A vitória de Sebastian Vettel
neste domingo no GP do Bahrein veio após mais um trabalho perfeito desempenhado
pela Ferrari na tática de corrida, afinal o alemão aproveitou e entrou outra vez com antecedência aos boxes (assim como na Austrália) e contando também com a sorte dos campeões, usou a bandeira amarela que ao invés de ajudar a Mercedes nos pits, acabou
atrapalhando. Hamilton ainda foi punido por segurar Ricciardo na entrada dos
boxes e Bottas não demonstrou o ritmo impressionante das flechas de prata no Q3
pela classificação no sábado. Lewis calçou pneus novos no final e cumpriu a
punição de cinco segundos, ficando para trás mas indo à caça do tetracampeão da
Ferrari. Mas por melhor que se aproximasse, já era tarde demais.
Apesar de menos consistente em treinos, Vettel e Ferrari estão confiantes de continuar brigando pelo campeonato na sequência do ano. Foto: Divulgação.
Se a Scuderia continua não
demonstrando em treinos a consistência e velocidade necessárias para as poles,
ao menos o líder do time chegou na vitória número 44 da carreira em Sakhir. A
Mercedes tem o propulsor mais potente do certame, por volta dos mil cavalos ou
mais, e fez a diferença com o finlandês Valtteri Bottas no sábado, primeira pole do
piloto na categoria, porém, o experimentado competidor realmente ainda vem
devendo para estar no mesmo nível que Lewis Hamilton na equipe da estrela de
três pontas. Mas também não devemos julgá-lo completamente tão cedo assim no
campeonato. O ex-piloto da Williams demonstrou qualidades em temporadas
anteriores que podem fazer sim, ao menos eventualmente, que ele esteja mas
próximo dos pilotos principais de Ferrari e do Lewis também. É claro que
chegando no time agora, a noção dele da fábrica em Brackley e os meandros do
time alemão não são assim completos e detalhados conforme o inglês tricampeão
tem nas mãos. Também não dá para fazer milagre. Ao menos se apresentou de forma
bem mais alentadora que na China, uma semana antes, pela qual fez prova pífia,
assim como também desempenhou Kimi Raikkonen no time adversário. O finlandês
continua se mostrando de forma burocrática e trazendo apenas o carro para casa na
zona de pontuação. De fato está cumprindo o papel dele no mundial de
construtores, mas com um bólido bem melhor que o de 2016 evidentemente se
espera mais para o restante do campeonato. Desta forma, as pressões internas a partir da cúpula no time ferrarista já começaram.
Felipe Massa também não tem muito
o que fazer ao menos nesse início de temporada. Chegou em sexto no Bahrein, a
mesma posição da reestreia pela categoria na Austrália. Juntamente com
Raikkonen se apresentou de forma bem melhor que na corrida anterior, mas
largou, ganhou duas posições, assim saindo do oitavo posto para pontuar mais à
frente. Vem coletando os pontos necessários ao time que em quase todas as
ocasiões não pode contar com o outro piloto, Lance Stroll, que vem errando ou
sendo atingido por outros competidores durante as provas. Desta vez não foi
culpa do canadense, afinal o espanhol Carlos Sainz saiu que nem louco dos pits
e passou completamente direto na curva 1, atingindo a lateral direita da
Williams. Sainz ainda reclamou do adversário, mas coloco como totalmente sem
razão. Se Stroll não estivesse ali, o piloto da Toro Rosso passaria reto com certeza, e desta forma foi
corretamente punido com a perda de posições na prova seguinte, o GP da Rússia,
em Sochi, daqui a duas semanas. Muitos se esqueceram, mas destaque também foi o
excepcional desempenho de Sérgio Perez na etapa, afinal o mexicano partiu do
distante décimo oitavo lugar e finalizou em sétimo, trazendo mais boas
colocações para a Force India. O mexicano as vezes passa pelos problemas
naturais de um time mediano ou pequeno mas parece realmente que colocou a
cabeça no lugar após a atribulada passagem pela McLaren em 2013, e se não
consegue fazer do time indiano vencedor, ao menos foi muito regular em todas as
temporadas por esta equipe. Está aí uma nova chance que valeu a pena na
categoria.
Quem não deveria seguir por muito
tempo com chance por não fazer nada é Jolyon Palmer na Renault. Ele até se
classificou em um ótimo oitavo lugar na classificação, porém continua bem atrás
do recém-chegado Nico Hulkenberg no time de fábrica francês ao longo das corridas. O brasileiro
Felipe Nasr com certeza faria bem mais nessa vaga e esquentaria ao menos o
cockpit para quem sabe em 2018 Fernando Alonso assumir. Quem diria hein? Será
se o espanhol pode retornar para ter uma terceira passagem no time? Seria mais
um tiro no escuro na carreira já comprometida do bicampeão mundial. Após três
anos sem resultados consideráveis na McLaren talvez ele devesse refletir sobre
até competir em outra categoria mesmo sob o nome do time de Woking, na
Inglaterra. Acho a experiência em Indianápolis excelente para isso no dia 28 de
maio, e que bom saber sobre a Liberty Media concordar com isso assim como os
novos executivos da equipe que Alonso defende. De pensamento fechado e ditatorial
de Bernie Ecclestone já chega né? O então manda-chuva foi quem propiciou o
grande crescimento da categoria, mas naturalmente com a idade os pensamentos e soluções
para o certame ficaram obsoletos. A trupe de Chase Carey, Ross Brawn e Sean
Bratches já gasta os neurônios para atrair o público e mudar um cenário de
queda de audiência na F-1.
Falando novamente de Felipe
Massa, mas desta vez destacando toda a polêmica envolvendo ele e o jovem
holandês Max Verstappen, da Red Bull. O vencedor do GP da Espanha de 2016 falou
no sábado que foi atrapalhado antes da abertura de uma volta rápida e ressaltou
em uma entrevista que os brasileiros são assim mesmo, então não há o que falar.
Visando se defender, o brasileiro tomou as dores da situação e não ficou atrás,
respondendo no domingo que é melhor Max tomar cuidado afinal a categoria corre
no Brasil. Com essa declaração o clima poderia ficar complicado para o
competidor que deu show em Interlagos no ano passado e angariou ainda mais fãs
que anseiam em ver um piloto combativo nas pistas destacou o Felipe. Fato é que nesta
segunda-feira Verstappen pediu desculpas pela situação, seja lá orientado por
assessoria de impresa ou pela equipe, e já colocou panos quentes na história.
Verdade mesmo é que as polêmicas entre os dois já vem de longa data, desde o GP
de Mônaco de 2015, quando Felipe disse que as manobras do então piloto da Toro
Rosso vinham sendo muito perigosas e ele merecia ser punido. Tanto Max quanto o
pai, Jos Verstappen reclamaram um bocado de Massa, mas naquela altura o
vice-campeão de 2008 não respondeu. Ainda bem. Em um cenário de tanta disputa e
interesses é natural que os ânimos fiquem exaltados assim conforme acontece em
algumas oportunidades no campo de futebol. Mas dar sequência à polêmicas bobas
é só chamar a atenção para manchetes que adoram destacar as rusgas do esporte e
até mesmo queimar o filme no quesito marketing. Briga mesmo tem que ser no
quesito esportivo com disputas ferozes mas dentro das regras nos traçados.
Ficar alimentando essas discussões no final das contas não leva a nada, e
principalmente se tratando de dois pilotos que, quer queiram os torcedores ou
não, os dois estão no auge máximo do esporte a motor no mundo e isso deve ser e
muito respeitado.
Interesante também foi a volta de
Pascal Wherlein no cockpit da pequena Sauber até então ocupada pelo impetuoso
Antonio Giovizanni que também impressionava enquanto correu nas duas etapas nesse
ano. Wherlein demorou para o retorno e ter ritmo de disputa com carros que
exigem, claro, bem mais nas freadas e curvas devido ao novo regulamento pela
pressão aerodinâmica exercida e mesmo assim acredito que ainda devia sentir o
acidente da corrida dos campeões que aconteceu em janeiro e o afastou das
primeiras provas da F-1 em 2017. Mesmo assim e logo no retorno, o alemão de 24
anos largou em décimo quarto e fechou em décimo primeiro a uma volta do
vencedor Vettel. Um tremendo alento a aqueles que duvidavam do competidor que
corria pela Manor ano passado. Se de repente Bottas não agradar neste ano e
Pascal fizer verdadeiros milagres com o carro suíço, quem sabe ele até não
apareça em Brackley efetivamente em 2017, hein? Tudo é possível!
Ida de Alonso para Indy 500 em maio ao invés de correr em Mônaco dá publicidade positiva até mesmo para a F-1, que assim terá mais visibilidade para os americanos. Foto: Divulgação.
E como sempre destacando também o
horroroso (para falar pouco) e vergonhoso desempenho da McLaren até aqui. Tão
ruim que o belga Stoffel Vandoorne nem conseguiu largar após trocar o propulsor
entre o sábado e o domingo, já Fernando Alonso vinha na intensa briga para se
aproximar da zona de pontuação e também ficou sem potência na unidade de potência da Honda. Completamente lamentável a situação e o asturiano faz mais do que bem em
ir correr como quiser. Com certeza essa foi uma condição que ele achou e impôs
para seguir o vínculo com os ingleses, e eles tiveram que aceitar. Desafio
proposto e anunciado será uma grande jogada de marketing para ambas as
categorias e também para os times envolvidos, tanto a própria McLaren, que
volta para a Indy após 38 anos, afinal eles venceram edições nos anos 1970 com
Johnny Rutherford e Mark Donohue. Alonso correrá em um carro da parceria
Andretti Autosport, Honda e McLaren. Essa união inclusive é bastante curiosa
afinal Andrettinho passou pelo time na F-1 em 1993 ao lado de Ayrton Senna e
teve desempenho terrível, porém quando finalmente conseguiu bom resultado, um
pódio com terceiro lugar em Monza, acabou dispensado para a chegada de Mika Hakkinen.
Vale lembrar também que este será o sexto carro do time na edição 101 das 500
milhas no próximo dia 28 e era um cockpit até então reservado para Stefan
Wilson, irmão de Justin, o piloto vitimado em Pocono 2015. Acredito que Alonso
pode mandar tão bem no traçado oval que ainda não conhece assim como Kurt Busch
fez em 2014 pela mesma equipe e finalizou a prova em um ótimo sexto lugar.


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