Mesmo com o avanço da tecnologia e carros mais velozes o GP de Mônaco segue com muita importância no calendário da Fórmula 1 há várias décadas. Ainda que tenham acontecido até ameaças de se retirar essa prova da disputa na categoria ela segue como a mais importante entre as equipes e os pilotos. Para os fãs é a oportunidade de assistir carros passando bem próximos aos guard-rails. As vezes até raspando os muros de proteção. No único traçado com um túnel na temporada, o glamour faz parte de toda a extensão na qual é disputada a corrida, tanto na pista como nos boxes.
A presença de convidados ilustres e astros da música, cinema e esportes sempre é uma garantia de mais holofotes voltados aos dias de competição em Monte Carlo. É uma prova tão diferente que apenas nesta oportunidade os treinos livres são disputados na quinta-feira, e não sexta, como de costume. No tradicional dia em que normalmente os competidores começam a acertar os carros para a classificação e a etapa, em Mônaco todos participam das diversas festas oficiais que tomam conta do principado. Em um circuito que a potência do motor tem menos “peso” em relação ao resultado final, talentos costumam aparecer com mais facilidade e provas loucas, verdadeiras loterias onde qualquer um pode vencer também foram registradas mais vezes na história. A primeira corrida aconteceu em 1929, ainda na era pré-F-1 (a categoria teve início em 1950) e o maior vencedor foi justamente o brasileiro Ayrton Senna que subiu no degrau mais alto do pódio em nada mais nada menos que seis oportunidades! Para o “Rei de Mônaco”, cinco dessas conquistas foram seguidas. Entre 1989 e 1993 todas obtidas com a lendária McLaren vermelha e branca. A outra vitória em Mônaco, a primeira delas, veio há exatos 30 anos com o carro amarelo da Lotus com patrocínio da Camel. Senna deveria ter vencido até uma vez mais no ano de 1988, porém errou sozinho e bateu na curva que leva para o túnel quando estava quase a uma volta de vantagem para Alain Prost, companheiro de equipe na McLaren. O episódio foi um divisor de águas na carreira do tricampeão que a partir dali passou a se concentrar ainda mais na pilotagem e não aliviar o pedal do acelerador mesmo que estivesse com muita vantagem. Antes de Senna, o então piloto a ser batido era Graham Hill, pai de Damon, que foi vitorioso por cinco vezes e ficou conhecido como o “Mister Mônaco”.
Em anos recentes, Nico Rosberg venceu três vezes consecutivas (entre 2013 e 2015) e Lewis Hamilton levou a melhor em 2016 e 2008. Já o espanhol Fernando Alonso, que resolveu abdicar de correr na principal prova da categoria para disputar a Indy 500 no mesmo dia 28 de maio neste ano alcançou a taça de primeiro lugar em 2006 e 2007. Sebastian Vettel, atualmente correndo pela Ferrari, venceu em 2011 com a Red Bull. Apesar de circuito muito estreito (Nelson Piquet dizia que era como andar de bicicleta na sala de casa), a briga entre Ferrari e Mercedes deve ganhar um capítulo à parte todo especial. Se chover e a ordem do grid ficar embaralhada (o que já aconteceu algumas vezes), vencedores ilustres podem aparecer. Foi assim que Olivier Panis conseguiu a última vitória da Ligier e única da carreira dele em 1996. Naquela ocasião apenas três pilotos terminaram a louca corrida! E em 1972, outra prova afetada pela chuva, um improvável Jean Pierre Beltoise conseguiria também vencer de forma única, sendo inclusive a derradeira conquista da equipe inglesa BRM. Em 84, Senna com o modestíssimo carro da Toleman quase venceu Alain Prost. Porém, a corrida foi interrompida pela chuva antes que isso acontecesse e o francês se deu melhor. Mônaco é a própria história do esporte a motor que continua viva mesmo em um circuito de mais baixa velocidade, porém ainda considerado perigoso. A essência da Fórmula 1 segue intacta a cada grande prêmio disputado nesta especial pista.
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