Ao longo das últimas quatro décadas os pilotos do Brasil sempre estiveram presentes no grid da categoria máxima no esporte a motor mundial. Os competidores de terras tupiniquins não só marcaram território como também alcançaram o topo do pódio em muitas oportunidades, com vitórias e títulos. Mas a situação para 2018 parece irremediável, ao menos, por enquanto. Felipe Massa anunciou a aposentadoria da F-1 e disputará a última prova no próximo final de semana em Abu Dhabi, o encerramento da atual temporada.
Desde Emerson Fittipaldi (que corria com a Lotus naquela estreia durante a temporada de 1970) o país não ficava sem representantes. Chegamos a ter cinco ao mesmo tempo no grid em 2001, por exemplo. Os oito títulos mundiais parecem ter realmente ficado para trás no quesito qualidade de resultado dos brasileiros. E eles foram conquistados pelo excelentíssimo trio Fittipaldi-Piquet-Senna entre a própria década de 70 e o início dos 90. Acho que foi uma união de fatores, quase uma fatalidade que levou a essa queda de conquistas. Após a morte do Ayrton em 94 a pressão para se achar um sucessor ficou tamanha que isso não ajudou nem um pouco os que vieram na sequência: Christian Fittipaldi, Barrichello, Luciano Burti, o próprio Felipe Nasr... dentre outros. A última vitória foi exatamente com o Rubinho, em Monza 2009. Quanto tempo! A fonte secou, um importante ciclo vai se fechando até o momento. O Brasil chegou a ter diversas categorias de acesso no auge deste sucesso e justamente nas décadas em que os competidores daqui alcançavam diversas glórias nas pistas mundo afora.
Quando o interesse e o cenário econômico do país foram piorando, o investimento e até mesmo pistas clássicas como a de Jacarepaguá foram sendo retiradas “do caminho”. A partir daí menos formas de correr existiam e se produziram menos pilotos para o mercado internacional. O kart sempre foi o caminho para o início, mas mesmo assim ele já não tem a facilidade de acesso de antes. O automobilismo desde o início foi um esporte muito caro, para poucos, e em época de muitas empresas em dificuldades financeiras a coisa ficou ainda pior. Menos categorias, menos pilotos, menos qualidades a serem apresentadas.
Tudo ficou mais raro. Agora é aguardar pelos próximos candidatos: Sérgio Sette Câmara faz importante caminho pelas categorias de acesso e correu bem neste ano pela Fórmula 2, inclusive conquistando vitória em Spa Francorchamps, difícil e tradicional traçado. E a dupla com o sobrenome de peso, Pietro Fittipaldi e Pedro Piquet vem tentando manter a marca dos clãs que representam. Pietro foi campeão da World Series V8, certame que correu com poucos carros e fez a última temporada neste ano. E Pedro fez uma temporada um tanto razoável ou para baixo na Fórmula 3 Europeia em um time mediano. É torcer que o cenário mude para 2019 ou 2020 ao menos. Para 2018 a bandeira do Brasil, ao que tudo indica, deve ficar mesmo de fora na Fórmula 1.
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