O GP da Austrália entrou no
calendário da categoria em 1985 com a disputa nas ruas de Adelaide, belíssimo
circuito e traçado elogiado pelos pilotos, mas que foi substituído ainda em
1996 para a abertura do campeonato que passou a acontecer no Albert Park, em
Melbourne. Apesar de alguns problemas contratuais e financeiros ao longo da
trajetória, e até mesmo protestos por parte dos ambientalistas, a corrida se
mantém como grande atrativo da região e também da temporada na F-1. Abaixo
lembraremos um pouco dessas disputas históricas.
Mudança de Adelaide para Melbourne e primeira prova marcante
Primeira largada em Melbourne aconteceu no ano de 1996, com Damon Hill vencendo a batalha contra Jacques Villeneuve - Foto: Divulgação.
Na metade dos anos 1990, Adelaide
ainda sediava o palco final do ano, quando Damon Hill, com a Williams, venceu a
última etapa da categoria naquele traçado até então. E mesmo com esse
encerramento logo na primeira prova do ano seguinte o país era o mesmo, a
Austrália, mas com um traçado jamais usado no certame de forma oficial, porém, já utilizado
por outras categorias no sentido inverso, inclusive, ao longo de décadas anteriores. Foi a
primeira e única vez que um mesmo país sediou provas “consecutivas” e também
elas sendo a última etapa de um ano além da primeira do ano seguinte. Fato
inusitado e inédito. Mesmo com os problemas naturais da estreia de um circuito
nas ruas de uma cidade como folhas no asfalto, areia e até mesmo a
interferência da natureza, os pilotos aprovaram um traçado extremamente rápido,
e que mais se assemelha a uma pista de média para alta velocidade, porém com
áreas de escape nem sempre tão generosas assim. O mesmo Damon Hill, já com uma
superior Williams, fez a diferença novamente e venceu a primeira do ano em 1996
e prova de estreia em Melbourne, após luta feroz com o companheiro de equipe,
Jacques Villeneuve, canadense que estreava na F-1 após ser campeão da Indy.
Quem diria! Porém todos os destaques do GP ficaram de lado, sendo vencedores ou
um balanço da mudança de pista, já que o inglês Martin Brundle, que corria pela
Jordan e fazia o último ano na categoria, acabou perdendo o controle e batendo
na McLaren de David Coulthard ainda na primeira volta. Tal choque catapultou o
bólido que alçou voo e terminou “escorregando” de cabeça para baixo na caixa de
brita. Apesar do grande susto e um chassi praticamente “dobrado ao meio” como
disse Galvão Bueno na transmissão da TV Globo, o competidor saiu do cockpit bem
agitado, mas inteiro. E tão ainda em forma, que correu até os pits para
convencer o Dr. Sid Watkins de que poderia protagonizar a relargada a partir do
carro reserva. Brundle tanto tentou que conseguiu e foi ovacionado pela torcida.
Porém, de nada adiantou o esforço. Ainda no fim da primeira volta após a nova
largada, o veterano teve outro problema na mesma curva (?!?!) e mesmo sendo um
toque leve em outro competidor, desta vez o abandono foi em definitivo. Também
né...
A incrível capotagem de Martin Brundle, da Jordan, após choque com David Coutlhard, logo na primeira volta em 1996 assustou a todos, mas piloto saiu ileso - Foto: Divulgação.
Etapas disputadas e conturbadas marcam o final dos anos 90 no Albert
Park
Em 1997, após confusão na
primeira volta que inclusive envolveu o favorito Jacques Villeneuve, a McLaren
rumou para a vitória com David Coutlhard logo na etapa de estreia da pintura
prateada no time (devido aos cigarros West). Era o primeiro triunfo da equipe
inglesa desde Ayrton Senna na mesma Austrália, pela prova final em 1993, quando
naquela altura a disputa acontecia em Adelaide. Para 1998, a sensação foi ver
os novos carros mais estreitos e os polêmicos pneus com ranhuras. Durante a
abertura do ano no Albert Park, foi possível notar facilmente o poderio da
McLaren que finalmente havia encontrado o caminho das vitórias novamente, e
desta vez com Adrian Newey, o mago das pranchetas, como projetista. Os bólidos
impulsionados pelo motor Mercedes dominaram de lavada a etapa, até a ponto
mesmo de Mika Hakkinen, devido a uma falha de comunicação no rádio, entender
que deveria entrar nos boxes quando na realidade não havia essa necessidade.
Assim, David Coutlhard, companheiro de equipe, assumiu a ponta, mas acabou
sendo orientado a ceder a posição para Mika, e o fez em plena reta dos boxes. Em
1999, uma prova maluca, cheia de nuances, acidentes e a presença do Safety-Car
na pista garantiram a emoção do público presente no parque além dos
espectadores ao redor do mundo. A McLaren teve problemas de confiabilidade no
carro e abandonou a etapa, e assim um surpreendente Eddie Irvine obteve o
primeiro triunfo da carreira e logo na Ferrari. Aquele era o ano do irlandês,
pelo qual se tornou a melhor temporada do piloto na F-1, porém, não sendo
suficiente para alcançar o título, que tanto em 1997 como 1998 foi para
Hakkinen. O traçado permanecia praticamente o mesmo da primeira prova disputada
no local.
Traçado australiano mais se assemelha a um circuito permanente em suas curvas velozes, mas ainda possui áreas de escape relativamente pequenas. Foto: Divulgação.
Anos 2000 – Década começa com perda de fiscal na pista e predomínio de
Schumacher
O alemão Michael Schumacher, que
iniciava os melhores anos dele e da Ferrari em muito tempo, enfileirou três
vitórias consecutivas e incontestáveis entre 2000 e 2002 (ainda venceria mais
uma em 2004), naquele que foi o reinado absoluto do esporte por parte dos
italianos. Para a virada do século, Rubens Barrichello, estreando finalmente
por um time grande, e desta vez na Scuderia, finalizou em segundo fazendo
dobradinha com o futuro heptacampeão. Em 2001, a tristeza aconteceu por parte
de um grave acidente logo nas primeiras voltas da disputa. O canadense Jacques
Villeneuve, então correndo pela BAR, perdeu completamente o ponto de freada na
reta oposta e “atropelou” a Williams de Ralf Schumacher. No choque, o carro
patrocinado pela Lucky Strike decolou completamente e voou para o lado
esquerdo, acertando a grade de proteção e muro com força. Na pancada, um dos
pneus se soltou e passou por uma seção sem algum tipo de proteção, que
geralmente é necessária para os comissários mostrarem as bandeiras para os
competidores. Com tal infelicidade acontecendo, o componente do carro veio a
atingir o fiscal Graham Beveridge, que acabou falecendo em decorrência do
incidente. Tal situação veio a gerar modificações nos bólidos, que vieram a ter
um cabo de aço para segurar cada uma das rodas em caso de choque. Para os
pilotos, ao menos, tanto Ralf quanto Villeneuve saíram ilesos. Em relação a
acidentes, o ano seguinte propiciaria um dos engavetamentos mais espetaculares
de todos os tempos, e mais uma vez envolvendo o irmão mais novo dos Schumacher.
Na largada, Barrichello tocou em Ralf e decolou absurdamente, eliminando os
dois pilotos da prova e ainda envolvendo mais seis carros, inclusive o
estreante Felipe Massa com a Sauber. Mesmo diante do caos a bandeira vermelha
não foi mostrada, sendo colocado apenas o Safety Car na pista. Em 2003, a chuva
antes do início da etapa era apenas um dos destaques, já que o novo formato de
classificação com apenas uma volta rápida deu o que falar entre esportistas e
público. David Coulthard venceu pela última vez na categoria após Schumacher se
envolver em brigas por posição e ficar para trás. A alternância de posições na etapa
até sugeriria uma real nova Fórmula 1, mas apesar disso e um ano até bem
competitivo e movimentado, nenhum milagre de mega disputas foi registrado em
relação a temporadas anteriores.
A primeira curva é sempre um ponto crítico, e exige grande atenção dos pilotos principalmente na largada que tem fama de gerar enroscos históricos. Foto: Allianz.
No ano de 2006 e 2010 o evento
australiano em Melbourne foi colocado como segunda etapa da temporada, tendo
sido substituída pelo Bahrein como abertura, mas todo o charme e tradição de
abrir o ano na categoria foi facilmente estabelecido no Albert Park, e ficou o
costume principalmente para os fãs, que já memorizaram e bem este fato. Em 2008
o horário da prova foi adiantado para as cinco da tarde locais, visando um bom
momento de transmissão para o continente europeu. E desta forma, o GP em 2009
ficou perto de ser encerrado quase sem luz natural naquela prova memorável de
estreia das BrawnGP que foram ao pódio com Button e Barrichello, momento único
para o time do velho Ross que disputou temporada única. Posteriormente o
horário seria regulado novamente para evitar isso. Nenhum piloto local veio a
vencer em casa, com Mark Webber chegando em segundo no ano de 2013, por exemplo. Voltando mais para trás, em 2007 aconteceu o pavoroso acidente entre Alex Wurz e David Coulthard, no qual o carro da Red Bull passou bem perto do capacete do austríaco. Por pouco Wurz escapou de ter consequências séries, mas saiu completamente ileso. Tal situação levou categoria e também a FIA ao intuito de melhorar proteção do cockpit para anos seguintes.
Cogita-se o retorno da F-1 para Adelaide daqui a alguns anos mesmo que a ideia ainda seja preliminar. Porém, staff da F1 e público sempre amaram o Albert Park. Quem não concorda com provas lá são os ambientalistas. Foto: Divulgação.
Se o recém-aposentado Jenson
Button venceu em três ocasiões, 2009, 2010 e 2012, Kimi Raikkonen levou duas e
outro que se retirou das pistas, Nico Rosberg, alcançou o triunfo por duas
oportunidades, assim como Lewis Hamilton, piloto inglês que continua a liderar
o time da estrela de três pontas, e visa, assim alcançar mais um triunfo na
carreira para buscar outra taça de campeão no currículo. A prova que abre a
temporada 2017 no próximo dia 26 terá 58 voltas, cada uma delas percorrida no
traçado de 5.303 metros. Vale lembrar que com o uso de carros mais largos e
pneus também de maior largura, a velocidade dos bólidos aumentou nas curvas e
foi preciso também que os circuitos se adaptassem, e não foi diferente no
Albert Park, com diversas áreas de escape passando por revisão além do reforço
nas proteções de pista e pneus. A prova como sempre promete, e com regulamento
mais mexido da história da categoria a promessa é de muitas saídas de pista,
apenas de a pressão aerodinâmica atual poder gerar até menos ultrapassagens
infelizmente.





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