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Os últimos playboys da Fórmula 1

Em tempo de folia e carnaval para aqueles que curtem e comemoram a grande festa é sempre momento de lembrar os pilotos que buscavam aproveitar mais a fama e também o dinheiro pela Fórmula 1. Entre os períodos de corrida e compromissos profissionais nomes como James Hunt, David Coulthard e Eddie Irvine se divertiam mais do que a maioria dos competidores normalmente costuma fazer. A lista é grande mas vamos focar nos mais lembrados de sempre.

Curtir a vida e dormir pouco não costumam afetar o desempenho de Lewis nos traçados ao redor do mundo.

O mais famoso deles talvez tenha sido realmente o inglês James Hunt, campeão mundial em 1976 pilotando pela McLaren. O irreverente esportista sempre curtiu a boa vida e colecionou histórias lendárias de bebedeiras e a fama de mulherengo. Se divertia sempre que podia nas festas das etapas e até mesmo corria para uma rapidinha perto da pista (!!!) com alguma admiradora mais fervorosa. Fumava e bebia destacadamente em um período (os anos 1970) que isso era incrivelmente comum se olharmos para o cenário de hoje. Inclusive aproveitava as festas de comemoração para ostentar um cigarro e uma bebida no momento do triunfo e da glória. Fatos impensáveis para atletas de alto rendimento e nomes famosos a serem usados como referência até por crianças no mundo moderno atual. Apesar de tudo, Hunt não era aplicado como o cerebral rival Niki Lauda mas acelerava e muito o pedal da direita e garantiu vitórias no braço. Porém a carreira foi até curta e posteriormente se tornou um comentarista de automobilismo na TV com bastante sucesso. Apesar da boa e um pouco mais sossegada sequência de vida, o período de excessos infelizmente veio a abreviar a existência de uma das maiores personalidades da Fórmula 1. Hunt faleceu com apenas 45 anos após um ataque cardíaco fulminante em 1993.

James Hunt: um piloto de extremos em um esporte que sempre se está no limite. O campeão mundial de 1976 buscava emoções além das mais convencionais.

O também inglês David Coulthard sempre foi um “bom vivant”. Apreciador de vinho e estreando com extrema pressão ao inclusive substituir Ayrton Senna após o acidente de Ímola em 1994, ele não se deixou abater pela posição de início de carreira e era um piloto regular, porém longe de ser um fora de série. Entre esses momentos se fazia presente nas mais altas festas do circo da categoria, constantemente muito elegante e acompanhando de belas mulheres. Apesar de tipicamente inglês tinha a característica de ser carismático, muito falante e realmente popular. Mesmo nos anos 1990, quando os pilotos já tinham uma preparação física excepcional e focavam muito mais na pista ou então em sossegar na vida com um estilo de vida estável e uma família ao lado, a trajetória de David passou longe disso. Só mais para o final da carreira quando corria pela Red Bull e inclusive alcançou um pódio folclórico em 2006 na pista de Mônaco é que ele namorou mais pensando no futuro com uma comentarista belga da categoria e o casal teve um filho há dez anos. David acumulou experiências em diversos ramos de empreendimentos além de se tornar regular comentarista também das transmissões na categoria.

O lorde inglês David Coulthard sempre chamou a atenção do paddock e se tornou uma atração à parte em banquetes como também nas grandes festas e comemorações.

Um dos mais marcantes nomes que já passaram pela Ferrari foi de outro piloto saído das terras da rainha, mas este especificamente irlandês: Eddie Irvine. Ele estreou pela Jordan em 1993 e naquela altura ficou famoso por tomar um gancho de duas corridas após atrapalhar o brasileiro Ayrton Senna. Durante a disputa debutante do jovem e impetuoso piloto de quebra ainda viu a ira do tricampeão mundial e tomou um soco do piloto da McLaren em plenos boxes do circuito de Suzuka, no Japão. Sempre foi um exímio viajante e inclusive no ano de melhor chance na Fórmula 1 em 1999, passou pelas pirâmides do Egito para conferir uma cultura completamente diferente da qual estava normalmente acostumado. Sua característica destacada é a de ser extremamente polêmico e já naquela época tinha na ponta da língua as opiniões mais ácidas do esporte. Podia tranquilamente competir apenas neste quesito com o canadense Jacques Villeneuve, por exemplo. 

A paciência que Ayrton Senna NÃO teve com ele em Suzuka 1993 o irlandês também costuma não demonstrar nas polêmicas declarações sobre o circo da categoria.

Mas o filho de Gilles, campeão mundial, era bem mais tranquilo na vida pessoal. Irvine não tinha muito pudor também em mostrar o quanto curtia a badalação e caminhos que ser conhecido na categoria sempre trouxeram. Disputou o título na única oportunidade que realmente teve pela ausência de Schumacher devido a um acidente, justamente no final dos anos 1990, mas sofreu com erros na pista e trapalhadas da equipe. A sorte também não ajudou e o finlandês Hakkinen se tornou bicampeão mundial. Sempre foi “boca suja” e criticou regulamentos e novidades da F-1, inclusive a nova regulamentação de motores em 2014. Foi escudeiro de Schumacher durante os tempos de Ferrari e ganhou nova vida após chance na Jaguar em 2000. Conseguiu resultados dignos em uma equipe difícil, porém terminou a carreira discretamente e foi curtir a vida com o dinheiro acumulado, algo que sempre sonhou para fugir dos holofotes e passear de jatinho mundo afora.

Nos tempos atuais quem mais atende por esse nome mesmo em um período de maior pressão e melhor necessidade do preparo físico é o irreverente finlandês Kimi Raikkonen. Sempre foi de muita velocidade, foco na pilotagem e poucas palavras. Aparentemente discreto, não dispensa um bom gole de champanhe e as bebidas naturalmente utilizadas e conhecidas no país de origem dele. Porém momentos como comer um sorvete durante uma interrupção de corrida, sair da Fórmula 1 e se aventurar no rali e na NASCAR pelo cenário americano, e as famosas declarações via rádio para as equipes que passou se tornaram memes e momentos sempre lembrados pelos fãs e adeptos da categoria. Ferrari e Lotus (atual Renault) podem dizer muito bem isso! Casou por duas vezes e teve um filho com a atual esposa. Folclórica também foi a participação em uma prova de ski na neve pela qual usou o codinome “James Hunt”.

Um rápido cochilo sobre as leis das probabilidades durante uma etapa da categoria.

E o tetracampeão mundial e atual detentor do caneco, Lewis Hamilton, é outro inglês que não dispensa uma boa curtição. Amigo de Neymar e Justin Bieber, por exemplo, sempre está em grandes eventos além de volta e meia aparecer para se divertir nos Estados Unidos. Não é novidade que mais para a frente na vida ele pretenda fixar moradia por lá. Aproveita baladas e muitas vezes dorme pouco, o que é raríssimo para as exigências do esporte atual. Namorou entre idas e vindas a famosa cantora Nicole Scherzinger, do grupo Pussycat Dolls. O definitivo término de relacionamento afetou o piloto que passou por um período de baixa e perda da confiança na pilotagem. O psicológico estava comprometido. Porém ao se reerguer, se juntou à Mercedes na trupe dos chefes Toto Wolff e Niki Lauda. 

Esse camarote tem muita estrela. Será?

Mais focado e forte mentalmente inclusive se mostrou mais frio nas pistas e melhorou ainda mais na preparação física, um dos trunfos quando reapareceu após a implementação do novo regulamento em 2017 com carros mais difíceis de guiada. Apareceu e foi ligado pela mídia com outras cantoras. Nomes como Rihanna e até a brasileira Anitta. Apesar de diversas críticas, o estilo de vida de Lewis não passa nem perto de James Hunt, com certeza, mas ainda sim é quase único na categoria. Apesar disso as noitadas não tem influenciado nem um pouco a qualidade da tocada do carro na pista, tanto que Hamilton continua a acumular conquistas e reescrever os livros da história na Fórmula 1.

Texto a ser publicado também no site do Pop Bola Esporte Clube.

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