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Solidariedade na F-1?

Massa fica chateado com declaração de Stroll


Quando a temporada de Fórmula 1 ainda estava prestes a se iniciar neste ano o jovem canadense Lance Stroll foi protagonista de uma das declarações mais polêmicas dos últimos tempos. Ele disse que Felipe Massa, seu ex-companheiro de equipe, não havia sido o seu mentor e tampouco o havia ajudado. O piloto tupiniquim evitou a polêmica naquele momento de pré-temporada (fevereiro), mas ao ser questionado novamente no programa de TV, Conversa com Bial, não fugiu da situação e destacou que ficou chateado sim com a postura do novato. Massa lembrou ainda sobre as dificuldades de Stroll para aprender os detalhes de uma modalidade tão complexa quanto a F-1. O brasileiro reiterou ainda que nem mesmo Michael Schumacher foi tão solidário. Fica a dúvida: é possível um piloto profissional ajudar um concorrente dentro de um universo extremamente competitivo como é o esporte automobilístico?

Com o tamanho da Fórmula 1 é natural que mais dinheiro circule no meio e acirre ainda mais a busca pelo topo. No entanto poucas equipes conseguem fazer parte do clube seleto e limitado de campeões. Define-se o piloto principal, aquele que tem mais chances de confirmar bons resultados, e a partir daí fica realmente difícil encontrar um competidor “bonzinho” dentro da própria equipe. É cada um por si e Deus por todos. As ordens dos engenheiros e coordenadores também entram nesta perspectiva e visam sempre o “melhor para a marca”. O fato de Massa ter ajudado Stroll revela também o momento em que vive a maior parte das equipes do automobilismo mundial. Times tradicionais, mas com problemas financeiros sérios, que recrutam muitas vezes profissionais de segunda linha por causa do dinheiro de um patrocinador ou apoiador.
Felipe Massa serviu de guru para Lance Stroll durante o ano de 2017. O brasileiro passou as manhas do carro e também os detalhes da equipe criada por Frank Williams. É claro que pela índole e pelo caráter de Massa não se esperava outra atitude dele. Fato confirmado durante a entrevista a Pedro Bial. Entretanto, Massa é exceção no meio. É comum, nos boxes, que os competidores olhem para si e foquem apenas no sucesso individual. Quanto ao comentário de Stroll é possível acreditar que a prepotência do canadense, graças ao dinheiro injetado na Williams pelo próprio pai, o impediu de aceitar isto. Uma pena.


Voltando a um passado ainda mais distante, em 1992, um caso famoso aconteceu em um treino na Bélgica. O inesquecível Ayrton Senna estacionou sua McLaren ao lado do traçado para ajudar um acidentado. Senna socorreu Erik Comas, francês que pilotava pela Ligier, que havia batido muito forte. Comas estava desacordado e com o pé no acelerador mesmo com o carro parado. As consequências poderiam ser ainda muito piores se não fosse a ação de Senna que correu e desligou tudo no painel do cockpit francês. Além da ação providencial, Senna permaneceu segurando a cabeça do piloto até que os médicos chegassem e fizessem o trabalho de socorro ao francês. Erik Comas se recuperou bem e até hoje tem o episódio guardado na memória. Dificilmente assistiremos outra vez uma cena como esta, inclusive até pelo risco. Vale lembrar que Senna correu pelo traçado ainda com os outros competidores na pista. A recomendação é a de que o piloto permaneça no bólido até a chegada da equipe de socorro. O fato é que o cenário frio e competitivo da categoria oferece cada vez menos exemplos como o de Felipe Massa na Williams. É uma pena que Stroll não tenha aproveitado muito bem isto. Um grande abraço, amigos, e até a próxima semana!
Por James Azevedo. - texto publicado também no site do Pop Bola Esporte Clube.

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