A Fórmula 1 sempre ficou
caracterizada pelo glamour e status ao disputar corridas em todo o mundo
durante a história da categoria. E dentro do conceito de tudo o que ali
existe e existiu, diversas tradições perduraram por bastante tempo. Uma delas
foi justamente as Grid Girls, as garotas que ficam no grid de largada segurando
as placas de identificação dos pilotos ou permaneciam no caminho do pódio, por
exemplo, para aplaudir os competidores que se classificaram entre os primeiros
colocados da corrida. Mas isso agora realmente ficou no passado. A direção do
esporte junto dos novos líderes decidiu por encerrar a função alegando um
reposicionamento de acordo com as últimas mudanças da sociedade. E ficou a
grande polêmica: o cenário muda para melhor sem esse tipo de trabalho ou não?
Para os mais tradicionais e
muitos que acompanham o certame de longa data, a medida foi exagerada e deixa
um espaço no qual as mulheres tinham uma oportunidade de trabalho. Era mais um caminho
aberto em um esporte de alta visibilidade ao redor do globo, e foi desta forma
que Adriane Galisteu teve a chance de conhecer Ayrton Senna e depois da morte
do tricampeão dar sequência a mais trabalhos na carreira artística, inclusive. Por
outro lado, a tarefa das Grid Girls ao ficaram expostas no paddock das corridas
representava algo como uma vitrine e conceito antiquado que criava a ideia de
objetificação, conforme vem se consolidando cada vez mais e sendo atualizado
nos últimos tempos. E aí os debates se deram em todo o mundo. Fãs contra e fãs
a favor. Setores da sociedade apoiando a mudança e conforme diversas matérias
mostraram as próprias envolvidas no tipo de trabalho não concordando e alegando
que são, agora, menos possibilidades de trabalho para elas.
O que fica de toda essa história
é que os principais nomes da Liberty Media no comando da F-1 estão (nem que
pouco a pouco) mudando alguns rumos e conceitos do esporte. Procurando alinhar
ao máximo com as mudanças e caminhos atuais do mundo. Mundo este que inclusive
tem mudado cada vez mais depressa e de forma abrupta. E retirar as Grid Girls
vai totalmente ao inverso do que fazia o então poderoso Bernie Ecclestone, que
chefiou a categoria por tantas décadas. A trupe de Carey, Bratches e Brawn
pretende ser democrática e unânime o quanto puderem para agradar e atrair cada
vez mais público. Quanto mais gente ligada e buscando interesse pelas disputas,
melhor. E isso significa agradar esportivamente ao lado feminino também mesmo
que ainda não se tenha uma mulher piloto no circuito da temporada. Bernie
sempre preferiu especificar o produto Fórmula 1 como uma coisa única e de alto
quilate. Igual se fosse uma ideia a ser seguida por raros e poucos.
Até a faixa etária e os
patrocinadores aceitos eram bem marcados, querendo de fato agradar apenas a um
público muito mais sucinto. Abolir as grid girls significa mostrar ao mundo que
as mulheres são muito mais do que esse cargo sempre sugeriu e isso reflete a
verdade das coisas. O fato de Monisha Kaltenborn e Claire Williams terem
alcançado a posição de líderes das equipes as quais foram destacadas mostra o
poder que elas conquistaram e vem confirmando cada vez mais em um mundo que
busca reduzir os espaços e tenta priorizar o ser humano como um todo. Mesmo que
uma Grid Girl pudesse sair desse cargo e conquistar tudo o que ela quiser, não
cabe para a Fórmula 1 olhar apenas o antigo olhar da maioria dos homens que era
tudo normal. O caminho ainda é longo e as evoluções ainda continuam graduais e
necessárias, mas o conceito é acompanhar as últimas novidades e tentar se
adequar a todas elas. Como esporte e como estilo de vida para ser acompanhado e
seguido, a Fórmula 1 representa diversas imagens. Começando a mudar isso eles
se colocam em uma nova era. Quem sabe poderemos ter mulheres comissárias gerais
de prova, ex-pilotos do lado feminino fazendo entrevistas no pódio também e
quem sabe um dia finalmente chegue a piloto para chamar atenção durante as
provas com o grande desempenho e disputas lado a lado? O mundo abre grandes e
melhores oportunidades nesses aspectos.
Uma tradição ficou para trás, é
verdade, mas ela não afeta no campo esportivo dos traçados e desafios das
corridas. Não modifica o regulamento técnico. É verdade que as Grid Girls
estavam ali contratadas, um trabalho concordado, nada forçado. Já havia sido
testado durante uma etapa há alguns anos a ideia dos Grid Boys e que inclusive
também chamou a atenção do noticiário. Mas a forma de organizar as provas mudou
bastante ao longo das décadas e evidentemente continuará a ser moldada ao longo
dos próximos anos e disputas. O “way of life” de um James Hunt, por exemplo,
dificilmente sobreviveria na atual era, mesmo que tenhamos um Kimi Raikkonen
que já é completamente fora dos padrões. E é isso que os cenários das
diferentes épocas apresentam: caminhos novos e momentos da vida eternizados em
cada período da humanidade. Hunt nasceu e correu se adaptando naquela era mais
de acordo com ele.
Assim como Fangio esteve no momento certo e na hora certa
para se tornar um monstro sagrado do esporte durante a década de 1950. A vida
se modifica e se adapta, então a Fórmula 1 quer se revolucionar na mesma
velocidade em que os carros disputam as provas. O momento é outro e se busca um
pensamento diferente para fixar e estabelecer o esporte em um caminho mais
generalizado e favorável. Essa solução abre o caminho e as mentes daqueles
envolvidos a cada final de semana de grande prêmio: ouvir todos os lados
querendo abranger mais e mais.
Texto a ser publicado também no site do Pop Bola Esporte Clube.




Comentários
Postar um comentário