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(OFF) O show de Paul McCartney – por James Azevedo – o relato de um fã


Acompanhar o ramo da música e ver shows sensacionais ou acontecimentos históricos relacionados aos talentos de vocalistas e demais integrantes de uma composição de talentos que reproduziam faixas célebres sempre foi um de meus passatempos favoritos. Entender de cada banda, cada gênero musical e sua importância ao longo do tempo foram detalhes naturais e essenciais em minha vida. E a influência sempre esteve presente em minha vida. Meu pai e meus tios sempre ouviram bastante as bandas dos anos 1960, 70 e 80, principalmente os grandes clássicos no cenário rock e pop. O meu nome, sugerido justamente por meu pai, também seguiu essa linha. James veio de James Paul McCartney, o nome completo do baixista e um dos principais compositores dos Beatles, uma das maiores bandas de todos os tempos.

Parecia impossível acontecer alguma situação na qual eu pudesse assisti-lo ao vivo. Os ingressos geralmente eram muito caros e não se tinha toda essa frequência para que Sir Paul estivesse no Rio de Janeiro para uma exibição de seus principais hits. Eu achava impossível vê-lo ao vivo tão cedo, apesar que se apresentou no Engenhão em 2010, e na época, sem ingresso, cheguei a ir do lado de fora do Estádio para ouvir alguma coisa. Hilário! As pessoas na calçada estavam felizes e comemoravam tal evento. Sempre fui fã da vontade de trabalhar de McCartney, além da criatividade, empenho, esforço e desejo de desempenhar sempre o melhor trabalho. Como todo bom geminiano (assim conforme sou do mesmo signo), ele é falante, bom comunicador e gosta de lidar com textos, composições e palavras. Melhor falar dele, claro! A referência eterna e máxima de workaholic. Chegou aos 78 anos no último mês de junho ainda lançando álbuns e realizando turnês ao redor do mundo. E não dá sinais que vai parar tão cedo.

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Paul McCartney durante show na HSBC Arena no Rio de Janeiro em 2014. Foto: Reprodução de imagem do Youtube.

Portanto o ano era 2014, época de Copa do Mundo no Brasil e grandes expectativas com relação ao time canarinho. O elenco acabou não correspondendo em campo, e totalmente ao contrário de qualquer das melhores expectativas, sofreu o famoso 7 X 1 da Alemanha no Mineirão e ficou de maneira estigmatizada para sempre com esse episódio. A vida tem de suas surpresas. Quem poderia imaginar? Tive a oportunidade de trabalhar no setor de TI da Copa do Mundo no Centro de Imprensa que era localizado no RioCentro. E acompanhar tudo isso por aquela ótica foi marcante e um mar de emoções, das mais inesperadas. Quando o período dedicado a esse trabalho acabou e consequentemente o contrato também se encerrou, voltei para minha vida normal e focando ainda mais nas aulas e conteúdos da faculdade de jornalismo na qual eu cursava naquela fase.

Passados alguns meses, começaram os rumores e boatos sobre a vinda de Paul McCartney ao Brasil para shows em algumas praças. Não se mencionava o Rio de Janeiro ainda, os locais eram Vitória, no Espírito Santo, e mais shows acontecendo em Brasília e também na capital em São Paulo. Quando Paul veio ao Rio para se apresentar pela primeira vez em 1990 e no Maracanã, meus pais foram ao show e ficaram na arquibancada. Um dia memorável, sem dúvida, e ainda mais ouvindo deles sobre os detalhes de acompanhar tal acontecimento. Na época eu tinha três anos e fiquei na casa da minha avó, enquanto eles estavam no meio daquela multidão fanática pelos Fab-Four e que tinha os sucessos na ponta da língua para entoar um grande coro junto da banda também então composta por Linda McCartney, esposa de Paul, mas que faleceu após batalha contra o câncer de mama em 1998.

Quando chegou o final de outubro naquele ano de 2014 saiu de forma até inesperada a notícia de que Paul McCartney estenderia a turnê brasileira também com um show a ser realizado no Rio de Janeiro, o primeiro em local fechado, e que teria como palco a HSBC Arena, na hoje considerada Barra da Tijuca, mas que sempre foi de fato Jacarepaguá, terreno dos Jogos Olímpicos de 2016 e que anteriormente abrigava um dos principais autódromos para o esporte a motor no mundo. A data seria em 12 de novembro, uma quarta-feira, dia mais atípico para shows de tal magnitude, na minha opinião, e eu ainda teria aula da faculdade no Méier. Que situação! Outra preocupação era que a venda seria apenas online pelo site oficial do evento no Rio, então eu precisaria ter paciência e torcer que o servidor não travasse e que os ingressos se esgotassem logo. No final das contas deu tudo certo, consegui comprar o ingresso a um preço acessível, já que tinha desconto de estudante e aí seriam os longos dias de espera e ansiedade até que tal data chegasse. E ao procurar pessoas em comum e próximas que também compareceriam ao show, encontrei uma amiga de faculdade que também estava com ingresso comprado. Aí era só convencer minha mãe a emprestar o carro para partir rumo ao evento no dia 12.

Quando finalmente chegou o tão aguardado dia, toda a expectativa aumentou e cada passo ao longo das horas até o momento de estar na HSBC Arena foram mais que especiais e em contagem regressiva. Fui de carro para a faculdade, no Méier (lembrando que eu ainda morava em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense), e procurei prestar atenção nas aulas, mas confesso que foi difícil! Saí com um pouco de antecedência da instituição, encontrei minha amiga e fomos no caminho para o local em que Paul McCartney, sempre meu ídolo e referência máxima de profissional estaria ao vivo e em cores, em pessoa e de carne e osso! Deu tudo certo no percurso e no trajeto, porém para estacionar próximo ao local foi bem difícil, uma verdadeira luta para achar um espaço e uma vaga e precisei deixar o veículo a uma certa distância. Não sem antes passar por um trecho com lama e o carro atolar um pouco, ainda bem que não permaneceu preso ali! Já pensou?? O carro pôde ficar seguro e aí o desafio seguinte seria enfrentar a longa reta da Av. Abelardo Bueno e encarar uma calçada cheia de fãs desejosos de ver o quanto antes o Beatle que já possuía longa carreira solo e ainda teve também o grupo Wings nos anos 1970.

Vencida a fila e os corredores de entrada, estar no setor “pista” foi uma vitória imensa e recompensadora após tanto esforço e espera. Estávamos ali para assistir Sir Paul McCartney ao vivo, um sonho de criança para mim! Quando ele surgiu, parecia até que não era de verdade! Fiquei me perguntando se era um sonho, se McCartney era um ser humano como qualquer outro. Tantas histórias, tantas músicas, tantas composições e tantos episódios na esfera musical. Estávamos diante de um gênio criativo, já com idade avançada mas que parecia um garoto recém saído de Liverpool tamanha a empolgação dele com o público e a interação até com palavras em português. A banda seguia o mesmo ritmo, claro, com destaque para o irreverente baterista Abe Laboriel Jr, muito talentoso e já há muito tempo excursionando com a trupe de Paul ao redor do mundo.

A festa estava em curso, a emoção completa e em êxtase! Paul começou com um clássico dos Beatles, Eight Days a Week, melhor maneira de começar sua participação ali, chamando a atenção para o lado emocional e a memória de todos com os eternos Beatles. Emplacou uma sequência de hits com Save Us, uma composição então recente e depois vieram mais clássicos dos Beatles, dos Wings e da longa e revisitada carreira solo. Músicas que são eternas e verdadeiras obras de arte em sua melodia e cada palavra utilizada na inspiração que gerou tais sucessos. All my loving, Listen what the man said, Let Me Roll It, Paperback Writer, Maybe i’m amazed e assim se seguiram em um total de 39 canções. O final contou com um bis marcado por Yesterday, Helter Skelter e as canções marcantes do álbum Abbey Road: Golden Slumbers, Carry that Weight e The End, a última música dos Beatles como banda em si após a separação em 1970.

O momento mais emocionante para mim foi ali por volta da metade do espetáculo, quando Paul tocou Something, composição de George Harrison, Beatle já falecido. Enquanto se passavam os solos de guitarra e versos cantados por McCartney, imagens marcantes e emocionantes de Harrison apareciam no telão. Incrível! Um dos vocalistas mais importantes do cenário musical e um dos melhores baixistas do mundo havia encerrado seu trabalho naquele dia, mas que para ele e para o público em nenhum momento, seguramente parecia que ele estava cumprindo uma rotina quase que diária e encerrando seu serviço prestado ali, naquele momento. Paul demonstrou empatia, garra, enorme energia para alguém já de sua idade, e vontade sempre de querer fazer mais e melhor. Por isso alcançou o que alcançou e será reconhecido para sempre como um fora-de-série único e excepcional. Voltei para casa satisfeito, completo e sabendo que por mais que as pessoas famosas e bastante reconhecidas por multidões afora sejam realmente indivíduos e cidadãos comuns como qualquer outro, que apenas tem fama, riqueza, mas fato é que isso fica e pertence ao mundo em que vivemos, permanece pelo caminho, fica pela história, fica para os quesitos materiais. 

Nunca voltei tão tranquilo como naquele dia e retornei para casa também com a certeza que talentos e pessoas que sintetizam grande parte do que há de bom e é produzido para as massas acompanharem e ouvirem conforme Paul e tantos outros nomes dificilmente aparecerão de forma parecida novamente. Portanto aproveitar aquelas horas de show foram fundamentais. Há momentos e trechos da vida que marcam positivamente para sempre e o show de Paul McCartney é um desses dias, de longe, sem dúvida alguma, mesmo que já se tenham passado quase seis anos completos. A memória está viva e a música nunca morre, ela percorre nossos corações e memórias, e o que enxergamos de especial e marcante em um espetáculo passou por nossas retinas e permanece intacto como um legado de que no mundo que passa por tantos e tantos problemas ainda há muita coisa boa e positiva para ser acompanhada. As coisas que fazem realmente a diferença marcam para sempre. Obrigado, Sir Paul!!!

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