alemão Bernd
Maylander (que passou de forma competente pelo Campeonato Alemão de Turismo) é
utilizado como referência nesta importante vaga já por muitos anos. A primeira
vez que o carro de segurança foi usado na Fórmula 1 aconteceu no GP do Canadá
de 1973, uma etapa que gerou controvérsias quanto ao vencedor (Peter Revson)
justamente devido a essa novidade na época, uma confusão total já que ninguém
estava acostumado.
Se o uso de forma mais contínua e
com uma empresa específica como a Mercedes-Benz começou a partir de 1999, nem
essa profissionalização do artifício a ser usado nas pistas acabou por eliminar
qualquer problema mesmo com os próprios carros de segurança. Em 1995, o mito japonês
Taki Inoue teve uma quebra no carro Footwoork-Arrows durante os treinos em
Mônaco e precisou ser rebocado aos boxes. Enquanto percorriam a volta pelo
principado, nada mais nada menos que o próprio Safety Car fazia uma volta no
traçado e acabou batendo no pobre nipônico durante o trecho nos “esses da
piscina”. O resultado dessa bela pancada é que o bólido do competidor nascido
na terra do sol nascente saiu capotando e acabou ficando de rodas para o ar. Apesar
do susto nada de mais grave aconteceu ao irreverente piloto.
Ainda em 1995 e com o mesmo Taki
Inoue outro episódio curioso foi registrado na pista da Hungria. Desta vez com
um carro de serviço, um veículo de apoio que também pode ser considerado
primordial na ajuda e segurança durante as provas de Fórmula 1. Mais uma vez o
japonês precisou encostar na lateral do traçado. E ao tentar apagar um
incêndio, ele pegou o extintor de um fiscal de pista e tentou resolver ali
mesmo a história. Enquanto Inoue estava desesperado e andando de um lado para o
outro, chegou em alta velocidade o famoso carro de apoio que acabou atropelando
Taki e derrubando o piloto no chão! Trapalhada total! Em mais uma oportunidade o
japa passava por um tremendo problema e acreditem não ficou com sequelas ou
ferimentos preocupantes. Incrível! Sem o sucesso na categoria e com problemas
para conseguir vagas em outras equipes ele acabou se aposentando da profissão e
virou um orientador de jovens competidores no Japão, a terra natal.
Em 2000 o brasileiro Alex Dias
Ribeiro (que correu na categoria durante a década de 1970) era o condutor
oficial do carro médico, e nem com toda a experiência isso evitou que ele
perdesse a direção na famosa curva da tabacaria em Mônaco e batesse sozinho no
guard-rail de proteção. Apesar do carro ficar um tanto avariado na parte
dianteira, ele ainda sim seguiu pelo traçado ostentando todas as marcas da
pancada no capô do bólido e foi para um ponto que pudesse estacionar o veículo.
Ao público presente em Monte Carlo restou o comportamento de vibrar com o lance
mais que inesperado!
E por último lembramos de um
episódio que envolveu mais uma vez Alex Dias Ribeiro e o carro médico, mas nesta
oportunidade ele não teve culpa alguma. Durante os treinos do GP Brasil em 2002,
o brasileiro Enrique Bernoldi, da Arrows, bateu forte na curva S do Senna e a
prática na pista foi paralisada. Não bastasse tudo o que aconteceu ainda havia
muito mais para marcar aquele momento. O alemão Nick Heidfeld, da Sauber, vinha
muito forte e diante do carro batido e estacionado de Bernoldi na área de
escape acabou também perdendo o controle naquele ponto. Só que o carro médico
já estava parado ali (conforme o protocolo de segurança, lembrando que o treino
já estava interrompido). E aí Heidfeld bateu na porta aberta do carro médico.
Sorte que nem Ribeiro nem o Professor Sid Watkins tinham saído ainda do
veículo. Um susto daqueles e que poderia ter terminado com consequências bem
mais sérias.
Apesar de todos esses incidentes
ao longo do tempo sempre é bom lembrar o quanto eles foram fundamentais para o
aumento da tecnologia e consequentemente da segurança dentro das provas de
Fórmula 1. Inclusive em anos recentes foi implementado também o Safety Car
virtual com intuito de reduzir a velocidade dos pilotos enquanto um acidente
tiver acontecido de forma recente na disputa. Infelizmente tal medida só veio a
ser criada após a morte do francês Jules Bianchi no Japão em 2014. Um grande
abraço, galera, e excelente semana a todos!
Texto a ser publicado também na página do Pop Bola Esporte Clube.



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