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As primeiras impressões dos testes na Fórmula 1


Durante os testes iniciais da categoria no circuito de Barcelona, na Espanha, tanto Mercedes quanto Ferrari demonstraram o poderio tecnológico e de qualidade técnica dos carros que inclusive já se destacam há vários anos. Porém um dos fatores que mais chamou a atenção nesse período foi o frio e até mesmo a neve, circunstâncias meteorológicas que fizeram as equipes perderem um dia inteiro (cada segundo é sempre muito precioso nestas atividades) para avaliar as novas máquinas de um ano que promete muitas disputas dentro das pistas mundo afora.

O que todos os fãs da categoria tanto esperavam: finalmente os bólidos rasgando as retas e curvas de Barcelona! Daí surgem as avaliações preliminares do que poderemos ver no ano de velocidade na F-1.

No último dia dos treinamentos durante a quinta-feira passada, Lewis Hamilton fez uma volta extremamente rápida (um verdadeiro temporal, conforme se fala nos boxes da categoria) e isso com os pneus médios, que não são o melhor composto para um desempenho avassalador logo de início e em poucos giros. O inglês comemorou o resultado, mas ainda mantendo os pés no chão sabendo do longo trabalho que ele e a equipe alemã ainda terão pela frente até o início do campeonato no final deste mês. Ainda sim o tetracampeão segue muito confiante e tranquilo com a equipe que está junto dele dentro da Fórmula 1. Acredito que a ideia é que eles começam o ano na frente, realmente. A tendência de início deve ser a dos últimos anos. Já a Ferrari chegou a liderar também em um dos dias com Sebastian Vettel e apresentou um carro com laterais bem diferentes do que estamos acostumados a ver. Muito mais chamativas e inovadoras que as do ano passado. Minha impressão é que eles não começam este ano tão absolutos conforme apareceram em 2017. Apesar dos problemas com uma roda traseira que se soltou no carro de Fernando Alonso no primeiro dia, a McLaren admitiu o problema na porca ao colocar o pneu na máquina do espanhol, porém demonstrou mais consistência com os motores da Renault, recém-chegados no time. Tanto o bicampeão e primeiro piloto como o do outro competidor, Stoffel Vandoorne, conseguiram rodar muitas voltas após um início mais difícil e até então de poucas avaliações. Alonso acredita que eles estão na briga.

Nesse momento é tudo muito preliminar e as equipes colhem o máximo de dados e informações para em pouco tempo buscarem soluções de acerto no carro, além de melhorias aerodinâmicas e de motor. As coisas ali, dependendo, podem mudar bastante, é claro. Porém o time da Red Bull, até aqui, parece consistente, sim. Os carros do grid não estão geralmente sofrendo com quebras neste ano de 2018. É verdade que na chuva a interpretação das voltas realizadas fica comprometida, mas mesmo assim já deu para ter alguma ideia do que foi feito. O time dos energéticos parece ter perdido aquele “terreno” no qual se aproximou das ponteiras Mercedes e Ferrari na segunda metade do ano passado, mas ainda sim tudo leva a crer que possa se manter na terceira força das participantes. A quarta força parece embolada com a própria McLaren e junto a francesa Renault nessa disputa. Se os carros amarelos e pretos não ficaram no topo da tabela de tempos ao menos também demonstraram um tanto de consistência e mais força para lutar até mesmo na frente da Force India, equipe que demonstrou confiabilidade nos bólidos e resultados expressivos nas últimas temporadas, quase sempre na zona de pontuação.

A Toro Rosso, equipe B da Red Bull, é cercada de grandes expectativas apesar de receber o até então problemático motor Honda. Depois das tensões e falta de resultados dos nipônicos com a McLaren nos últimos anos, o "casamento" com o staff dos energéticos parece bem nascido.

A Williams mostrou um carro com algumas linhas mais diferentes dos últimos anos e apesar disso, a princípio não deve surpreender. Fez o dever de casa nos treinamentos, sem nada espetacular até aqui e espera que os jovens pilotos Stroll e Sirotkin possam terminar as provas apesar da pouca experiência. A Toro Rosso, equipe B da Red Bull, está cheia de novas esperanças. A chegada do novo motor Honda era cercada de expectativas e até preocupações ao longo de todo o circo da categoria. Toda essa questão foi colocada, é claro, pelo que passaram os japoneses na parceria com a McLaren durante os últimos três anos. Porém o time de Pierre Gasly e Brendon Hartley foi um dos mais velozes dos testes na última semana e conseguiram dar muitas voltas em sequência. A avaliação dos pilotos foi muito boa e eles abriram o sorriso nas entrevistas sonhando com uma temporada de bons resultados. Quando o carro é bom o piloto sente logo “de cara”. Se por acaso em ritmo de prova e chegada nas corridas conseguirem até uma sequência melhor que a McLaren os ingleses no time adversário não vão querer acreditar muito nessa hipótese!

Teremos que nos acostumar com esta visão: os carros com o tão discutido Halo, nova proteção de segurança para todos os pilotos na Fórmula 1. A maioria dos pilotos aprovou o item, porém também teve competidor reclamando da nova forma para entrar e sair dos bólidos.

Já o elenco da Haas foi super discreto na minha opinião, não trouxe nenhuma inovação absurda e a dupla de pilotos segue a mesma: Grosjean e Magnussen. O time americano entra para mais uma temporada com alguns anos de experiência nas costas mas isso não vem representando mais conquistas positivas ou até surpresas boas. Kevin Magnussen chegou até a se posicionar bem em um dos dias de treinamentos já que ficou entre os dez primeiros. Mas não vejo muitos indícios de evolução aí, vamos aguardar... Os dois pilotos já foram mais combativos porém ainda sim por oportunidades se envolvem em problemas. Dupla explosiva! Será se ela dura? Talvez aí esteja aberto um caminho para pilotos americanos em outro momento no futuro. Muitos fãs e especialistas julgam impossível isso acontecer em curto prazo, mas na Fórmula 1 nunca diga nunca! Os testes seguem nessa semana e com a expectativa de um tempo melhor, já que a mãe natureza deve colaborar bem mais em Barcelona. Desta forma as equipes poderão fazer mais ajustes e tentar o pulo do gato poucas semanas antes da grande e esperada abertura da temporada oficial em Melbourne, na Austrália, no dia 25 de março. Semana que vem nos encontramos novamente por aqui, galera! Grande abraço e até a próxima!!!

Por James Azevedo - texto a ser postado também no site do Pop Bola Esporte Clube.

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