Na Fórmula 1 a equipe Ferrari
segue em busca de conquistar um campeonato mundial de pilotos que não acontece
há mais de dez anos, afinal o último título registrado foi pelas mãos de Kimi
Raikkonen no ano de 2007. Naquela oportunidade a temporada reservou muitas
emoções e a lógica apontou que os pilotos da McLaren seriam os favoritos. Mas
tanto Fernando Alonso como o estreante Lewis Hamilton se envolveram em
confusões e polêmicas que acabaram por ajudar o “Homem de Gelo” na tabela de
pontos da categoria.
Após se passar tanto tempo,
Raikkonen ainda é piloto da Scuderia após a volta dele em 2014 e justamente a
vaga desse cockpit vem sendo especulada para diversos pilotos ao longo dos últimos
anos. Vale lembrar que Kimi melhorou muito desde quando dividiu os boxes com
Fernando Alonso há quatro anos. A readaptação ao time italiano não foi nada
fácil e lidar com o espanhol sempre é um fator a ser considerado como um tanto
complicado no circo da Fórmula 1. Mas o segundo piloto da Ferrari retomou o
caminho da consistência e regularidade para fazer apresentações mais dignas e
fechar corridas em posições no pódio, apesar de não vencer desde a Austrália
2013. Naquela altura ele ainda pilotava para a Lotus-Renault, vejam só.
Mesmo sendo essencial para os
pontos conquistados no campeonato de construtores, a Ferrari evidentemente já
estuda o assunto para substituir Raikkonen em um futuro próximo. E nesse
contexto, diversos nomes já foram especulados ao longo dos últimos tempos:
desde o quase improvável retorno de Fernando Alonso até jovens pilotos como o
monegasco Charles LeClerc, da Sauber Alfa Romeo. O competidor do momento a ser
relacionado nas notícias para assumir esse carro de Kimi é justamente o
australiano Daniel Ricciardo. O esportista da Red Bull é a bola da vez neste
ano, afinal já tem experiência na Fórmula 1 e vem demonstrando tanto a
maturidade como inclusive uma velocidade ambas de forma impressionante, mesmo
que tenha se envolvido na polêmica com Verstappen em Baku.
Ricciardo começou na pequena HRT
durante a temporada de 2011 e mostrou uma evolução interessante para se firmar
entre os principais nomes da categoria. Poderíamos até colocar ele apenas atrás
dos atuais campeões que seguem nas pistas do certame. Os resultados têm
demonstrado isso tanto em números como também pelos dados e estatísticas ao
longo dos últimos tempos. Daniel conquistou a sétima vitória da carreira em
Monte Carlo no domingo e atuou de forma completamente irrepreensível. Não
cometeu erros e ainda administrou uma perda de potência no carro a partir da
segunda metade de corrida. Dominou todos os treinos durante o final de semana
de competição no principado. O que a imprensa mundial especula já há alguns
meses é que a estrela da F-1 já possui um pré-contrato firmado com a Ferrari
para não conversar com mais nenhuma equipe até o período de definição dos
acordos e que deve acontecer durante as férias de verão em agosto.
Daniel tem todos os requisitos
para ocupar a atual vaga de Raikkonen, e o finlandês desta forma muito
provavelmente se aposentaria da categoria principalmente pela idade que já tem,
38 anos (completa 39 em outubro). Ricciardo é veloz, seguro, consistente,
confiante e dedicado. Além disso é uma excelente ferramenta de marketing para
qualquer time. É um dos mais carismáticos do grid e sempre chama a atenção pelo
comportamento irreverente e com pensamento positivo ao longo do paddock
enquanto passa. É realmente difícil ver ele com uma expressão fechada no rosto,
mas isso, claro, não é impossível. Exatamente em Mônaco, há dois anos, a Red
Bull errava na estratégia e, assim, tirava uma vitória certa do piloto que
ainda conseguiu chegar no pódio, mas com cara de poucos amigos.
A comemoração com o já famoso
“shoey” não é uma novidade na Fórmula 1, mas ainda sim segue surpreendendo. Em
Mônaco a família real ficou impressionada mas teve o príncipe Albert se
divertindo com o momento, fato que não aconteceu tanto assim para a princesa
Charlene. No âmbito de companheiros de equipe dentro da F-1 quem não deve
gostar da ideia de ter Daniel Ricciardo novamente dividindo os boxes de um
mesmo time é o alemão Sebastian Vettel. Vale lembrar que mesmo após ter
conquistado quatro títulos consecutivos, o atual líder da Ferrari sofreu com o
australiano que deu um banho de competência durante todo o ano de 2014 na Red
Bull. Interessante lembrar que era uma temporada de novo regulamento técnico e
Vettel não se adaptou tão bem assim naquela altura.
Se a Ferrari confirmar Ricciardo
até o final do ano teremos uma das duplas mais interessantes e até explosivas
da categoria, afinal Vettel poderia ter um companheiro de time mais de acordo
para lutas na frente do pelotão. E seria até mesmo uma volta a outros tempos da
Ferrari, quando o próprio Raikkonen tinha Felipe Massa ao lado dele na Scuderia
e as condições dos dois pilotos eram de forma mais igualitária. Sobre LeClerc
talvez ser o escolhido podemos imaginar que ainda não é a hora, afinal após a
temporada 2018 ele terá apenas um ano como piloto oficial e seguir logo para o
time italiano pode até mesmo começar um processo de “fritura” ainda cedo na
carreira do jovem competidor.
E ainda sobre Fernando Alonso o
ambiente de Maranello já comportou o espanhol por cinco temporadas e o clima
ferveu por diversas vezes. Ambos os lados em tempos recentes alegam que o
“final do casamento” foi em paz, mas se tivesse sido simples ele poderia até
ter continuado, quem sabe. Alonso sempre afirma não ter se entendido com Marco
Mattiaci, o diretor esportivo que comandou até por um curto período a equipe
durante aquela fase de 2014. Fato é que a dança das cadeiras está mais
emocionante do que nunca e os resultados da atual temporada podem até ajudar a
indicar esses novos rumos das equipes para um breve futuro.
Texto a ser publicado também no site Amigos da Velocidade.




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