Começou a temporada 2018 da
Fórmula 1 e segue mais um período no qual o finlandês Valtteri Bottas, de 28
anos, continua bastante pressionado na esquadra alemã da Mercedes. Ao ser segundo
piloto do time e tendo ocupado o carro que era até então de Nico Rosberg, o
início da importante fase na equipe não dá mais tempo para desculpas por parte
do jovem piloto e assim ele precisa entregar resultados fortes e consistentes o
quanto antes e conforme for possível. A batida nos treinos pelo GP da
Austrália, abertura da temporada, e apenas a oitava colocação final durante a
etapa com certeza não deixaram muitos sorrisos em Toto Wolff e Niki Lauda, os
chefes do piloto. Bottas realmente necessita ser o competidor que apresentou
alto nível durante as três vitórias no ano passado. Apesar disso sempre vale
lembrar que Bottas teve um 2017 com diversos momentos em altos e baixos
rendimentos, e justamente esse detalhe é crucial na categoria: a constância de
resultados.
O competidor que passou quatro
anos na Williams (três deles como companheiro do brasileiro Felipe Massa) entra
na quinta temporada pela categoria com 22 pódios conquistados como retrospecto
favorável, sendo 13 deles a bordo da Mercedes. Podemos interpretar que ele fez
milagre no time que o projetou na F-1 afinal nem sempre teve um bólido
competitivo. Bottas demonstrou até então qualidades como velocidade pura e
audácia, características históricas e pertinentes dos finlandeses, como podemos
relembrar Mika Hakkinen e o próprio Kimi Raikkonen, por exemplo. Muitos fãs,
torcedores e especialistas sempre julgaram que esse assento deveria pertencer a
outro piloto como Pascal Wehrlein ou até mesmo o jovem Esteban Ocon. Wehrlein,
alemão, e considerado como um provável sucessor de Lewis Hamilton não teve como
demonstrar o talento até hoje na falta de um carro mais competitivo a estar
disponível. As habilidades de Pascal foram até contestadas em relação aos
rivais devido à falta de resultados, portanto fica toda a dúvida se ele poderia
fazer realmente diferente de Valtteri ao lado de um companheiro tão experiente,
duro e difícil de ser batido como Hamilton. Ocon vem mostrando rapidez, aprendizado
e evolução realmente dignos de nota além de pontuações marcantes e regulares
com o carro da Force India. É outro nome muito apontado caso o atual segundo
nome da Mercedes venha a ter um 2018 pífio.
O próprio Lewis Hamilton declarou
recentemente que deseja ver Valtteri Bottas disputando mais vitórias e pódios
bem próximo dele. Lógico que o tetracampeão não quer o companheiro superando seus
resultados, mas falando desta forma já coloca mais pressão no finlandês e o
chama para a responsabilidade. Assim, a luta no campeonato dos construtores
também fica mais fácil contra a Ferrari e os dois pilotos que continuam sedentos
por mais vitórias: Vettel e Raikkonen. A pressão na Scuderia também é absurda,
sempre foi, mas a da Mercedes continua sendo também quase que brutal para
manter o nível e padrão apresentados nos últimos anos quando foram os melhores
dos melhores! Eu acho que Bottas pode sim retomar uma sequência boa de
resultados e ao menos acompanhar Hamilton nos pódios. O staff do time da
estrela de três pontas é super completo, experimentado e com exímios líderes
com personalidades ideais e já comprovadas para o sucesso.
Valtteri vem aprendendo e tem
muito mais ainda a aprender, mas os momentos de luz e brilhantismo mostraram
que de fato ele não está ali por acaso, só precisa tornar essas apresentações
muito mais regulares e incontestáveis. Tem tudo para isso. Pode não ser
excepcional, fora-de-série, piloto que chamou a atenção de todas as manchetes
de jornais especializados, mas ainda sim tem o talento nato. Bottas não é
nenhum Daniil Kvyat, o russo que veio demonstrando inconstâncias terríveis além
de péssima concentração e força mental para se manter no circo da Fórmula 1.
Passou anos errando, errando e foi sendo rebaixado de equipes e condições.
Mesmo com diversas chances sendo dadas ao namorado de Kelly Piquet (a filha do
tricampeão) ele de fato perdeu o espaço no certame. Não acho que isso vá
acontecer com Bottas. Eu acreditava nele batendo mais de frente com Hamilton e
talvez chegando em algumas ocasiões no nível de disputa que Rosberg ofereceu.
Porém com mais de um ano dos dois dividindo os boxes da Mercedes já temos
provas que isso ficou realmente mais difícil. Se não é excepcional, Valtteri
tem a chance da vida e precisa agarrá-la com todas as forças para se manter
trabalhando por mais anos aonde segue neste momento. A próxima oportunidade de
mostrar serviço é já no final de semana que vem durante a etapa do Bahrein, um
circuito mais convencional, porém extremamente rápido. A vantagem é que na
prova de 2017 Bottas foi o pole position e chegou em terceiro lugar, portanto o
retrospecto é bastante favorável. Um grande abraço, galera, e até a semana que
vem!



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