Finlandês da Mercedes venceu de
ponta a ponta na abertura da categoria em 2020, LeClerc fez excelente prova de
recuperação em segundo e Norris foi o destaque da prova em terceiro com a
McLaren.
A espera acabou na Fórmula 1: começou a temporada 2020 da categoria, uma das mais imprevisíveis e esperadas de todos os tempos, principalmente pelos quase quatro meses de adiamento devido ao isolamento pela pandemia do novo coronavírus no mundo. E na primeira etapa do ano realizada na Áustria neste final de semana, Valtteri Bottas, finlandês da Mercedes, venceu a oitava prova da carreira (e a segunda conquista do piloto naquela pista) depois de partir da pole position e começar mais um campeonato na liderança, a exemplo do que aconteceu também no ano passado.
Mercedes/Red Bull
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| Bottas foi consistente durante todo o final de semana e começou com pole e vitória a exemplo do que também fez no início da temporada 2019. Foto: Divulgação. |
No traçado de Red Bull Ring, o
calor imperou durante a etapa e propiciou inclusive diversas quebras durante a
disputa. Mesmo os pilotos da Mercedes precisaram tomar cuidado para evitar uma
possível saída da corrida. Ambos receberam da equipe alemã recomendações para
não utilizarem tanto as zebras e evitarem problemas com sensores do câmbio nos
bólidos sempre velozes e adversários a serem batidos das agora chamadas flechas
negras, outra novidade da nova temporada. Hamilton finalizou em quarto, uma posição à frente da posição de partida, o quinto lugar.
O início do GP ficou comprometido
para o piloto que liderou o movimento Black Lives Matter antes da largada. Lewis
precisou largar da quinta colocação após punição por ignorar as bandeiras
amarelas no final do Q3 no sábado. O inglês seguiu acelerando mesmo com a saída
de Valtteri Bottas da pista e a sinalização no local ter sido alertada. Com o
incidente, a equipe de Verstappen e Albon realizou protesto junto à FIA, este
sim acatado e que culminou com Lewis perdendo o seu melhor tempo da
classificação. Na corrida o hexacampeão
mundial Hamilton recuperou logo terreno e alcançou a segunda posição. Mas no
final, tentou a todo custo segurar a colocação e acabou deslizando o carro para
fora da trajetória interna, não deixando espaço, e tocou em Alexander Albon, da
Red Bull, que vinha em ritmo melhor com pneus macios. Albon acabou rodando e
veio a abandonar voltas mais tarde. Verstappen deixou a corrida logo no início, ao quebrar na volta de número 11 e frustrou a grande torcida holandesa que esperava mais um grande desempenho de seu piloto na pista que fica na terra natal da equipe dos energéticos e liderada por Christian Horner. A impressão é que se Max não tivesse problemas, poderia incomodar as Mercedes, a exemplo do próprio Albon que veio com força e boa estratégia de pit stops para surgir rápido no final.
Ferrari
Com 5s acrescidos no tempo final
de prova, Hamilton terminou apenas em quarto, enquanto LeClerc fez uma impressionante
prova de recuperação com uma Ferrari ainda com falta de equilíbrio e velocidade. O monegasco finalizou logo atrás de Bottas, na segunda posição. Um feito e tanto dado o
quanto a equipe italiana perdeu de rendimento após a investigação da FIA que mudou
os rumos de como o propulsor do time é utilizado, fato que gerou polêmica no
ano passado. Sem qualquer tipo de detalhe passado ao público, a Ferrari não
pode utilizar vantagens que faziam dela uma das principais em velocidade nas
retas por exemplo, e que agora culminaram em um carro cheio de problemas e que
desagrada muito aos dois pilotos.
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| Vettel e integrantes da Ferrari caminham durante dia de treinos para observar todos os aspectos do traçado em Red Bull Ring, Áustria. Foto: Divulgação. |
Charles salvou a honra da casa com
o segundo lugar e justificou a aposta nele para um contrato até 2024 e futuro
status de primeiro piloto absoluto a partir da próxima temporada. O jovem competidor não esperava mesmo o resultado e se mostrou aliviado na entrevista para Jenson Button ao final da disputa. Apesar do bom resultado, Charles sabe que terá muito trabalho pela frente e precisará contar com outras corridas em que muitas coisas aconteçam na disputa e embaralhem o grid. Para Vettel a
corrida foi muito mais dura, partiu em décimo primeiro e durante as negociações
de ultrapassagens tocou em Carlos Sainz Jr, da McLaren, piloto que justamente
ocupará o cockpit deixado pelo tetracampeão mundial. Perdeu tempo e uma oportunidade
importante de deixar uma boa impressão após outros erros em corrida dos últimos
anos. Fechou em décimo, com um pontinho após tantos abandonos de adversários e tendo muito a
explicar ao time, jornalistas e fãs, até pelo ambiente da escuderia de
Maranello já não ser bom há muito tempo, e a relação com o chefe Mattia Binotto
claramente ter se deteriorado devido a declarações ríspidas e irônicas de ambos os lados durante entrevistas para achar
alguma explicação que possa justificar tantos problemas em pouco tempo.
McLaren
Na McLaren, a festa foi absoluta como
se fosse uma vitória, um verdadeiro gol de placa. Zak Brown e os integrantes do time, tão assolados e
preocupados após o contágio do novo coronavírus por parte de algumas pessoas na
equipe de Woking durante o final de semana do GP da Austrália que não veio a
acontecer em março, agora deram a volta por cima com estilo e grande
felicidade. Lando Norris, de 20 anos, deu um show à parte no final, cravando a
volta mais rápida da prova e sendo rápido o suficiente para superar em tempo o
rival Lewis Hamilton da Mercedes, para então assegurar a terceira colocação no
pódio. Foi consistente, rápido, andou entre os primeiros sempre e venceu o duelo
interno com Sainz, companheiro de equipe e que finalizou bem também nos pontos
com a quinta colocação. Norris guiou como um verdadeiro veterano e suportou a pressão em diversos momentos críticos e complicados para um piloto com pouca experiência. Se Carlos vai para a Ferrari em 2021 na vaga de Vettel,
muitos já começam a se perguntar se esta foi uma escolha correta, principalmente
no caso de Lando emplacar mais resultados incontestáveis e com consistência. É
a volta do time que comportou Fernando Alonso e a Honda há algumas temporadas e
passou longe de obter sucesso ou alguma tranquilidade junto aos parceiros na
empreitada dentro da Fórmula 1. Nada mais justo após tantos anos de luta e busca por melhorias em um time clássico e sempre mencionado por aqueles que amam a categoria.
| Norris fez corrida de veterano e de quebra ainda assinalou a volta mais rápida da prova no final. O terceiro posto foi um duro golpe naqueles que esperavam Sainz repetir o feito do Brasil 2019. Foto: Divulgação. |
Racing Point
Na Racing Point que sempre ainda chamamos de Force India e na próxima temporada se tornará oficialmente Aston Martin Racing, Sérgio Perez fechou em sexto, logo atrás de Sainz Jr, mas não sem antes passar também por algum tipo de problema: excedeu o limite de velocidade em uma de suas passagens pelo box e também perdeu oportunidade de lutar por melhores posições mais à frente da corrida. Lance Stroll, filho dono da equipe, teve problemas de motor e saiu de cena logo nas primeiras voltas. Um abandono um tanto prematuro para um paddock, fãs e especialistas que esperaram de forma promissora por um time “B” da Mercedes que com um chassi semelhante ao das flechas de prata do ano passado parecia desde a pré-temporada incomodar inclusive Red Bull e outros carros que tentem se aproximar de Hamilton ou Bottas na ponta das etapas. Os dois carros com layout da BWT e cor rosa “fumaram” bastante em ambos os motores desde os treinamentos e inclusive durante a prova no domingo. Muito trabalho pela frente será necessário, sem dúvidas, e é preciso olhar com cuidado se a expectativa não será a mesma e pode cair por terra como por exemplo aconteceu inclusive com a Honda de 2006 que trazia altas expectativas e resultados positivos demais ainda na pré-temporada com Barrichello e Button naquela altura.
Outros destaques
Entre tantos abandonos e saídas, os pontos conquistados por Pierre Gasly em sétimo, Esteban Ocon na reestreia na F-1 em oitavo e Antonio Giovizanni com Alfa em nono foram um verdadeiro alento em meio a times que não projetaram grandes expectativas nos especialistas desde a pré-temporada da categoria realizada ainda no início do ano antes do período de pandemia pelo novo coronavírus. Na Renault, Ricciardo ainda vinha tirando leite de pedra e correndo entre os dez primeiros, mas também foi um dos que sofreu com a confiabilidade e teve problemas rapidamente. Se Daniel abandonou logo de cara a primeira e tardia etapa inicial do ano de 2020, talvez já esteja pensando até em 2021 quando estará na McLaren, mais um outro desafio na carreira do australiano sorridente e batalhador.
Susto com Kimi
O momento mais perigoso e
espetacular da corrida na Áustria aconteceu com o veteraníssimo finlandês Kimi
Raikkonen, com 40 anos completados neste 2020 e que realiza mais um campeonato
pela Alfa Romeo. Se aproximando da última curva do circuito, a perigosa e veloz
Rindt, o pneu dianteiro direito simplesmente saiu do carro e levantou voo em um
trecho complicado e de tensão para os pilotos controlarem o bólido mesmo que
esteja tudo certo na pilotagem, imagine com um problema grave como esse. O campeão
mundial de 2007 controlou bem o carro e encostou próximo ao muro do box na reta
principal. Será se Kimi alcança as corridas disputadas por Barrichello na
categoria, sendo o brasileiro recordista mundial de largadas? Será uma questão
a ser respondida em breve, lembrando também que o calendário até o momento
conta com oito etapas, todas na Europa, e que outras corridas devem ser
adicionadas na sequência com o anúncio ocorrendo ainda nesta semana.
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| O pódio no novo normal da Fórmula 1: pilotos receberam troféus na pista e com poucas pessoas próximas a eles. A festa do champanhe não poderia ser deixada de lado. Foto: Reprodução - Fórmula 1. |
A sequência do campeonato em 2020
No próximo domingo já teremos
mais corrida e no mesmo circuito, dado que diversos países ainda não estão em
condições de receberem etapas da categoria ou provas que foram definitivamente
canceladas só retornarão, pela previsão, no ano que vem. Mas isso é tema para
um outro texto. Aguardemos ansiosos a prova corrida, afinal a F-1 2020 começou com
tudo: variáveis e o imponderável retornando para as corridas, diversas disputas
e brigas por posição, bandeiras amarelas e imprevisibilidade com um resultado
final de prova bem embolado e apontando muitas equipes a brigarem por todos os
postos no Mundial de Construtores atrás dos favoritos da Mercedes. Mesmo que
tudo isso tenha acontecido muito em virtude do tempo em que fábricas e equipes
permaneceram paradas neste ano e a falta de testes e corridas providenciou que
qualquer evolução posterior ao início do ano tenha sido feita tardiamente e com
muito menos tempo de pista do que se imaginaria para este período se fosse um
ano normal. Que venha mais emoção nas pistas com o GP da Estíria, nome da
região do autódromo da Áustria e que sediará mais uma etapa logo na sequência!



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