Pular para o conteúdo principal

O triste momento da equipe Williams na F-1


Em 2018 a tradicional equipe Williams não vem fazendo uma boa temporada na Fórmula 1. O time inglês amarga péssimos resultados e pouco rendimento na pista. Os pilotos Lance Stroll e Sergey Sirotkin são ainda bastante jovens, mas ainda sim pouco podem fazer diante de um carro que teve problemas técnicos desde os testes de inverno no início do ano. A paciência dos profissionais e engenheiros, portanto, vai diminuindo cada vez mais e os conflitos internos tomam conta do cenário.


Os únicos quatro pontos da Williams neste ano vieram das mãos do canadense Stroll, após lutar muito para obter o resultado (um oitavo lugar) durante o GP do Azerbaijão no mês passado. Apesar de finalizar entre os dez primeiros, a realidade tem sido bem mais dura para uma equipe que inclusive já abrigou diversos pilotos brasileiros ao longo da história como José Carlos Pace (primeiros tempos do time), Nelson Piquet e Ayrton Senna. São sete títulos de pilotos e nove de construtores no decorrer do tempo, porém o último caneco veio no ano de 1997 com Jacques Villeneuve.

O que talvez explique o mau momento da equipe britânica que teve início oficialmente em 1977 pode estar relacionado com erros de um passado relativamente distante. Durante a década passada, a Williams teve um “casamento” de vários anos com a montadora BMW naquilo que rendeu em vitórias importantes e até a volta ao topo para a disputa do título. Porém uma nova taça de campeão nunca retornou para o time com sede em Grove, na Inglaterra. Em 2005, o elenco de Frank Williams e companhia não chegou a um acordo com a montadora alemã, afinal desejava manter preferências e aspectos de trabalho próprios do time além de outras questões que pesaram na negociação.



E assim nunca mais a equipe voltou a fazer um acordo com grandes montadoras. O uso dos motores Toyota e também a volta dos propulsores da Renault alguns anos depois trouxeram poucos resultados. Um alento foi a vitória do venezuelano Pastor Maldonado (quem diria) no GP da Espanha em 2012. Podemos dizer realmente que foi um ponto completamente fora da curva na única conquista do time durante a atual década. Com a ausência de uma grande parceria e menos dinheiro em caixa, ficou difícil desenvolver melhor um carro como acontecia antigamente e assim a Williams passou a recorrer cada vez mais aos pilotos pagantes (aqueles que não necessariamente tem talento mas trazem empresas com dinheiro para estampar os carros.) O declínio e a aposentadoria de Patrick Head, diretor e co-fundador do time também não foram bons aspectos para o grupo.

Em 2014 a equipe passou a contar com Felipe Massa e o finlandês Valtteri Bottas. A chegada dos motores da Mercedes foi outra mudança importante. Assim a Williams foi feliz com anos de resultados mais animadores. Mas no ano passado o carro já não era excepcional e Massa sofreu para buscar os pontos em diversas provas. E neste ano o projeto foi mal nascido, ou seja, quando o bólido apresenta problemas sérios de acerto desde o início dos treinamentos além de outros aspectos técnicos. Nem a chegada do competente diretor técnico Paddy Lowe a partir do ano passado remediou a situação. As expectativas de que a presença dele mudaria os rumos do time foram por água abaixo pelo menos até esse presente momento.


Portanto a Williams é praticamente o último time “garagista” na categoria, aquele dos tempos de boxes sujos com óleo e graxa na então romântica Fórmula 1. Ainda sobrevive ao momento moderno do esporte e se reformulou muito e em diversas vezes para isso. Mas ainda precisa se modificar bastante e contar com a sorte de se juntar a investidores que possam agir no tempo certo e da melhor maneira. A saída da Martini, marca de bebidas, é um fator que não ajuda para o ano de 2019 e eles precisam da sorte e competência para fecharem acordo com outra grande marca. O ideal seria eles não dependerem tanto só do dinheiro de Lawrence Stroll, pai de Lance, que investe bastante no time. A influência do bilionário canadense pode estar ditando rumos que venham a piorar as decisões na equipe. Não dá para um nome histórico como a Williams depender quase que apenas só disso e infelizmente tomar o caminho de outras equipes lendárias e que ficaram pelo caminho como a Tyrrell ou a Jordan. Um grande abraço, galera, e até a próxima semana com o importante GP de Mônaco!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

GP do Canadá traz boas memórias de Gilles Villeneuve

A pista da Ilha de Notre Dame, no Canadá, será palco da sétima etapa da Fórmula 1 2017 no próximo final de semana. O traçado que mistura elementos de circuito de rua e também pista permanente (as tradicionais) sempre traz na memória dos fãs belos momentos de Gilles Villeneuve, herói que nasceu no país e deu verdadeiros shows com o carro da Ferrari naquele local. A percurso em Montreal estreou na categoria no ano de 1978, mas vale lembrar que a F-1 já havia corrido antes em solo canadense tanto em Mosport como também Mont-Tremblant. Porém naquela oportunidade de um local para disputa no qual os pilotos ainda não conheciam, foi exatamente o piloto local Gilles Villeneuve que ganhou a primeira corrida da carreira pilotando o carro da Ferrari. Era apenas o segundo ano do competidor no topo do automobilismo mundial. Mesmo tendo a responsabilidade de substituir Niki Lauda na  Scuderia , ele mostrou todo o potencial logo de cara para a felicidade do  comendador  Enzo ...

F-1 passa a olhar mais para o lado humano buscando se reinventar como esporte

O GP da Espanha reservou muitas emoções, inclusive na briga pela ponta na qual Hamilton e Vettel protagonizaram um duelo marcante e que deve sinalizar o que teremos na sequência do campeonato, mesmo com alternâncias entre alguns resultados. Podemos citar o próprio inglês como destaque, a bela largada de Vettel, o excelente desempenho dos dois carros da Force India, e ainda o talento de Wherlein para levar um fraco carro da Sauber ao oitavo lugar. Além disso a prova ainda teve Fernando Alonso pela primeira vez finalizando um evento da F-1 no ano com a McLaren fora da zona de pontuação, mas ainda comemorando o “feito” obtido na terra natal.  Bastou Kimi Raikkonen abandonar a etapa com uma suspensão destruída que Thomas rapidamente demonstrou a tristeza de ver o ídolo fora da disputa. A reação espontânea de um fã mais que especial. Foto: Reprodução de TV. Porém os holofotes, ou boa parte deles, foram direcionados para o jovem francês Thomas Danel, de apenas 6 anos! O efusivo...

Uma Indy 500 com menos adrenalina em 2018

O australiano Will Power venceu a edição 102 das 500 milhas de Indianapolis no último domingo, porém as poucas disputas ao longo da prova desagradaram a maioria dos fãs e aficionados da Fórmula Indy. Mesmo especialistas e profissionais que trabalham cobrindo o certame também expressaram a surpresa de assistir uma das corridas que menos chamaram a atenção nos últimos anos em Indiana. O renovado kit aerodinâmico rapidamente se tornou a aprovação estética total por parte de todos, mas a falta de competitividade nas provas, tanto na Indy 500 como por exemplo em Phoenix há alguns meses evidencia que mais mudanças são necessárias. O americano Ed Carpenter correndo com a equipe própria alcançou mais uma impressionante pole position no mítico oval e foi um dos ponteiros durante a maior parte da corrida, mas lamentou que não tenha arriscado tanto para brigar pela ponta da maior etapa do automobilismo mundial. Terminou na segunda colocação, um resultado e tanto para ser aplaudido. Os carro...