Montoya aos 23 anos, estreando na Indy em 1999 - Foto: champcar.com
Por James Azevedo
Se por um lado a Fórmula Indy
sentirá a ausência do tetra-campeão Dario Franchitti, que anunciou sua
aposentadoria após recomendações médicas para que se afastasse das pistas após
um grave acidente na etapa de Houston deste ano, onde fraturou uma vértebra e
teve concussão cerebral, por outro lado o colombiano Juan Pablo Montoya
(campeão da categoria e vencedor das 500 milhas de Indianápolis, com passagens
importantes pela F1 e NASCAR nos últimos anos) está de volta após um hiato de
13 anos, mas agora por outra poderosa escuderia do certame, o Team Penske.
O então jovem Montoya corria pela
extinta F-3000 em 1998 (a até então categoria de acesso) e conquistou o título
daquela temporada com quatro vitórias. O caminho mais óbvio seria subir para a
poderosa Fórmula 1 no ano seguinte. Mas não foi o que aconteceu. Mesmo sendo
test-driver da equipe Williams, o dono, Frank, resolveu trazer de volta o
italiano Alessandro Zanardi, que conquistou dois campeonatos consecutivos pela
equipe Ganassi nos Estados Unidos, e desta forma, fez uma troca, liberando
Montoya para correr em uma outra categoria top, justamente na vaga deixada por
Zanardi.
Juan Pablo aproveitou a
oportunidade e tomou de assalto a categoria com uma pilotagem precisa, mas ao
mesmo tempo agressiva e muito confiante, e aliada à perfeição e competência de
seu time, ganhou sete corridas e levou troféu de campeão em seu ano de estréia,
o que foi surpresa para muitos, já que não possuía experiência no traçado oval,
e conseguiu inclusive três de suas conquistas neste tipo de pista quando
alcançou o primeiro lugar em Nazareth, Rio e Chicago.
Montoya rumo a primeira vitória na Indy em Long Beach, 1999. - Foto: champcar.com
No ano seguinte, o time chefiado
por Chip Ganassi abandonou a receita de sucesso com uma nova configuração de
equipamento, saindo o chassis Reynard e motor Honda, e chegando o conjunto
Lola-Toyota, ainda em desenvolvimento. Ficou claro desde o início da temporada
2000 que apesar do talento do piloto, ele não disputaria mais uma taça em seqüência,
porém alheio a isso, Montoya conseguiu três vitórias no extinto campeonato
conhecido como CART e mais do que isso, estreou e venceu a prova mais
importante do mundo, as 500 milhas de Indianápolis pela liga rival, a IRL,
categoria essa que disputava a atenção e audiência como “segunda Fórmula Indy”
no mundo do automobilismo.
Montoya vence as 500 milhas de Indianápolis em 2000 na categoria rival, a IRL. - Foto: AP.
Após dois anos nos EUA,
finalmente o momento de alinhar na categoria máxima do esporte a motor havia
chegado, e a Williams o chamou para estrear em 2001 e demonstrar toda a sua
vontade e força de vitória em um certame que começava a ser dominado por
Michael Schumacher. A chegada de Juan, inclusive motivou vários fãs a
acreditarem que ele de fato bateria o alemão da Ferrari, e logo na sua segunda
corrida, o colombiano mostrou o seu cartão de visitas ao realizar uma
ultrapassagem arrojada e arriscada em cima de Schumacher no ‘S do Senna’ em
Interlagos e assumir a ponta, porém abandonado voltas depois devido a um
acidente. Mais tarde chegaria à gloria com um triunfo com sua primeira vitória
na F1 acontecendo no mítico circuito de Monza, em um final de semana ainda
tenso para todos com os recentes atentados contra o World Trade Center. E
seguiu sempre se mostrando combativo, inclusive com a conquista de muitas pole
positions, sendo treze no total de sua carreira, mas sempre com poucos
resultados expressivos em corrida. Já em 2003 após vitória em outro local
importante, Mônaco, seguiu com chances de campeonato até a penúltima etapa, nos
EUA, mas uma punição e um sexto lugar no final o relegaram ao terceiro posto na
classificação geral, atrás do finlandês Kimi Raikkonen e de mais um título do “rolo
compressor” Schumacher.
Montoya posa para fotógrafos em sua estréia na Fórmula 1 - Austrália - 2001 - Foto: Schlegelmilch
Para 2005 assinou com outra
equipe inglesa de expressão, a Mclaren, e surgiu mais magro e motivado depois
de constantes críticas ao seu peso e sua dedicação ao seu trabalho. Apesar de
novamente não disputar o título, conquistou três vitórias e teve um ano
consistente, finalizando em quarto na tabela. Já em 2006 conquistou pontos
importantes, mas o seu entendimento com o time já não era mais o mesmo e o
clima ficou pesado principalmente com o frio chefão Ron Dennis, que após um
acidente múltiplo na primeira curva da prova nos EUA, que eliminou inclusive o
companheiro de equipe Raikkonen, não pensou duas vezes e dispensou o piloto
colombiano no meio do campeonato.
Juan Pablo estreando pela Mclaren na Austrália em 2005 - Foto: Schlegelmilch
Sem equipe e desmotivado com as
pressões do mundo competitivo da categoria, muitos imaginavam que aí sim o
velho campeão retornaria para as pistas Indy. Mas Montoya surpreendeu o mundo
ao anunciar ainda no mesmo ano, o seu ingresso na competição de carros de
turismo NASCAR, famosa por provas longas e por correr principalmente em pistas
ovais. Sua equipe, seria chefiada pelo velho amigo Chip Ganassi, e desta forma,
com menos pressão e em um ambiente mais favorável ao seu estilo descontraído,
parecia a combinação perfeita para o sucesso. Só que não foi bem assim, onde em
oito temporadas ganhou muito mais dinheiro que em seus tempos de F1 e Indy, mas
acumulou poucas vitórias, sendo elas todas em circuitos mistos, tanto pela
categoria de acesso, a Nationwide, quanto pela principal, a Cup, e só chegou
uma vez na disputa decisiva dos 12 primeiros do campeonato, o chamado Chase, no
ano de 2007. Conquistas vieram apenas em provas esporádicas com carros protótipos onde venceu por três vezes as famosas 24 horas de Daytona.
Montoya e seu pai (pela direita na foto) durante a última prova do colombiano na F1 - EUA 2006 - Foto: Schlegelmilch
Após tanto tempo buscando o
sucesso em outros locais, era chegada uma nova mudança de ares, e mais uma vez,
Montoya surpreendeu o mundo ao anunciar de repente a sua transferência para o
time da Penske para o ano de 2014 na Indycar, onde correrá com um equipamento
competitivo e terá companheiros de equipe muito experientes ao seu lado, com o
trio formado por Will Power e o tri-campeão da Indy 500 Hélio Castroneves.
Desde o anuncio, e na expectativa do retorno, o piloto n° 1 de 1999 começou
intensivamente a preparação física para estar de acordo com um bólido de fórmula
e suas maiores exigências para com o corpo de um competidor de automobilismo
deste nível. Apesar de ser um nome famoso pelo mundo, demonstrou humildade e
animação ao testar pela primeira vez a sua máquina do próximo ano: “Ainda não acredito que estou aqui”,
declarou Montoya, segundo o site da “Autosport”. “Olho o carro e tudo. Meu nome
no carro. É realmente excitante. É bom porque todos estão animados e estou
voltando aos fórmulas”.
Montoya na NASCAR pela equipe Chip Ganassi - Foto: Divulgação
A expectativa do próprio piloto, da mídia e dos torcedores é grande.
Resta saber se de fato Juan Pablo Montoya conseguirá retornar aos dias de
glória após tanto tempo. A reposta começará a se desenhar no dia 30 de março,
data da abertura do campeonato de 2014, em Saint Petersburg, na Flórida.
A pose com o novo capacete e carro antes do primeiro teste - Foto: Divulgação
No último mês de novembro, o piloto realizou seu primeiro teste com a Penske em Sebring, na Flórida - Foto: John Hendrick









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