Pular para o conteúdo principal

Com Liberty Media assumindo os rumos da categoria, o que podemos esperar dos novos donos da Fórmula 1?

Após cerca de 40 anos comandando o esporte, o chefão Bernie Ecclestone precisou vender a categoria para um outro grupo, a americana Liberty Media, afinal o conselho de diretores não estava contente com as repercussões e decisões que nos últimos anos vieram afastando o público de acompanhar tanto no autódromo como na TV as provas da Fórmula 1. Com um grupo formado por Chase Carey (CEO), Ross Brawn (passou por equipes como Benetton, Ferrari, BrawnGP e Mercedes e decide pelo lado esportivo da categoria) além de Sean Bratches (que veio para comandar o lado comercial após passar pela emissora ESPN), as ideias já começaram a mudar o cenário principalmente das redes sociais desde o início do processo de compra (final do ano passado) e a obtenção do controle total da direção no início deste ano. Tanto pelo lado comercial, como também midiático e esportivo as expectativas são as melhores para os próximos anos.



Nos últimos anos o cenário no certame principal do esporte a motor se caracterizou por grande ou total distância dos astros do espetáculo, ou seja, os próprios pilotos bem longe em relação ao público e resistência dos homens que comandavam a categoria sobre ter conteúdo sobre as disputas exposto em páginas como o Facebook e Twitter. Tudo isso principalmente devido as ideias do veterano inglês Bernie Ecclestone, ele que havia revolucionado os rumos do esporte a partir dos anos 1970 fazendo contratos vantajosos para todos e projetando transmissões e expansão a um rumo mais profissional. Porém, nada vive no auge para sempre e uma grande mudança já era colocada como necessária por várias pessoas que seguem o circo da categoria e até mesmo os pilotos. Os custos também se tornaram um problema, pois mesmo a Fórmula 1 sendo o topo da tecnologia no esporte a motor, as cifras atingiram um nível estratosférico, e assim reduziram ainda mais a capacidade de expansão para equipes no grid. O ex-presidente da FIA, Max Mosley bem que tentou há cerca de uma década mudar essa ideia com a chegada de um teto orçamentário e a implementação de equipes novas, porém pequenas, para agitar os campeonatos. Infelizmente essa vontade não se aplicou durante muito tempo. Após tantas especulações, a Liberty Media finalmente assumiu o controle total da F-1 e jogou Bernie Ecclestone apenas para o conselho, tirando qualquer possibilidade de que ele pudesse continuar a comandar com mão de ferro as decisões envolvendo a categoria. A partir daí, detalhes como os pilotos e equipes postarem vídeos e conteúdo filmados por eles mesmos em redes sociais passaram a ser permitidos para postagem, mas é claro, excetuando-se imagens feitas pela própria organização do campeonato. Os canais oficiais passaram a produzir muito mais conteúdo e serem bem mais interativos, colocando resumos e imagens históricas, além de entrevistas e detalhes técnicos. Mudanças também passaram a chamar a atenção no lado esportivo afinal o GP da Malásia, um traçado estilo anos 2000 projetado por Hermann Tilke (que responde pelos projetos de quase todas as pistas atuais), foi confirmado para sair do calendário após quase 20 anos da estreia. A ideia é trazer pistas mais tradicionais de volta, conforme já decidiram pelo retorno da França no lendário circuito de Paul Ricard em 2018. O GP da Alemanha também tem um olhar diferenciado dos diretores da F-1 para retornar na próxima temporada, e quem sabe até mesmo em uma pista diferente das últimas disputadas (Hockenheim e Nurburgring).

Portanto, o rejuvenescimento daqueles que ditam as regras e decisões na Fórmula 1 já se mostra em curto prazo um completo alento para uma categoria que já respirava por aparelhos em relação a ações mais próximas dos torcedores e trazer, assim, um pouco mais das origens que fizeram esse tipo de corridas se tornarem as mais famosas ao redor do globo, tudo com um senso de atuação mais adaptável. Nesse quesito, até o bom humor (que costuma ser utilizado e muito pelos americanos) foi destacado no episódio em que permitiram que Lewis Hamilton cruzasse a pé o traçado de Xangai, ocasião na qual ele jogou bonés para os fãs que estavam na arquibancada durante a paralisação de um treino. Outra situação marcante e hilária foi o crédito referindo-se ao lendário Darth Vader (personagem de Star Wars) colocado na transmissão da mesma etapa quando um torcedor apareceu usando uma máscara que representava o Sith Lord. Criatividade e interação é tudo o que move e revoluciona empresas no cenário atual de tanta informação obtida e produzida! Proporcionar isso em um mundo veloz das corridas também é essencial.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

GP do Canadá traz boas memórias de Gilles Villeneuve

A pista da Ilha de Notre Dame, no Canadá, será palco da sétima etapa da Fórmula 1 2017 no próximo final de semana. O traçado que mistura elementos de circuito de rua e também pista permanente (as tradicionais) sempre traz na memória dos fãs belos momentos de Gilles Villeneuve, herói que nasceu no país e deu verdadeiros shows com o carro da Ferrari naquele local. A percurso em Montreal estreou na categoria no ano de 1978, mas vale lembrar que a F-1 já havia corrido antes em solo canadense tanto em Mosport como também Mont-Tremblant. Porém naquela oportunidade de um local para disputa no qual os pilotos ainda não conheciam, foi exatamente o piloto local Gilles Villeneuve que ganhou a primeira corrida da carreira pilotando o carro da Ferrari. Era apenas o segundo ano do competidor no topo do automobilismo mundial. Mesmo tendo a responsabilidade de substituir Niki Lauda na  Scuderia , ele mostrou todo o potencial logo de cara para a felicidade do  comendador  Enzo ...

F-1 passa a olhar mais para o lado humano buscando se reinventar como esporte

O GP da Espanha reservou muitas emoções, inclusive na briga pela ponta na qual Hamilton e Vettel protagonizaram um duelo marcante e que deve sinalizar o que teremos na sequência do campeonato, mesmo com alternâncias entre alguns resultados. Podemos citar o próprio inglês como destaque, a bela largada de Vettel, o excelente desempenho dos dois carros da Force India, e ainda o talento de Wherlein para levar um fraco carro da Sauber ao oitavo lugar. Além disso a prova ainda teve Fernando Alonso pela primeira vez finalizando um evento da F-1 no ano com a McLaren fora da zona de pontuação, mas ainda comemorando o “feito” obtido na terra natal.  Bastou Kimi Raikkonen abandonar a etapa com uma suspensão destruída que Thomas rapidamente demonstrou a tristeza de ver o ídolo fora da disputa. A reação espontânea de um fã mais que especial. Foto: Reprodução de TV. Porém os holofotes, ou boa parte deles, foram direcionados para o jovem francês Thomas Danel, de apenas 6 anos! O efusivo...

Uma Indy 500 com menos adrenalina em 2018

O australiano Will Power venceu a edição 102 das 500 milhas de Indianapolis no último domingo, porém as poucas disputas ao longo da prova desagradaram a maioria dos fãs e aficionados da Fórmula Indy. Mesmo especialistas e profissionais que trabalham cobrindo o certame também expressaram a surpresa de assistir uma das corridas que menos chamaram a atenção nos últimos anos em Indiana. O renovado kit aerodinâmico rapidamente se tornou a aprovação estética total por parte de todos, mas a falta de competitividade nas provas, tanto na Indy 500 como por exemplo em Phoenix há alguns meses evidencia que mais mudanças são necessárias. O americano Ed Carpenter correndo com a equipe própria alcançou mais uma impressionante pole position no mítico oval e foi um dos ponteiros durante a maior parte da corrida, mas lamentou que não tenha arriscado tanto para brigar pela ponta da maior etapa do automobilismo mundial. Terminou na segunda colocação, um resultado e tanto para ser aplaudido. Os carro...