Massa na sede da Williams, em Grove, Inglaterra - Foto: Divulgação
Por James Azevedo
Depois de seis temporadas correndo pela Ferrari e doze anos ao total sendo contratado pela Scuderia italiana como integrante de seu cartel de pilotos (mesmo correndo por outros times como a Sauber), Felipe Massa finalmente mudará de ares e correrá pela Williams em 2014. Muitos acreditam que a renovação de ambiente e a não presença de um piloto decisivo como Fernando Alonso possam favorecer as coisas e trazer motivação e a paz que faltavam para o brasileiro voltar a alcançar grandes resultados em sua carreira. Mas isso faz sentido?
Massa com uniforme da Ferrari em 2013 - Foto: Getty Images
Massa disputou ao todo na F1 193
Grandes Prêmios, com 11 vitórias, 36 pódios e um vice-campeonato (2008) em uma
carreira de onze temporadas. Um currículo respeitável, mas se formos olhar os
últimos cinco anos, ele conquistou apenas nove pódios sem ganhar Grandes Prêmios, o que para um piloto da
Ferrari se configura muito pouco, independente da qualidade de seu carro. Mas dois fatores podem ser considerados para
este desempenho abaixo da média: o grave acidente de 2009, onde houve o impacto
de uma mola do carro de Rubens Barrichello com o seu capacete, fazendo-o bater
na barreira de pneus na Hungria, resultando em uma fratura frontal no crânio e
um pequeno dano cerebral que se curaram com o tempo, mas Felipe perdeu as oito
etapas restantes daquele ano e só retornou em 2010.
Ainda por suas equipes antigas, Massa e Maldonado caminham pelo paddock da F1 - Foto: Sutton
E foi justamente na
temporada seguinte que ele sofreria outro duro golpe: a ordem da equipe para
que deixasse Fernando Alonso passar pela vitória durante o GP da Alemanha. A
frase pronunciada pelo rádio e repetida na transmissão foi o hoje conhecido: “Fernando
is faster than you”. Massa entregou a posição e a partir dali, começaram uma
série de polêmicas e pressões de que o time vermelho realmente privilegiava
apenas um piloto, no caso Alonso, assim como já fez entre Schumacher e
Barrichello no passado. Para muitos especialistas da área, foi ali sim o grande
baque que influenciou os resultados do piloto brasileiro até então, onde o
clima mudou e Massa perdeu a motivação e garra conhecidos dele da primeira fase
na Ferrari onde alcançou todas as corridas que ganhou até hoje.
Em todas essas temporadas
disputadas, ele sempre esteve ameaçado de ter sua vaga substituída no time, mas
isso nunca de fato se concretizava, sendo que ao final de 2013, finalmente foi
anunciado que o finlandês Kimi Raikkonen de forma surpreendente retornaria ao
time que o mandou embora em 2009. Restou a Felipe procurar outra “casa” onde
não precisasse pagar pelo cockpit, e após alguns meses de mistério e
negociações com Lotus, Mclaren e Williams, a última chegou a um acordo para
fechar com o piloto e o colocar ao lado de Valteri Bottas para Fórmula 1 em
2014.
A dupla de 2014 da Williams: Bottas e Massa - Foto: Divulgação
A esperança dos fãs resulta no
fato da equipe com base em Grove estar trocando os motores Renault (que não se mostrou
eficiente no final das contas) pelo Mercedes e fazendo uma série de
contratações em seu staff técnico (Como Pat Symonds, ex-Renault e as prováveis
vindas do engenheiro de Felipe na Ferrari, Rob Smedley, e do diretor técnico
Ross Brawn, da Mercedes) para reformular a equipe e retomar a fase de glórias com
títulos onde o último remonta ao longínquo ano de 1997 com Jacques Villeneuve.
Já a última vitória é mais recente, com Pastor Maldonado na Espanha em 2012, um
verdadeiro milagre. E justamente Maldonado é quem abriu vaga para Massa ao deixar
a Williams e levar seu polpudo patrocínio da petrolífera PDVSA para a Lotus.
Com todas essas modificações em
um ano que os motores voltam a ser turbocomprimidos após vinte e três anos e a configuração dos
chassis também será alterada, torna a ordem de força dos times um mistério
onde, pelo menos a princípio, um time mais fraco de 2013 pode dar o pulo do
gato com uma solução aerodinâmica ou pacote competitivo e alcançar grandes
resultados. Então as chances a princípio são boas de marcar pontos e conseguir alguns pódios talvez. A grande virada seria uma história parecida com a BrawnGP de 2009, por onde correram Rubinho e Jenson Button. O brasileiro voltou a vencer na categoria e o inglês conquistou o campeonato daquele ano em uma equipe nova que encontrou soluções no carro à frente de seus rivais.
Logotipo oficial da equipe Williams
Nesta temporada ainda pela equipe de Maranello, Felipe finalizou o ano em oitavo com 112 pontos. Desta forma é esperar para ver se ele acertou em sua
mudança e se sua motivação estará de fato em alta com um novo desafio em mãos.





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