Pensando no futuro, a Fórmula 1 deseja ter motores de funcionamento mais atraente para pilotos e público
O complexo sistema para a unidade de potência francesa da Renault em 2017. Foto: motorsport.com.
Já não é de hoje que as várias
mudanças sucessivas de regulamento ao longo das décadas tomam conta da Fórmula
1, e para 2017 aconteceu a maior de todos os tempos. Se no aspecto chassi o
carro se tornou completamente diferente, nos motores a mudança foi menos
circunstancial, porém os times agora podem mexer e acertar melhor as unidades
de potência em relação à temporadas passadas. Mas ainda sim os V6 estabelecidos
a partir de 2014 não agradam a gregos e troianos.
Se a Federação Internacional de
Automobilismo não pretende retornar para configurações antigas como os V8
aspirados (2006-2014) ou ainda os mais potentes V10 que fizeram a diferença no
mesmo esquema principalmente entre os anos 90 e 2000, ao menos tenta-se sentar
à mesa com as fabricantes e montadoras para que se chegue a um consenso de como
melhorar e baratear o que se utiliza atualmente. O barulho já foi melhorado ao
longo dos últimos três anos, mas ainda há muito trabalho a ser feito para
tentar se chegar perto da sinfonia estabelecida pelos tipos de propulsores
anteriores, mesmo eles não sendo turbocomprimidos. E se aproximar de um V12 da
Matra por exemplo só em efeitos especiais ou as famosas montagens de internet
do YouTube pelo visto. E com a ideia de tornar esses motores também mais
baratos, porém com uma melhor reação no carro, tornando-os mais ariscos e ainda
mais difíceis do que os de 2017, os dirigentes da categoria visam deixar a
facilidade na condução dos bólidos, tanto citada por público e torcedores como um
item de passado a não ser lembrado.
O próprio Max Verstappen destacou
recentemente que se dependesse dele, optaria pela volta dos V10 para dar mais
emoção dentro da disputa e agradar ao público, mas a ideia de motores mais
ecológicos e que possam servir de referência mesmo a carros de rua bem custosos
são uma realidade que deve fazer parte do cotidiano ainda mais para as próximas
gerações. Na reunião que aconteceu no final de março, até nomes como Ilmor,
Alfa Romeo e Audi apareceram e talvez isso possa representar um alento em
relação à participação de mais empresas na categoria, o que diversificaria mais
o produto Fórmula 1 para o mercado. Então se não é possível ou não se entendem
em acordo para motores mais plasticamente funcionais aos competidores e
público, talvez melhorar ao máximo e de alguma forma reduzir os custos deixe o
esporte respirando melhor pela participação de mais equipes e pilotos em tempos
de crise generalizada e que é claro atingiu duramente o segmento do esporte.
O aspecto da unidade de potência
que recupera energia, sendo mais funcional e causando menos danos para o
ambiente é mais que louvável, mas evidentemente distancia-se muito do charme e as origens das corridas, a verdadeira essência que mesmo sendo lembrada
parcialmente, fica difícil trazer a base do esporte construída anteriormente aos dias atuais ou
mesmo um sistema de kits conforme categorias americanas como a Indy utilizam.
Acredito que o necessário mesmo é ser um aspecto que mantenha a categoria no
alto patamar, mas ao menos um pouco mais reduzido desses custos absurdos de
motores, que mesmo sendo utilizados por várias provas nos últimos anos, ainda
sim pelo desenvolvimento e pesquisa inclusive acabam gerando gastos
estratosféricos, não sendo páreo para times medianos e ainda mais pequenos e que
assim acabam ficando pelo caminho principalmente tendo esse tema como um dos
motivos.
Portanto que Jean Todt e cia. consigam
efetivamente acordos e chegar a um consenso interessante e atraente para um
campeonato que mesmo com as já citadas tantas mudanças técnicas, ainda sim não
é retrato ou rascunho de décadas passadas, desagradando cada vez mais o nicho
do automobilismo e mais importante ainda aos fãs. Para a categoria máxima do
esporte a motor isso é inaceitável principalmente acontecendo há tanto tempo. E tudo isso mesmo que aconteçam outras circunstâncias importantes a serem discutidas e avaliadas
para mudanças, quem sabe, até mais radicais, a partir da nova liderança
estabelecida por Ross Brawn e Liberty Media.

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