GP da China: Com volta por cima de Hamilton em Xangai, a Mercedes realmente evoluiu em relação à Ferrari?
Se a grande maioria das pessoas criticou
a abertura do campeonato em Melbourne mesmo com vitória de Vettel após quase
dois anos, a competitividade ausente na Austrália voltou ao menos a um estágio
mais aceitável para a segunda prova do ano que aconteceu na China e teve
vitória do tricampeão mundial Lewis Hamilton. O piloto do carro número 44
largou na pole a dominou a etapa até de forma tranquila. Já o alemão da Ferrari
conseguiu guiar consistentemente também para fechar em segundo e aparecer
empatado com 43 pontos junto do inglês da Mercedes no mundial de pilotos. E já
no próximo domingo haverá mais um round dessa “batalha”, desta vez no Bahrein.
Hamilton sabe da importância de bater logo a Ferrari no início do campeonato e se mostrar tecnicamente e psicologicamente dentro da briga pelo caneco em 2017. Foto: Divulgação.
Após uma sexta-feira de treinos
praticamente nulos, pelos quais poucos pilotos conseguiram dar voltas para
avaliar melhor os bólidos na pista, no sábado o traçado ficou seco e propiciou
mais um show de Hamilton, que alcançou a pole de número 63 na carreira, ficando
a duas de Ayrton Senna e cinco de Michael Schumacher no ranking histórico da
categoria. Vettel não deixou por menos e veio logo atrás, em diferença até
pequena dada a grande batalha das duas equipes pelas quais esperamos ao longo
de todo o ano. E no domingo choveu antes da largada deixando assim o piso úmido para
o início da corrida. Apesar de ter sofrido com problemas de largada, tanto por “mérito”
próprio como também por problemas técnicos no carro, Lewis partiu muito bem
tanto em Melbourne quanto em Xangai mesmo com o novo regulamento que alterou
totalmente o sistema de embreagem, inclusive no volante. Já Vettel, alinhou de
forma muito esquisita e incomum, com boa parte do bólido fora do “colchete” de
largada, e mesmo partindo assim não teve nenhuma observação e punição a serem
feitas pela direção de prova ou o principal responsável por ela, Charlie
Whiting.
Em nenhum momento Vettel
conseguiu estar diretamente na luta pela vitória e muitos poderiam dizer que
isso é um indício total que a Mercedes recuperou totalmente o terreno e a
hegemonia que foram impostos na categoria nos últimos anos. Acredito que não
seja por aí. Ou ao menos, por enquanto. A Ferrari mesmo nos treinos demonstrou
maior estabilidade nas curvas, principalmente as desafiadoras e de alta
velocidade, com um conjunto que reconhecidamente gasta menos pneus e economiza
o potencial do carro para o esperado final da disputa. Creio que Lewis entendeu
melhor o funcionamento do carro 2017 das flechas de prata e conseguiu ser mais
agressivo quando precisou, mesmo que tenha sido até em poucos momentos, e
conseguiu também poupar e evitar forçar os aspectos na guiada que poderiam
comprometer o rendimento do chassi e propulsor. Então na minha opinião desta vez o piloto fez a diferença. Veja o que conseguiu Bottas: apenas um sexto lugar. Vale lembrar que na Austrália o
Hamilton perdeu um certo rendimento na parte final da prova e teve uma séria
ameaça com a aproximação do companheiro de equipe Valtteri nas voltas
finais. Porém, no final das contas a ordem com certeza deve ter sido para que
os “garotos” levassem apenas os carros de volta para casa em segurança. E assim
aconteceu com Hamilton em segundo e o finlandês em terceiro logo na estreia
pelo time.
Vettel não está para trás nessa
disputa para o campeonato não e imagino os italianos voltando com força total
no Bahrein agora no próximo domingo. O local do circuito reconhecidamente
propicia com frequência o calor característico do deserto e isso tem a
tendência de favorecer o melhor funcionamento no carro da Scuderia. Em condições adversas na cidade de Xangai, Lewis fez a
diferença e mostrou o enorme talento, mostrando-se muito mais maduro e focado e
ainda mais rápido que antes, diferente do que aconteceu em 2016 e proporcionou
a ascensão de Nico Rosberg. O agora ex-piloto veio muito mais motivado e
preparado na temporada passada, e isso “casou” com um momento não tão bom de
Hamilton, que parecia desligado e focado em outras coisas da vida também. Não
deu outra. Quando o inglês recuperou o já reconhecido ritmo e até brigou
diretamente pelo campeonato, aí já era tarde demais para ter um favoritismo
absoluto. Para 2017, a briga entre os multicampeões, Vettel, com quatro
títulos, e Hamilton, três taças na carreira, promete continuar acirrada e
chamando a atenção dos fãs e da categoria, pois não vemos um duelo de equipes,
no caso agora Ferrari e Mercedes, há muito tempo. E o fator positivo foi que em
um circuito permanente conforme aconteceu em Xangai, com retas mais longas e
maior espaço para emparelhar nas disputas, as ultrapassagens voltaram com uma
certa frequência e mesmo que o novo regulamento junto da maior pressão
aerodinâmica ainda atrapalhe bastante isso. Não acredito que isso acontecerá de
forma positiva em todos os traçados, acho que varia realmente de pista para
pista, mas não será tão absurdamente ruim conforme pintaram e nem o show dos
shows de outros tempos. Também não adianta essa coisa de asa móvel e artifícios
realmente fora da realidade para se tentar uma ultrapassagem. Acredito que
corrida de verdade mesmo é feita com o famoso bordão de Galvão Bueno: “Chegar é
uma coisa, passar é outra”. Com a famosa asa comandada pelos pilotos a partir
do cockpit tudo fica bem mais fácil.
E saindo um pouco do tema central
desse texto e focando no décimo quarto lugar de Felipe Massa na pista de
Xangai: Impressionante como em NENHUM momento o brasileiro se achou na pista
úmida da prova na China. A Williams prometia bem mais mesmo com o avanço dos
times medianos, mas vem decepcionando e muito. Até a McLaren com todos os
problemas técnicos e de quebras nos carros do time brigou mais diretamente
entre os dez primeiros antes de abandonar a disputa. Stroll bateu ainda na primeira volta após ser tocado
por Sergio Perez, mas acredito que o novato poderia ter feito a curva de forma
mais aberta e evitado um choque, afinal quanto mais quilometragem para o
garoto, melhor. Ele fez a curva como se não houvesse ninguém ali. E retornando
ao tema Massa, o veterano foi ficando para trás e nem teve como reagir, tentar
alguma coisa. Disse que parecia estar andando no gelo, o que não é novidade em se tratando de não entender o funcionamento dos compostos nos pneus. Até tomou volta do líder. Vamos aguardar, mas creio que se
continuar próximo disso para o resto do ano a coisa pode ficar complicada
realmente em relação a uma sequência de Felipe na categoria. Ele havia ficado
muito animado com o sexto lugar final em Melbourne, só que em um traçado de rua
e pista seca. Em condições adversas o Felipe continua demonstrando que essa forma de
correr realmente não é o forte dele. A não ser excetuando-se poucas situações,
raríssimas, conforme foi no eternamente lembrado GP do Brasil de 2008, a
decisão do título na qual perdeu para Lewis Hamilton em Interlagos. Ali guiou
realmente com maestria, mas tinha um grande carro nas mãos, estava muito
motivado e vinha tranquilo em primeiro.
E retornando para 2017,
impressionante como os “segundos pilotos” se comportaram verdadeiramente como “segundões”
no último domingo: Raikkonen reclamou muito do carro no rádio, mas o time deu a
entender que estava tudo bem e depois o rendimento da Ferrari guiada por Kimi
se estabilizou, mas o pacato quinto lugar final sem luta alguma com aquele que
é considerado o carro da temporada desagradou e muito a cúpula italiana que já
começa o processo de fritura do finlandês perante a imprensa principalmente no país
de origem do time. E Kimi poderia ter evitado também Vettel ter perdido tanto
tempo após o pit stop na primeira bandeira amarela da prova, mais essa. Já
Bottas rodou em bandeira amarela e se mostrou um tanto apático em sexto lugar,
contra uma vitória sensacional do já consagrado companheiro de equipe. Após a
consistência na Austrália, era tudo que não poderia acontecer para o ex-piloto
da Williams. Assim muitos até de maneira rápida demais questionaram as
qualidades do competidor para estar ao lado do Lewis. Vamos aguardar. Acredito
que o Bottas vai andar mais próximo e oferecer alguma resistência no time, mas é
claro, ele não tem toda a experiência que Rosberg tinha em Brackley.
Portanto galera, tanto Ferrari
quanto Mercedes estão ali separadas por muito pouco na diferença de desempenho
para a sequência da temporada. Os mínimos mas fundamentais detalhes vão fazer toda a diferença daqui para frente. E assim conforme aconteceu no final dos anos 1990,
quando Hakkinen e Schumacher protagonizaram duelos inesquecíveis, e a Ferrari
do Schumi tinha diferenças e melhorava prova a prova e, é claro, contando com o
braço inigualável do alemão, isso deve acontecer entre os protagonistas de 2017
pelo resto do ano. Não foi pela Mercedes ter vencido que tudo voltou a ser como
era nas três temporadas anteriores... A disputa continuará nos treinos e corridas
e também no relógio, afinal o hiato ali entre os times não é tão absurdo assim. Só vamos torcer que
os outros dois pilotos dessas escuderias cheguem mais e embolem essa briga, que aí
tudo fica mais interessante. No Bahrein, então, que possamos ter uma corrida igual ou
parecida com a de 2014 pela qual na disputa noturna vários pegas interessantes
aconteceram.

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