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Há exatamente um ano Alonso sofria um dos piores acidentes da carreira. Para 2017, McLaren ainda não apresenta carro à altura do bicampeão

O espanhol Fernando Alonso esperava melhor sorte em 2017, mas pelo menos de acordo com o que a McLaren exibiu nos testes de pré-temporada, tudo indica que será um ano tão ou mais sofrível para o bicampeão conforme os dois anteriores na equipe inglesa. E para ilustrar esse cenário, há exatamente um ano o piloto sofria um dos mais pavorosos acidentes da carreira após bater em Esteban Gutierrez, da Haas, e capotar durante a abertura da temporada na Austrália. Apesar do susto e alguns ferimentos sem maiores complicações, o competidor saiu ileso, perdendo apenas a prova seguinte no Bahrein.

Imagem da capotagem correu o mundo e foi assunto ainda para as semanas seguintes após a prova da Austrália. - Foto: Reprodução/F1.

Fernando Alonso abria a volta 18 durante o GP da Austrália de 2016 quando em uma das retas do circuito se deparou com um carro que ficara extremamente lento de uma hora para a outra e justamente no ponto de frenagem.  Era a Haas de Esteban Gutierrez, o mexicano que recebia mais uma chance de integrar uma equipe na Fórmula 1. O carro do time americano teve problemas mecânicos, e Alonso, vindo com tudo atrás não teve tempo de parar devidamente ou desviar do bólido que estava à frente. E assim, ele bateu no carro do adversário e foi direto na parte interna do muro, ambos os choques que não reduziram muito a velocidade da McLaren, e assim o espanhol seguiu para a caixa de brita, alçando voo espetacular e que resultou em várias capotagens até parar de cabeça para baixo próximo ao muro no final da área de escape. O espanhol saiu por conta própria daquilo que restou do chassi, até muito pouco é verdade, e posteriormente destacou que se preocupou logo em bater no cinto e sair do cockpit pois a mãe dele acompanhava a prova ao vivo pela televisão. 

O bicampeão se apressou em não culpar Gutierrez pelo acidente, entendendo como um lance de corrida, mesma atitude tomada pela direção de prova, que evidentemente não teria motivos para punir algum dos pilotos. O ex-presidente da FIA, Max Mosley, disse em entrevista naquele período que se a batida tivesse acontecido 20 anos atrás, muito provavelmente ela seria fatal e mostrou como os carros atuais são mais seguros. Além disso ficou evidenciada mais uma vez o quanto a busca pela melhor segurança dos carros e autódromos pela categoria e a Federação Internacional propiciou melhores condições aos competidores desde a morte de Ayrton Senna em Ímola 1994.

Espanhol saiu atordoado do carro, mas ileso apesar da grande pancada que deixou o carro da McLaren em um estado lamentável. - Foto: Divulgação.

Na prova da Austrália do ano passado, a dinâmica do acidente ocorreu em um ponto já famoso por grandes escapadas e acidentes graves. Em 1996, prova inaugural em Melbourne, o inglês Martin Brundle, com a Jordan, também capotou após acertar outros carros ainda na primeira volta e conseguiu sair ileso. Já em 2001, o canadense Jacques Villeneuve, então correndo pela BAR, foi direto e bateu na traseira da Williams de Ralf Schumacher. Com o voo para o lado esquerdo e a pancada direto no muro ainda no ar, um dos pneus foi arrancado e atingiu justamente um fiscal de pista, Graham Beveridge, que estava do lado de fora, mas acabou falecendo. Foi justamente a partir desse acidente que a categoria, assim como já haviam feito outras nos EUA, implementou os cabos de aço para segurar melhor as rodas em caso de batidas. A de Alonso alcançou impressionantes 46 G, ou seja, 46 vezes a força da gravidade, tudo isso a cerca de 300 km/h. Só mesmo um atleta para aguentar tamanho impacto. Fernando acabou com fissuras nas costelas, mas nada de grave e por precaução foi substituído na prova seguinte pelo piloto reserva da McLaren, o belga Stoffel Vandoorne. O novato aproveitou a chance e mostrou serviço pontuando com um décimo lugar, talvez um dos fatores que motivaram o time com base em Woking, na Inglaterra, a contratá-lo como piloto efetivo para o ano de 2017 e justamente na vaga deixada pelo veterano Jenson Button.

Após o acidente, o espanhol ainda brincou nas redes sociais com um jornal que dizia "O homem mais sortudo vivo!" - Foto: Reprodução.

O chassi avariado da McLaren em Melbourne/2016 inclusive foi separado para ser reaproveitado, mas é certo que muito pouco do bólido pôde ser reutilizado devido à extensão dos danos. O prejuízo financeiro do time chegou a cerca de 1,2 milhão de dólares com a destruição do carro, incrível. Apesar disso, a caixa de marchas, o próprio chassi e o motor Honda puderam ser reparados e usados novamente, com ligeiras mudanças. Vale lembrar que em 2015, o experiente competidor já havia sofrido um acidente estranho e mal explicado até hoje, pelo qual bateu na curva 2 de Barcelona, aparentemente sem maiores danos, porém chegou a desmaiar no cockpit e o que se comentou no paddock foi que o piloto teria sofrido um choque elétrico, resultado de uma falha na unidade de potência. Uma das grandes batidas também da carreira do espanhol aconteceu ao final da complicada e emocionante prova do Brasil em 2003, ainda pela equipe Renault, quando Alonso acertou um pneu que estava na pista após a pancada de Mark Webber, e veio a bater muito forte no muro da subida da reta dos boxes, machucando a perna mas também sem maiores consequências.

Em 2016, Fernando Alonso teve até um alento ao conseguir brigar entre os dez primeiros e marcar pontos com mais consistência em relação a 2015, porém neste ano a pré-temporada mostrou que mesmo em uma nova era sem Ron Dennis mas com grande expectativa, o carro se apresentou de forma extremamente ineficiente, com diversos problemas na unidade de potência e quebras mecânicas, fazendo o time rodar muito pouco durante os treinamentos. Até quando vai a paciência do bicampeão é um detalhe que certamente se tornou alvo de apostas de muitos daqueles que acompanham o circo da categoria. Fato é que continuando desta forma, o contrato do espanhol que termina ao final de 2017 não deve ser renovado, podendo Alonso até encerrar a carreira na F-1 sem o sonhado terceiro título mundial que perseguiu por tanto tempo.


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