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Corrida na Austrália decepciona em disputas, mas reafirma força da Ferrari e Vettel na Fórmula 1 em 2017



O alemão Sebastian Vettel desbancou a dupla da Mercedes, e após tática mais que eficiente da Ferrari e um conjunto motor mais chassi bem nascido rumou para a vitória 43 da carreira logo na abertura da temporada em Melbourne, na Austrália, neste domingo. Para Lewis Hamilton, o pole position, restou se contentar com a segunda posição após a Mercedes indicar cedo demais a parada do inglês na prova. E Valtteri Bottas, estreando com as flechas de prata, fechou o pódio após demonstrar rapidez e consistência. Apesar de todos esses acontecimentos, faltaram mesmo foram as boas e lembradas disputas de posição, que prometem inclusive estarem mais ausentes nesta temporada para recorrentes reclamações dos fãs.

Durante os treinos livres a Ferrari já demonstrou estar bem mais próxima da dupla que conduz os carros da Mercedes, porém sem ambas se destacarem demais nos tempos estabelecidos de volta. A Red Bull foi quem decepcionou nunca apresentando velocidade o suficiente para incomodar os outros times da ponta na tabela. Na classificação, Hamilton assegurou a pole de número 62 da carreira (a três de Senna e seis de Schumacher no ranking), enquanto Vettel desbancou Bottas pelo segundo posto. Kimi Raikkonen foi discreto, porém fez o trabalho dele classificando em quarto lugar. Felipe Massa usou da experiência para fazer um sétimo tempo louvável com um carro que não é fora de série, mas parece confiável e bem nascido na Williams. E Daniel Ricciardo, o piloto da casa, sentiu a pressão na hora H durante o final do Q3 quando perdeu totalmente a traseira do carro a duas curvas da reta dos boxes e encerrou ali as chances dele com o bólido na barreira de pneus. Para a prova ainda precisou trocar a caixa de câmbio, perdendo cinco posições, assim como Lance Stroll, o novato canadense de 18 anos que somou mais um acidente durante o terceiro treino livre quando bateu tanto a suspensão dianteira quanto a traseira do lado direito do chassi enquanto buscava uma volta rápida.

Enfim o domingo reservava o grande dia do início para um campeonato com tantas mudanças e tão esperado para saber se finalmente alguém poderia desbancar a equipe da estrela de três pontas e outro fator sempre alvo de curiosidade era se de fato a maior pressão aerodinâmica nos carros poderia atrapalhar nas tentativas de ultrapassagem. Pois bem, a primeira pergunta ao menos no início do ano foi respondida com um grande sopro de ar fresco, um verdadeiro alento, já que apesar de uma tática bem mais eficiente, e contando com a sorte, é claro, tudo ajudou no somatório de fatores para o primeiro triunfo da Ferrari desde setembro de 2015 com o mesmo Sebastian Vettel que naquela altura havia vencido pela última vez no traçado de Cingapura. A Ferrari também como equipe voltou a liderar a tabela do mundial da categoria, fato não registrado desde (imaginem) 2012 com Fernando Alonso. Foi de fato um feito é tanto, mas agora é preciso manter esse ritmo e observar o que os adversários podem fazer e trazer de evolução técnica nos carros e motores principalmente para a temporada europeia que começa na já muito conhecida pista de Barcelona. O ponto crucial que definiu o resultado final da prova aconteceu logo mesmo nos primeiros giros da disputa no circuito de rua em Albert Park: A Mercedes resolveu chamar Lewis ainda cedo, na volta 17, para um pit stop. 

Apesar de toque entre Marcus Ericsson e Kevin Magnussen, largada ocorreu sem maiores problemas em Melbourne. Foto: Divulgação.

Acabou que o competidor tricampeão mundial voltou atrás até mesmo de Max Verstappen e perdeu um precioso tempo. Já a Scuderia italiana teve a iniciativa de chamar Sebastian apenas na volta 24, quando o alemão conseguiu em um estilo à lá Schumacher produzir voltas consistentes e contar com Lewis perdendo tempo atrás de outro competidor. Não deu outra: Vettel calçou pneus macios e voltou na frente para seguir rumo à vitória. Conquista essa que coroou um grupo que viveu tempos difíceis na Ferrari após a terceira posição na tabela de construtores em 2016 pela qual ficou bem distante de Red Bull e Mercedes, sem contar no afastamento do diretor técnico James Allison que com o falecimento da esposa acabou se distanciando do time. Com tudo isso, o presidente Sérgio Marchionne promoveu mudanças radicais mandando boa parte do staff técnico embora e promovendo talentos ainda até inexperientes do time que passou a ser liderado por Mattia Binoto. Muitos foram céticos ao ver essas modificações que poderiam até culminar em mais problemas na equipe que tem os tiffosi como torcedores. Porém, ao menos a pré-temporada e a primeira corrida mostraram outro cenário bem mais favorável e feliz na Ferrari.

Dessa primeira corrida o tema em questão que tanto se temia acabou virando realidade: a dificuldade na hora das ultrapassagens, item tão complicado da categoria nos últimos tempos e que acabou ficando ainda pior. Com carros que produzem ainda mais downforce, ou seja, mais pressão aerodinâmica, eles ficaram mais interessantes de se acompanhar na guiada do piloto e interessantes também para os próprios competidores, é claro, mas do ponto de vista da competitividade e disputa em si, o show perdeu e muito, o que complica para um certame que já vem sofrendo perda de interesse e público. A corrida deste domingo em Melbourne teve pouquíssimos lances de fato acontecendo na pista, e os carros nem ao menos conseguiam chegar perto dos outros que estavam mais na frente. Totalmente lamentável. O grupo Liberty Media, que assumiu a Fórmula 1, e pretende incrementar e melhorar o show conforme as já conhecidas tradições de espetáculo americanas, terá muito trabalho pela frente junto com Ross Brawn, o grande campeão e líder de equipes como Benetton, Ferrari e BrawnGP que agora cuida da parte técnica na categoria. Quanta dor de cabeça! Ao menos o espaço para vídeos da categoria na internet e a interação com o público já apareceram de forma diferente e bem mais humana neste início de temporada, então é um fator a se comemorar.

Foi um final de semana para Daniel Ricciardo esquecer mesmo correndo na terra natal. Bateu nos treinos, quase não largou e ainda abandonou a etapa. Foto: Divulgação.

Dos que decepcionaram neste primeiro final de semana com competições pela F-1 no ano, podemos destacar três situações que envolvem a Red Bull, a McLaren e a geração de gráficos da categoria. Na equipe dos energéticos era esperado que eles pudessem já de início disputar de igual para igual com o esperado poderio da Ferrari e também com a já conhecida força da Mercedes, mas problemas envolvendo um não tão eficiente motor Renault e um conjunto não tão bem desenvolvido assim fizeram Daniel Ricciardo ter tanto treinos quanto corrida para se esquecer completamente, já que foram recheadas de problemas técnicos que culminaram com o abandono no meio da corrida. E Max Verstappen terminou na zona de pontuação, porém largou e chegou na quinta posição sem maiores movimentações durante a etapa. Nem chegou perto de ameaçar os que estavam à frente. Já a McLaren teve a sequência de um relacionamento que não rende quase nada de bom junto dos japoneses que desenvolvem os motores da Honda. Já não bastasse as intrigas de bastidores na lendária equipe inglesa diante de um cenário completamente tenso, o chassi também aparenta ser absurdamente ruim, saindo de frente e de traseira e praticamente desmontando ao pegar zebras de forma mais abrupta durante a disputa, sendo inclusive esse o problema que resultou no abandono do espanhol Fernando Alonso ao final da prova. Stoffel Vandoorne passou pelos já famigerados problemas de motor e já havia abandonado mais cedo. E desta forma parece que os rumores de um possível retorno para os propulsores da Mercedes, ainda que só para 2018, ganhem mais força nas próximas semanas. Triste ver um nome de equipe histórico e com tantas décadas na categoria passando tanta vergonha mesmo, esse é o nome do trabalho mal feito em Woking (sede) e com tanto dinheiro disponível e utilizado pelas equipes técnicas naquele local. Já os caracteres que aparecem na TV agora são operados de forma diferente com a chegada da Liberty Media e se o padrão se assemelha muito com o usado há alguns anos, as novidades apareceram de forma confusa e as vezes até deixando de lado informações importantes para o espectador. Uma verdadeira confusão e só conseguia ficar melhor informado sobre as diferenças entre os competidores aqueles que acompanhavam a tabela de tempos nos APP’s de celular ou ainda pela internet. Isso precisa mudar rapidamente e de forma totalmente eficiente já para a próxima corrida.

Hamilton até demonstrou certo conformismo de ver a expectativa se confirmar de uma Ferrari forte e consistente, mas sabe que a Mercedes também poderia ter feito melhor na estratégia. Foto: Divulgação.

E a prova do brasileiro Felipe Massa se também foi discretíssima em lances durante a competição contou com a perícia e grande experiência do competidor brasileiro. Largando em sétimo, o piloto da Williams ganhou uma posição logo no início e com um conjunto que não deve produzir milagres neste ano fez o papel dele e pontuou em um excelente sexto lugar, mostrando que a equipe fez bem em manter ele no cockpit para esta temporada. Por outro lado, Lance Stroll largou com muito ímpeto, quase bateu na primeira curva e ainda sim fez diversas ultrapassagens ao impressionar subir logo para o décimo quarto posto. Porém no meio da disputa errou e passou reto em uma das curvas finais do traçado próximo aos boxes e acabou abandonando na estreia. O motivo alegado foi um problema nos discos de freio, mas há quem diga que o moleque não aguentou o tranco e com muito cansaço físico precisou retirar-se da prova. Que coisa! Desta forma o circo da categoria ficará ainda mais de olho nele para as próximas etapas, mesmo ele tendo o lugar garantido na equipe de Sir Frank com os milhões de dólares do pai Lawrence Stroll. Outro discreto na prova (e sempre na vida) foi Kimi Raikkonen que se não foi fora de série na pista, conduziu o bólido italiano a um ótimo quarto lugar e nem tão longe assim dos três primeiros colocados... Não podemos nos esquecer do campeão mundial de 2007 também... Aliás a última vez que a Ferrari havia vencido na Austrália foi justamente há dez anos e a última vez que abriu campeonato vencendo foi em 2010 com Alonso. Sempre jejuns super longos para o time fundado por Enzo Ferrari. Que coisa!

Time italiano vai à loucura com estilo de pilotagem e carisma de Vettel. Em um carro potencialmente vencedor aí sim ele nada lembra o piloto "reclamão" de 2016. Foto: Divulgação.

Se a equipe americana Haas veio a abandonar lamentavelmente tanto com Romain Grosjean como também Kevin Magnussen, ao menos demonstrou velocidade e ritmo para andar bem entre os dez primeiros, faltando apenas um pouco mais de confiabilidade. Sergio Perez e Esteban Ocon fizeram boa prova nos pontos para a Force India, destacando que o bólido da equipe comandada por Vijay Mallya é bem mais que um carro com pintura chamativa no grid. Inclusive Ocon marcou um ponto com o décimo lugar logo na estreia pelo time. Quem também demonstrou segurança e velocidade foi o jovem Antonio Giovinazzi substituindo Pascal Wherlein na Sauber. O italiano fechou em décimo segundo e com certeza já deve ter chamado a atenção de muita gente no paddock da categoria pelo lado positivo (ao contrário de Stroll)... E a dupla da Toro Rosso, Sainz e Kvyat fizeram respectivamente o oitavo e nono lugares na classificação final deixando times como a Renault bem mais para trás. A briga nesse pelotão do meio promete ser bem acirrada e continuar assim, portanto a Williams e Massa precisam ficar de olho para não ficarem ainda mais para trás. Acredito que mesmo com a chegada de Paddy Lowe (diretor técnico ex-Mercedes) e o dinheiro da família Stroll, o desempenho e um chassi mais de ponta possam vir mais só mesmo para 2018. Se Massa alcançar pódios nesse retorno para a categoria já será digno de nota realmente numa Williams ainda longe da consistência necessária para estarem na ponta. Portanto a próxima etapa acontece no dia nove de abril em Xangai, na China, circuito também com curvas velozes e uma longa reta que esperamos que possa proporcionar carros tentando ultrapassagens, quem sabe. E lá Lewis Hamilton chegará muito mais mordido para voltar a vencer e bater a Ferrari. Já Bottas, que não é bobo nem nada, está ali sempre andando próximo, com olhos de lince e velocidade mais do que comprovada para aproveitar as oportunidades assim que aparecerem. Olho no finlandês também que volta e meia é subestimado sobre não poder brigar mais de igual para igual com Lewis, o que se formos colocar na prática realmente é complicado em disputa de título, mas não acho que Valtteri fica para trás assim não. Atenção nele! Se bobear é mais frio e focado que Nico Rosberg! 

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